As casas

Octávio dos Santos, também leitor destas Horas Extraordinárias, partilhou comigo um projecto em que está envolvido e que, por me parecer meritório, divulgo aqui no blogue, mesmo que neste momento estejamos impedidos de pôr o pé na rua e a caminho de um desses sempre reveladores lugares. Trata-se, para ser mais clara, de Casas de Escritores, lares onde viveram alguns dos nossos mais célebres criadores literários e que foram, regra geral, posteriormente transformadas em casas-museus. Octávio dos Santos elaborou a lista das Casas de Escritores de língua portuguesa que existem actualmente e se mantêm abertas ao público e com actividade cultural. Pensei logo na casa de Camilo, em S. Miguel de Seide, que visitei há bastantes anos, ou em Tormes, onde Eça comeu um dia frango e arroz de favas (e eu também o fiz no restaurante que abriram lá quando fui de visita). Mas estas são só as mais óbvias, porque a recolha inclui casas em Angola, no Brasil e espalhadas por este nosso Portugal, pretendendo Octávio dos Santos criar uma Rede de Casas de Escritores de várias épocas e estilos que, quanto a mim,  irá constituir, além de tudo, um excelente itinerário para quem queira viajar pela literatura portuguesa. Deixo-vos o link para aprofundarem o assunto. Obrigada ao Octávio dos Santos por esta bela sugestão e pelo seu trabalho.


https://octanas.blogspot.com/2021/02/outras-casas-listadas-para-serem.html

Comentários

  1. Que belo projeto ! Será que uma lista razoavelmente completa das Casas de Escritores Portugueses (ou em Portugal, não esqueçamos o Gunther Grass ou o António Tabucchi) já está disponível? Vivendo no Porto, já visitei e revisitei a Casa de Camilo em S. Miguel de Seide (e a sua cela na Relação), a Casa de Eça em Tormes, a de Régio em Vila do Conde e a de Miguel Torga em São Martinho de Anata e Sabrosa. É uma emoção particular estar nas casas dos escritores que amamos e sentirmos aí os seus ambientes particulares.

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    1. Artur, no início deste século, a Editora Alma Azul (com a colaboração das câmaras de C. Branco, Fundão e Penamacor) organizou várias "Viagens com Escritores".
      Com o Fernando Namora fomos a Monsanto e a Condeixa; com o Vergilio Ferreira, estivemos em Melo, no seminário do Fundão e na Biblioteca de Gouveia; com o Aquilino estivemos em Sernancelhe e em Viseu; com o José Régio nas Casas de Vila do Conde e Portalegre; com o Eugénio estivemos na casa onde ele nasceu, na Póvoa da Atalaia, e fomos ter com ele à Fundação na Foz do Douro, tendo ainda aproveitado para dar um saltinho à Praia da Granja, junto à casa de férias, onde estivemos a ler poemas da Sophia. Também fomos a Vila Viçosa com a Florbela.
      Apenas o ALA nos falhou: não apareceu junto à casa de Benfica conforme prometera nem rumou connosco à Praia das Maçãs, tendo desligado o telemóvel, obviamente.
      A organizadora decidiu que mesmo sem ele iríamos à praia, mas eu consegui convencê-la que bem perto das Maçãs havia uma praia com uma das mais belas paisagens de Portugal e arredores: as Azenhas do Mar!
      Ninguém conhecia, mas acreditaram em mim, e acabei por salvar o dia, pois todos adoraram aquele pedacinho de paraíso.
      E como o "Até ao Fim" do Vergílio se passa nas Azenhas, acabámos a falar sobre ele, porque os mortos nunca nos falham.
      Só espero que o vivo que nos falhou tivesse dois télélés...
      As Viagens acabaram por falta de verba, claro.
      Peço desculpa pelo lençol
      Maria

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    2. Sorry, mas ainda aqui volto para dizer que também fomos, num dia 30 de Novembro, à Casa Fernando Pessoa (era Sábado e abriu só para nós e foi muito, muito, bonito, até houve quem tocasse piano para acompanhar os poemas). Também estivemos na Brasileira, no Largo de S. Carlos e no Martinho da Arcada.
      Boa sorte para o projecto do Octávio.
      🌿🌼
      Maria

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    3. Ó Maria, porque sabemos que não pretende ser uma anónima, deixe-me sugerir-lhe, esperando não me tornar inconveniente, preencha os dados quando vai comentar (logo abaixo da caixa de comentários) e assim passa a aparecer sempre o seu nome no início em vez de Anónimo, e no fim já não precisa de estar com a preocupação de estar a pôr o seu nome-não sei se estou a ser ingénuo mas acredite que a minha intenção aqui é apenas tentar ajudar.
      É que gosto de ler os seus comentários mas só no fim vejo o seu nome.

