Ler e ver teatro
Quando eu era mais nova (e não gostava de calhamaços), costumava ler peças de teatro que havia em casa dos meus pais (Morte e Vida Severina, As Três Irmãs, Fedra, textos de Beckett, Claudel, Eugene O'Neill...), mas penso que hoje as pessoas quase não compram livros de teatro, especialmente os jovens, a quem faria muito bem ler/ver algumas peças. No jornal britânico The Guardian, que tem sempre uns rebuçados para quem tiver paciência para o consultar, encontrei um artigo muito interessante sobre como ocupar de forma criativa filhos adolescentes em confinamento, e uma delas bem pode ser proposta à filharada aborrecida dos nossos Extraordinários: representar uma peça com os amigos por Zoom, mesmo que alguns deles estejam do outro lado do mundo. Distribuem-se os papéis, combinam-se ou não as vestimentas (mas tem graça usar chapéus ou outros adereços para surpreender os outros) e, à hora certa, cada um lê as suas falas. No fim de uma hora ou duas está a peça lida por todos e de certeza que se divertiram. Os monólogos é que não dão para ensaiar, pois a convivência, mesmo virtual, é o que apaga a maçada de se estar fechado em casa. Prometam que vão tentar. Os dramaturgos, mais do que nunca, precisam de leitores.
Bom dia com alegria e pandemia
ResponderEliminarEm cena, no teatro cá de casa, está a peça: "O meu reino por um écran"
Dramaturgia: participativa e inclusiva, á la carte
Género: misto de tragédia e comédia
Actores: Pai, Mãe, Filho, Filha, Router com controlo parental, Televisão esperta, Dispositivos variados com ligação á internet
Sinopse: A luta constante entre gerações, mediada pela tecnologia. Os mais velhos a quererem fazer ver aos mais novos que existe vida para além do écran.
Boas leituras
cp
Ahahahah! Boa!
EliminarValentes!
~Grande Abraço teatreiro cá do Bairro Ribatejano!
Não sei se lhe deva chamar "preconceito", mas penso que há muito a ideia de que o teatro é mais para "ver" que para "ler"... (falo por mim, devia ler mais teatro do que leio, até por gostar de escrever diálogos).
ResponderEliminarO convite é bom, mas difícil de transpor para as nossas casas, se não existir já algum espírito "teatreiro". :)
Em miúdo e já rapaz, estava habituado às teatrices, pois era costume fazer-se teatro amador em casa.
ResponderEliminarO teatro era uma fonte de entretenimento muito popular, havia as famosas récitas ou simples quadros representados em noites especiais ou de festa. Havia dramaturgos amadores e actores amadores. Nos clubes e nas casas particulares, nos pequenos teatros, em colectividades e associações, fazia-se muito teatro.
AInda guardo na biblioteca algumas peças dessas, escritas por meu avô e seus amigos.
Portanto, nós, rapaziada e raparigada também fazíamos o mesmo... era entretenimento nas longas férias grandes, aqui na quinta e nas vizinhas, quase sempre cheias de primalhada, que nos juntávamos. A comunicação era o telefone fixo, ou era motivo para passeatas a pé, de bicicleta ou cavalo para deslocações maiores, para combinar e reunir forças. Também sempre havia lanches, que eram igualmente muito apreciados e mergulhos nos tanques de rega arvorados em piscinas! Que saudades!
Não só a representação; ainda a procura de adereços nas arcas e armários onde havia roupas e fardas, fatos de gala e tudo o mais; a escrita da peça ou sua escolha; a atribuição dos papéis; tudo nos ocupava e entretinha.
Mais tarde, havia quem tivesse um daqueles gravadores de bobines, grandes, então foi um delírio, pois nos dedicámos ao teatro radiofónico! Muito mais fácil e prático, era só escrever os textos (adivinhem quem era o roteirista de serviço, eheheh!) e gravar as falas. Se os actores escasseassem, fazíamos várias vozes e papéis, o que era muito divertido.
Depois aquilo era passado e ouvido e muito aplaudido!
Ahahah!
Em tempos destes, de confinamento, com os meios actuais é essa uma soberba sugestão, aliás útil porque pode ser cultivadora além de ajudar a entreter e passar o tempo. E quem sabe se despertar alguma vocação. Lembro que muitas actividades não têm de ser mais do que lúdicas, amadoras, feitas por puro gozo, convém também ensinar isso aos jovens, despertá-los para o amadorismo, o hóbi!
Pode fazer-se por skype, por zoom ...
Indo ao google, podem obter-se fácilmente textos de peças de teatro ou mesmo gravações no youtube, que podem inspirar ou ser recreadas.
Além de saúde, haja imaginação!
Saudações saudáveis e criativas, cá do Bairro Ribatejano!
Nunca gostei muito de ler Teatro, gosto mais de ver; no entanto li Morte de Um Caixeiro Viajante do Miller, Shakespear e Anton Tchekov, além dos obrigatórios Garrett e Gil Vicente! É pouco, mas dou primazia à prosa, a poesia fica também um pouco prejudicada!
ResponderEliminarExcelente sugestão. Vou aproveitar.
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