Ir à América e voltar mais sábio

Agora, que o estupor do vírus nos impediu de viajar, não temos outro remédio senão recordar com saudade os lugares aonde já fomos e ler sobre os países aonde ainda gostaríamos de ir – mas, claro, fechadinhos em casa. Felizmente, há alguns livros que nos permitem viajar por vastas áreas geográficas (quase um continente) sem termos de sair do sofá e, ainda por cima, sublinhando os seus monumentos literários. É o caso de um que já aqui referi quando saiu, Viagem ao Sonho Americano, da autoria da jornalista e crítica literária Isabel Lucas. Trata-se de um roteiro maravilhoso da litertura norte-americana feito através de reportagens e entrevistas a escritores oriundos de vários estados, por vezes tremendamente distantes uns dos outros. Descobri, por exemplo, o fabuloso Donald Ray Pollock por causa deste livro precioso; e por isso não só vos desafio a lê-lo em confinamento como vos proponho que participem do serão do próximo sábado com a autora no clube de leitura do Museu da Farmácia, no qual Isabel Lucas falará do seu percurso e das viagens que fez nos Estados Unidos para visitar estas pessoas com quem nós, leitores, gostaríamos tanto de falar, bem como as casas e lugares de grandes autores desaparecidos como Melville, Roth ou Gore Vidal. A iniciativa do Museu conta com o apoio do Plano Nacional de Leitura e tudo o que tem de fazer para assistir é inscrever-se. As informações podem ser consultadas aqui:


museudafarmacia@anf.pt


 


 

Comentários

  1. É uma óptima sugestão, comprei-o e li-o quando saíu, e é também um bom livro para releituras.
    Para quem não quiser ir tão longe, permito-me sugerir a Viagem à Volta do meu Quarto, do Xavier de Maistre.

    Boas viagens & boas leituras!
    Ah, e muita saúde também :-)
    🌿🌼
    Maria

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  2. Li o livro da Isabel precisamente no confinamento de Março de 2020. Maravilhosa a descoberta dos EU, das particularidades sociais de cada Estado, mas sobretudo os escritores e as suas histórias. Recomendo mesmo!
    Carla Pais

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  3. António Luiz Pacheco28 de janeiro de 2021 às 03:52

    Creio que, quando vamos a qualquer lugar, vimos de lá se não mais sábios (a sabedoria é coisa difícil de se alcançar, se é que alguma vez conseguimos...) certamente que mais ricos!
    Mau sinal é não trazer nada em nós, quando vamos a outro lugar...
    Tinha um colaborador - de quem nem gostava muito, confesso, um mecânico de frio e montador, a quem certa vez mandei à Holanda fazer um estágio numa empresa com quem tínhamos um acordo, de equipamentos para câmaras de conservação e secagem de batata e cebola. Era "esperto", mas muito burro e de péssimo carácter, mas como em terra de cegos quem tem olho é rei, ele passava por competente porque de facto aprendeu alguma coisa e servia para o que dele se precisava. Enfim, chegou da Holanda e declarou-me que não fora lá aprender nada! Fiquei pasmado com o atrevimento de quem nem sabia que a cebola tinha de secar antes de ir para conservação... no fundo ele não quis foi reconhecer que aprendeu, o que reforçou aquela impressão que tinha dele, a sua falta de humildade, estupidez e dissimulação. Meses depois arranjou pretexto para sair e ir trabalhar por sua conta, muito bem, mas na verdade hoje, quando aparece nas obras da nossa empresa, percebe-se que "fica a Leste", porque os processos e os equipamentos mudaram muito, evoluíram e ele ficou parado, está com anos de atraso. Já não apanha o passo.
    Portanto esta reflexão que a Nossa Extraordinária Anfitriã nos traz aqui hoje, é tão verdadeira quanto deve mesmo dar que pensar!
    Pobre de qualquer que indo a um lugar diferente, não traz de lá nada... sensações, saber, impressões, idéias, comparações, reforço, ânsia... é muito mau sinal. Péssimo!
    Certo que nem todos somos "viajantes" na acepção da palavra, mas pelo menos devemos perceber as diferenças entre aquilo que conhecíamos e o que passamos a conhecer, pelo bom ou pelo mau.

    Este livro acredito que seja muitíssimo interessante, vai para a lista... e já que estamos a falar também de livros, a viagem ao Sul profundo (dos EUA) do Paul Theroux , aconselha-se vivamente, porque esse sim, é um Magnífico Viajante e um escritor de mão-cheia, dos que sabe o procurar, que sabe ver, interpretar e depois reflectir e descrever.
    Vou comprar e ler o seu último, sobre o México, não posso perdê-lo!
    Fica a sugestão, pois com ele viaja-se!
    Mas vou procurar também esta Viagem ao Sonho Americano.

    Saudações imobilizadas. confinadas, cá do Bairro Ribatejano!

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    Respostas
    1. Ó Paxeco, eu diria mais: "Cada pessoa que conheço, sabe pelo menos uma coisa que desconheço!"-lema que encima o meu blogue (kontestu)-.

      Não li o livro da Isabel Lucas mas li, do fabuloso Donald Ray Pollock" um grande livro "SEMPRE O DIABO" que grande escritor!

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