Uma profissão muito antiga
Uma das etapas mais importantes na conclusão de qualquer trabalho escrito, não necessariamente um livro literário, é a revisão. Uma pessoa que entrega um texto por rever está a desrespeitar o leitor e a pôr-se em muito maus lençóis. Se um professor universitário, por exemplo, receber um trabalho de um aluno cheio de erros e gralhas, deve, quanto a mim, descontar valores quando for dar a classificação final, assinalando a falta de cuidado. Respeito muito os revisores de texto (mesmo quando não concordo com algumas das suas achegas, pois alguns tendem a ser donos da língua) e li recentemente que esta é uma profissão realmente muito antiga. Quando ainda não existia imprensa, os copistas faziam (desculpem a redundância) cópias de textos para que pudessem estar ao mesmo tempo em bibliotecas e arquivos vários e ser consultados por muitas pessoas em locais diferentes. Porém, por desatenção, estes copistas introduziam erros nas suas cópias. Ora, quando se deu por isso em textos de tragediógrafos e poetas conhecidos, foi decidido que alguém devia passar a fazer um cotejo a seguir à cópia, evitando assim a reprodução escusada do erro em cópias posteriores. Ainda hoje é fundamental a prática de uma boa revisão em qualquer texto (e os correctores dos computadores dão jeito, mas não chegam). Vivam, pois, os revisores de texto.
Este texto também precisava de ser revisto
ResponderEliminarJá está, obrigada.
EliminarNa lista das coisas que me irritam está ler um livro mal revisto (também está ler um livro mal traduzido, nessa lista). Dou um exemplo: há uma edição do livro Money, de Martin Amis, publicada pela Teorema, que está tão mal revisto que se torna desrespeitoso para o leitor. Não consegui acabar de o ler. Entretanto li o livro publicado por outra editora (Quetzal, talvez) e parecia um livro diferente.
ResponderEliminarConcordo , anular textos com erros ortográficos.
ResponderEliminarConcordo plenamente. Uma boa revisão, com respeito e ponderada, é uma benção para um texto escrito.
ResponderEliminarUm abraço.
Esta excelente reflexão da Maria do Rosário Pedreira é mais uma razão para se ler com prazer e proveito "O Infinito num Junco" de Irene Vallejo que contém interessante informação histórica sobre a mesma temática.
ResponderEliminarPrecisamente! vinha dar esta achega! Que livro deslumbrante!
EliminarArtur, gostava de discutir esse livro contigo.
EliminarMsts.diana@gmail.com
Eliminar"Butcher's Crossing" de John Williams (editora D.Quixote-tradução de J.Teixeira de Aguilar) - nunca li um livro com tantos erros (por exemplo, enxendo os copos em vez de enchendo), muito mau
ResponderEliminarOs revisores são extremamente importantes na escrita (em toda, como a Rosário bem vincou, falando da escola...).
ResponderEliminarHá quem pense que o computador é suficiente. Não é (percebe-se bem na leitura de jornais e revistas), há vários erros que estão certos para a "máquina".
Eu como sou muito distraído (há palavras que faltam nos textos que não consigo dar pela sua falta a ler...), preciso mesmo de "ser revisto". :)
Obrigada em nome de todos os revisores!!
ResponderEliminarObrigada!
EliminarSó posso concordar!
ResponderEliminarJá agora, como é que se forma um bom revisor?
Já me pediram para rever alguns textos e até livros de pessoas amigas ou conhecidas, o que aceitei porém com a perfeita noção da minha incompetência quase absoluta, salvo quando esse pedido de revisão é por razões de ordem técnica. Mas também me o pedem no sentido de haver uma opinião sobre certas passagens e claro, para caça ao erro.
As editoras como é que avaliam ou contratam os revisores? Tenho curiosidade em saber.
Espero que este texto (raramente leio antes de publicar, e, muitas vezes sai asneira...) não esteja a precisar de revisão...
Um revisor forma-se sobretudo com a experiência, mas existem vários cursos à disposição; um deles, na Universidade Católica, bastante bom.
EliminarNão fazia a menor idéia!
EliminarMas imaginava que teria de haver alguma formação específica.
Obrigado.
Uma pessoa que entrega um texto por rever está a desrespeitar o leitor, e quem ignora os comentários dos que pensam estar a contribuir para o assunto e perderam algum do seu tempo, o que está a fazer?
ResponderEliminarAs pessoas devem poder errar, é o que se vive em democracia. Daí que concordo que é preciso revisores. Beijinhos e sucessos.
ResponderEliminarTambém faço questão de rever os textos, ás vezes vão com alguns erros de distração mas acontece
ResponderEliminarÉ sabido que o autor de um texto - pela quantidade de tempo que passa com ele - deixa passar erros que só outra pessoa consegue apanhar. À falta de um revisor, o meu truque é deixar o texto "marinar" uns dias e voltar a ele como que com um novo par de olhos.
ResponderEliminarUm texto para reflectir!
ResponderEliminarPara além da competência científica penso que também é preciso um distanciamento emocional, em relação ao que o revisor vai rever...
Mena
Bom dia,
ResponderEliminartenho lido livros com demasiados erros ortográficos e não só. E não venham dizer que são meros "lapsus linguae", pois mais à frente apercebo-me do mesmo erro.
Durante a minha vida de trabalho sempre tentei evitar os meus erros e emendei os dos outros. Não porque escreva melhor, longe disso, mas no tocante à língua de Camões tento ser simplesmente rigoroso. Por vezes também escapa...
Mas os revisores são gente muuuuuuuuuuuuuuuuuito (aqueles não gostariam desta última palavra ) importante. Conheci um que trabalhava no DN há 40 anos. Bom tipo sabia mais de português que muitos professores que eu tive.
Uma esplêndida semana! Cuide-se.
Um revisor verifica apenas gralhas e erros ortográficos?
ResponderEliminarNesse caso, toda aquela imensidão de erros de toda a espécie - que tornam certas leituras num pesadelo - fica por corrigir e o autor dos mesmos sem hipótese de poder melhorar.