Pérolas
Há muito que já queria ter começado a lê-la, mas meteram-se, como sempre, outras coisas pelo meio e lá ficaram os seus livros a aguardar. Mas numa destas noites, no intervalo já nem sei de quê, peguei em Devoção, de Patti Smith, e fiquei devota da artista também nesta sua vertente. Trata-se de um livrinho que se lê em duas noites, mas belo e sensível, sobre o que pode levar a escrever um livro (no caso, umas imagens de uma família da Estónia separada por Estaline a seguir à guerra) e, de facto, como esse livro pode ir mudando nas mãos do escritor à medida que a vida avança e se vivem situações que alteram até certo ponto a narrativa (umas imagens na televisão de uma jovem patinadora artística, os livros que se levam para ler numa viagem, o túmulo de Simone Weil em Inglaterra, pequenos-almoços no Café de Flore, em Saint-Germain). Devoção é uma novela sobre a devoção pela patinagem de uma adolescente estónia refugiada na Alemanha nos anos sessenta e, ao mesmo tempo, um texto sobre o porquê e o como dessa novela, incluindo fotografias de algumas páginas escritas pela autora no comboio e um texto que tanto é da jovem patinadora como da própria Patti Smith. Muito original, profundo, delicado, uma belíssima surpresa neste início de ano.
A minha filha mais velha é completamente "vidrada" na Patti Smith e na sua obra e já leu tudo o que esta escreveu. Por isso, da última vez que esta esteve em Portugal, lá foi ela, religiosamente, para Paredes de Coura. Claro que a culpa foi minha que lhe ofereci o primeiro livro, "Just Kids". Boas leituras a todas e a todos. Susana
ResponderEliminarGosto muito da Patti Smith, por tudo o que ela representa no mundo artístico.
ResponderEliminarLi os seus dois primeiros livros ("Trocados por Miúdos" e "Mi Train"), por curiosidade. E gostei da sua escrita, simples e real, entre a autobiografia e o diário, que diz da mulher, da cantora e da escritora.
(diz muito...)
EliminarUma pérola mesmo, esse pequeno grande livro. Também adorei aquela parte em que ela visita a casa do Camus e lê o manuscrito inacabado de O Primeiro Homem; curiosamente comprei os dois livros no mesmo dia sem saber que estavam relacionados.
ResponderEliminarDevoção foi o meu terceiro da Patti, já tinha lido o Just Kids e o M Train: penso que a Rosário também vai gostar, se por acaso vier a lê-los :-)
Também gostei do Ano do Macaco, especialmente das partes relacionadas com o Sam Shepard (que eu admirava imenso) e com o nosso Fernando Pessoa.
Aguardo mais livros dela.
☃️
Maria
P.S. Se me permite, gostaria de lembrar aqui o nosso querido Eugénio de Andrade, que teria feito hoje 98 anos... e que tão belos poemas (e não só) nos deixou.
Olha... e esta? Confesso a minha absoluta ignorância e total admiração! Desconhecia em Patti Smith a faceta de escritora, sem ser letras/poemas evidentemente.
ResponderEliminarInteressante!
Saudações cá do Bairro Ribatejano.
Como gosta de biografias e memórias talvez tenha uma boa surpresa, ela escreve muito bem e até venceu o National Book Award com o livro Just Kids (Apenas Miúdos).
EliminarEspero que esteja tudo bem consigo e todos os seus.
Saudações Beirãs.
🍀
Maria
Estamos todos recuperados e de boa saúde, obrigado!
EliminarO "bicho-papão" não é assim tão-tão-tão ... mas teve de vir da grande urbe para o campo, onde foi afinal vencido à lareira! Os citadinos passaram pior, sobretudo pelo confinamento, mas tudo se resolve! Não há que ter medo, soçobrar aos receios e nem baixar braços, a vida é assim mesmo, para se viver, já sabemos que nem sempre é fácil e há momentos piores e melhores.
Cumprimentos aí para a Beira (Terra de Boa Gente) e obrigado pela sua nota sobre a P. Smith.
Obrigado pelas suas palavras e informação sobre a P. Smith.
EliminarEstamos todos recuperados, e bem, nem sequer sofremos muito mais do que o incómodo de estarmos todos fechados! Claro que aproveitei para ler o que pude, e, ver excelentes séries!
A lareira prevaleceu, o bicho-papão não é assim tão-tão-tão... há que não ter medo, não soçobrar nem baixar os braços, a vida é assim mesmo, cheia de riscos mas para ser vivida, todos morrreremos um dia, seja do que for.
Saudações para a Beira, Terra da Boa-Gente.
Da Patti Smith nunca li nada; só tenho o álbum Horses!
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