Que susto
Quase todos os dias recebo os recortes de imprensa, críticas e notícias relacionadas com livros e autores que os meus colegas e eu publicamos. Por vezes, porém, o âmbito estende-se a áreas que não têm muito que ver com literatura: a gastronomia, a política, a música... Foi, de resto, o que me aconteceu há dias quando vi que, apesar de 2020 ter sido um ano muito atípico, alguém fazia uma selecção dos melhores álbuns de música do ano e não eram poucos. Fui ver em pormenor. Mas, ao fim de um parágrafo, fiquei elucidada. Deixo-vos o texto em questão:
«Olhando para o quadro geral, o hip hop é a cultura mais representada: de ProfJam & benji price e Silab & Jay Fella a T-Rex, passando por Capicua, nastyfactor, Maudito e 9 Miller, sem esquecer Sam The Kid, DarkSunn & Maria e Keso. Ou Tristany, o mais votado de 2020, que liga as pontes entre estes e, por exemplo, Scúru Fitchádu ou Dino D'Santiago. Daí para Nídia, PEDRO, A.K.Adrix e Pongo vai um pulinho...»
Vivemos mesmo em Portugal? Estou desconfiada de que não. Nem imagino o que tem isto a ver com livros, mas nunca se sabe. Bom fim-de-semana.
O que acontece é que nós, os mais velhos, vivemos num Portugal muito diferente do Portugal dos mais novos, por isso nos surpreendemos com os seus gostos. Muito mais do que os nossos pais se surpreendiam quando ouviam os Beatles e os Rolling Stones adorados por nós. A clivagem geracional, quanto a gostos culturais, acentuou-se com as novas tecnologias.
ResponderEliminarSem dúvida...
Eliminar😂😂😂
ResponderEliminarDaqui apenas conheço a Capicua e o Dino D'Santiago.
Resumindo: estou velha!
Bom fds para todos!
🌧️☔🌧️
Maria
Com raras exceções trata-se de produtos de entretenimento. Dantes havia entretenimento sob a forma de escrita, com o aparecimento da rádio o entretenimento passou para formas sonoras e aumentou imenso com o aparecimento da televisão que lhe acrescentou a vertente visual. Hoje o entretenimento sonoro/visual atinge dimensão industrial. A procura de entretenimento é muito grande, a oferta responde em conformidade.
ResponderEliminarBom dia com alegria e pandemia
ResponderEliminarNão resisto a partilhar aqui o que considero serem boas notícias:
https://www.theguardian.com/media/2021/jan/22/google-threatens-to-shut-down-search-in-australia-if-digital-news-code-goes-ahead
https://www.theguardian.com/world/2021/jan/20/ursula-von-der-leyen-big-tech-firms-reined-trump-exit
Tem muito a ver com o livro que estou a acabar de ler: A Era do Capitalismo da Vigilância, por Shoshana Zuboff.
Book review: https://www.nytimes.com/2019/01/16/books/review-age-of-surveillance-capitalism-shoshana-zuboff.html
Interview with Shoshana Zubof: https://www.youtube.com/watch?v=hIXhnWUmMvw
Acho que o assunto merece toda a nossa atenção, por forma a percebermos a (ausência) de regras do jogo digital em que nos movemos e as suas implicações.
Fica a sugestão.
Bom fds e boas leituras
cp
A prova de que vivemos em tempos realmente atípicos revela-se-me hoje pelo facto de ter lido "desconfinada" ao invés de "desconfiada"...
ResponderEliminarQuanto ao tema do post. Bem que podia ser pior! O hip hop é, ainda assim, um género musical que valoriza a letra (tradução de lyrics, não sei como dizê-lo em português, ou se há forma). Tendo aparecido nos Estados Unidos nos anos 70, difundiu-se largamente na década de 90 quase como um manifesto da juventude africo-americana diante das condições de pobreza, descriminação e violência.
Da lista que apresenta, confesso até que encontro algum valor na escrita de capicua.
Ver para crer!
Para mim a música tem tudo a ver com livros... é o complemento ideal para uma boa e tranquila leitura! Ou escrita...
ResponderEliminarConcentro-me com música, mas nem toda me ajuda, tem de ser jazz/blues ou clássica.
Não sei se com outros Extraordinários é assim também, mas arrisco dizer que sim, pois quem lê/escreve o faz muitas vezes com fundo musical - eu aconselho vivamente o jazz!
Na verdade, até gosto de algum hip hop ... e tenho dois ou três CD de "fusão" isto é, um hip hop jazzistico, aliás muito bom quando é conseguido!
Lembro-me de ser criticado pela música que ouvia em jovem, isto numa casa de músicos... minha mãe foi violinista, meu avô materno tocava violoncelo, tinha tias que tocavam piano e violino (ainda tenho ali um piano verticall Schroder), os Maestros Luiz Silveira e Belo Marques eram amigos de meu avô e visitas assíduas, aliás passavam aqui férias na quinta. Portanto imagina-se...
Por curiosidade, o Tó Ribeiro (UHF) foi namorado da minha irmã mais nova, por vários anos
ele é da minha idade e davamo-nos muito bem, assisti na época a muitos concertos com ele.
Nunca tive "ouvido" e não toco nada (excepto campainhas de porta, como se diz) , mas posso dizer que tive educação musical. Na verdade oiço todo o tipo de música, só não gosto de RAP e de Lieder, que não consigo ouvir, nem um nem outro...
Há música portuguesa muito boa, para mim Rui Veloso é o Maestro!
Gosto muito de música angolana, há excelentes músicos e intérpretes!
Saudações musicadas pelo assobiar do vento entre os plátanos, cá do Bairro Ribatejano!
Bem, já vi que não me fiz entender. Nada contra o hip hop (até não desgosto de alguns intérpretes e textos) - era porque os nomes eram todos em «língua estrangeira»!
ResponderEliminarEu diria mais, e para alguns dos casos referidos, línguas extra-planetárias!
EliminarEheheh! Acontece aos melhores...
EliminarEu peguei antes no tema o que tem a música a ver com a literatura. E , se formos a ver, o facto de todos os nomes que refere serem em inglês, acho que maior é a influência das culturas importadas, outras línguas e outras realidades... já o Genial e Extraordinário Rui Veloso compôs e cantou blues em português! E ele e o Carlos Tê deram sempre nomes portugueses, ou compuseram a realidade portuguesa e o dia-a-dia.
Votos de um Extraordinário fim de semana para si!
O chamado tiro ao lado 😉 bom fim de semana
ResponderEliminarFica aqui a sugestão de um grupo português e que faz música em português: ZARCO. Ouçam que vão gostar!
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