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    4. No último Setembro, por ocasião da entrega do Prémio Vergílio Ferreira ao meu romance "Senha Número Trinta e Quatro", atribuído pela Câmara Municipal de Gouveia, tive a honra de visitar a casa do Autor. A honra e o prazer, apesar do estado degradado em que a casa se encontra, e que, por essa razão, me permitiu "sentir" a presença do escritor no local onde, para todos nós, escreveu alguns dos seus livros. Gostei de vê-la assim, no estado natural do tempo que corre. A caliça pelo chão, a electricidade remendada, os cheiros entranhados, o pequeno pátio descuidado pela ausência. Quando e se - os ventos também não sopram de feição para as autarquias - a Câmara deitar mãos à obra (sugerida, tal como a aquisição, por MRS), ficará certamente mais apresentável, mas perder-se-á o "espírito" que nela encontraram privilegiados como nós, Maria. Nota breve: não me parece que o "Até ao Fim" se "passe" nas Azenhas do Mar, ainda que a aldeia seja mencionada.

      João J. A. Madeira (ainda por aqui, uma vez por outra)

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    5. Olá João, e parabéns pelo prémio.
      A capela onde ele passa a noite a velar o filho e, até certo ponto, a conversar com ele (se é que isso é possível) relembrando o passado (e nesse passado fala em outros lugares, claro) é nas Azenhas; ele diz isso ao descrever a capela, e menciona a casa das Azenhas que sempre quis manter, o que até era verdade porque ele tinha casa nas Azenhas do Mar e era lá que gostava de se refugiar.
      Quando eu fui a Melo a casa ainda não estava visitável, estivemos junto à campa, rasa como ele queria e voltada para a Estrela.
      No Seminário estivemos nos dormitórios e na sala de aulas onde o Lauro António filmou A Manhã Submersa.
      Na biblioteca de Gouveia havia uma réplica da sala de leitura, com a biblioteca dele, o sofá e até a mantinha que punha nos joelhos. Recordo que peguei num livro da Virginia Woolf em inglês, com a tradução de algumas palavras nas margens, a lápis.
      E foi uma emoção, porque eu gostava muito dele.
      Boa tarde.
      🌿🌼
      Maria

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    6. Não levo nada a mal, Seve, e obrigada por gostar de me ler.
      Eu já tentei e não resultou, e como a Rosário é muito democrática e mantém a porta aberta para todos, vou continuar assim, até porque já há tantas Marias.
      Procuro não me esquecer de assinar e pôr um bonequito ou uma flor, mas a maioria já me conhece, penso eu de que...
      Bom entardecer, Seve.
      🌄
      Maria

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    7. Cara Maria,
      Muito obrigado por toda esta informação que nos envia ! Vou guardar a indicação da Editora Alma Azul para estar atento a um eventual recomeçar destas excursões culturais quando acabar a pandemia.
      Abraço.

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  2. Ora que Extraordinária idéia e iniciativa essa, do não menos Extraordinário Octávio Santos!
    Barvo!
    Apoio, subscrevo e certamente que na primeira oportunidade tirarei dela partido!
    Já disse aqui várias vezes que sou leitor assíduo de biografias, pelas mesmas razões gosto de visitar os lugares como as chamadas casa-museu.
    Bem perto de mim, tenho a Quinta de Vale de Lobos de Alexandre Herculano, sou amigo dos actuais donos e já a visitei diversas vezes. Como já disse aqui, arrepio-me muitas vezes quando caçando no Vale da Ursa, Monte da Vinha, Carrascais, Monte Branco da Loira, lá para o Torrão, me parece entrever a sombra de Torga pelo meio das azinheiras, ao dobrar o cabeço da Silha, pisando os mesmos terrenos e furando as estevas que o Mestre!
    Sempre que posso visito esses lugares, as casa-museu de escritores, pintores ou outros vultos, como José Relvas que não foi um nem outro mas fotógrafo.
    Creio que há um sentir, uma partilha nas vibrações que ficam e nos tocam, pois gente Extraordinária deixa essas ondas, sem dúvida.

    Gostava de saber qual a casa-museu que existe em Angola, do que não logrei obter informação no link. Poderão dizer-me?

    Um grande abraço de parabéns ao nosso Estimado e Extraordinário Octávio Santos! Saiba que sou bastante amigo dos Fialho de Almeida, meus companheiros de caça! E como não?

    Saudações saudáveis, saudosas e encaloradas cá da Cidade Morena.

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    1. Caro Pacheco, retribuo o abraço, e esclareço: a casa em Angola é a Fundação Agostinho Neto, em Luanda. É uma de quatro da lista que como que tem um «asterisco», no sentido de que, tanto quanto eu pude apurar, o primeiro Presidente de Angola nunca residiu no imóvel que é actualmente a sede daquela instituição com o seu nome, dedicada à divulgação da sua vida e obra. Porém, e tudo considerado, decidi que a inclusão se justificava - tal como a das outras três nas mesmas circunstâncias..

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  3. Uma sugestão de filme, de que aqui falei, para logo à noite na tv: "Um Editor de Génios" às 21.30 no Canal Hollywood. É sobre a relação entre o austero editor Max Perkins e o turbulento escritor Thomas Wolfe, com excelentes interpretações de Colin Firth e Jude Law.

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  4. Há dois anos fui a Chicago e aproveitei para fazer um desvio ao American Writers Museum, um pequenino museu que era uma carta de amor aos escritores americanos. Em Portugal não temos nada do género, mas fica a ideia.

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    1. Em Dublin, existe também um museu dedicado aos escritores irlandeses muito bom; e eles tiveram 4 Prémios Nobel!

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    2. Desconhecia (o museu, não os Nobel), mas fiquei curioso. Tenho de visitar, assim seja permitido.

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  5. Interessante iniciativa. No Verão de 2013 a jornalista Raquel Ribeiro do Público publicou uma série de reportagens sobre casas de escritores de que conservo ainda os recortes e que foram: Miguel Torga em S. Martinho de Anta, Ferreira de Castro em Sintra, Guerra Junqueiro no Porto, Fernando Namora em Condeixa, José Régio em Portalegre, Júlio Dinis em Ovar, Camilo em S. Miguel de Ceide, Eça em Tormes e Aquilino em Soutosa-Sernancelhe. Destas só visitei ainda a de Aquilino, Júlio Dinis e Guerra Junqueiro. Espero que a pandemia me permita visitar brevemente Torga, Camilo e Eça.

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  6. Em aditamento ao comentário acima, acrescento que há ainda dois livros-álbum publicados da autoria de Secundino Cunha e editora Opera Omnia: Casas de Escritores no Minho e Casas de Escritores no Douro.

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  7. Extraordinário ALP, permita-me uma correção. A casa-museu de José Relvas, que não foi escritor (Casa dos Patudos), é em Alpiarça e a casa-museu do fotógrafo é na Golegã. Este fotógrafo foi Carlos Relvas, seu pai.

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    1. Tem toda a razão e faz muito bem em me corrigir, sempre!
      Eheheh!
      Grande Abraço!

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  8. É um tipo de "curiosidade" distinta, com relação às casas. Inclusive se lhe abrigar dessa(s) necessidade(s) turística(s) não me convém, nem um pouco piegas. Mas, sempre louvável quaisquer iniciativa e bom trato com a memória literária de quem às habitou. A descendência é um excelente departamento, portanto place's beautiful.

    CST

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  9. Sei que estou fora do contexto do extraordinário texto, mas não sei onde deixar o desabafo. Para escrever nas paredes da rua, as palavras são muitas

    Quotidianamente enfrento a pandemia e acabo de ler esta notícia:
    «À boleia da permissão da venda de livros nos supermercados, algumas livrarias reabriram portas. Basta não serem só livrarias - venderem também produtos de papelaria ou material eletrónico, por exemplo. Mas se forem só livrarias, vendendo livros e mais nada, então terão de permanecer fechadas.»
    (Diário de Notícias)
    Penso que sei que governar, em tempos como os que vivemos, não é fácil.
    Mas não estarão a exagerar?

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  10. Obrigado a Maria do Rosário Pedreira pela divulgação da iniciativa, e aos comentadores, caros «co-extraordinários», pelas palavras simpáticas. Porém, devo sublinhar que não sou eu nem o Movimento Internacional Lusófono, em representação do qual concebi o projecto, quem deverá concretizá-lo: tal tarefa caberá à Câmara Municipal de Cuba através do Museu Literário Casa Fialho de Almeida, com o apoio da Direcção Regional de Cultura do Alentejo e da Associação Cultural Fialho de Almeida, de que sou sócio.

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