Escreve ou não escreve?
Estou, já aqui o disse, a preparar um curso sobre escrita e edição; e foi nesse âmbito que me surgiu a questão (julgo eu que bastante pertinente) que aqui trago hoje e que tem que ver com aquele a que chamamos «escritor». Ora, na página de um escritor bem conhecido (sua página «oficial», diria eu) o nome aparece seguido de: «Escritor, poeta, ensaísta.» E, embora seja tudo verdade (ele é tudo isso), estou intrigadíssima com a sequência porque... Então um ensaísta não é escritor? E um poeta não é escritor? Escritor é apenas o autor de livros de ficção, o romancista? Bem sei que a poesia nasceu numa tradição de oralidade, mas o tempo de Homero ou dos trovadores já lá vai há séculos e não consigo entender porque, em pleno século XXI, se mantém esta mania de, nos jornais ou na Internet, se escrever debaixo de um nome de uma pessoa que escreve poesia e ficção «escritor e poeta» , como se o poeta não escrevesse, fosse apenas um dizedor. Também se pode discutir que «escritor» aponta para um criador literário e que o ensaio nem sempre implica criatividade. Mas há ensaístas altamente criativos, e lá que o ensaísta escreve não há dúvida. Outra coisa esquisita é, nos jornais portugueses, meterem geralmente a poesia na categoria da ficção, quando a poesia é talvez (por mim falo) o menos ficcional dos géneros. «Ficção» estará então ali em vez de «literatura»? Donde virão estas malfadadas confusões?
Os portugueses adoram títulos e cargos e essas coisas todas, mesmo dizendo-se e achando-se "republicanos"! Creio que a confusão vem dessa vaidade e da vontade de mostrar que se é "algo", de preferência diferente e superior!
ResponderEliminarPara mim, escritor é escritor... escreva ele em blogs, jornais, livros, e escreva prosa ou poesia.
No entanto admito que depois de escritor (genérico) se possa acrescentar "poeta" pois aceito que um poeta seja um escritor específico.
Assim teremos, tão ao gosto dos portugueses:
- Escritor, em geral.
Especificando:
-Romancista
-Ficcionista
-Histórico e social (escreve sobre estes temas mas para entretenimento)
-Escritor de viagens
-Poeta
-Ensaísta
-Dramaturgo
-Letrista (caso de quem escreve canções)
-Opinativo (quem escreve opiniões...)
-Mediatista (quem escreve nos media)
-Bloguer (quem escreve nos blogues)
-Discursista (quem escreve discursos)
-Considerativo (os que escrevem considerações , incluindo livros considerativos)
-Científico (escrevem artigos e sobre temas científicos)
-Guionista (guiões de telenovelas e similares)
-Humorista (escreve textos humoristas)
-Cronista (escreve crónicas)
-Da treta (escrevem tretas...)
Enfim deixo à imaginação dos Extraordinários criarem as classes de autor literário que bem se entendam , de acordo com o que cada um escreve... acrescento duas classes (numa das quais eventualmente me incluo, eu mesmo):
-Tontista (o que escreve tonteiras)
-Parvoista (o que escreve parvoíces)
Então, é preciso é saúde e a gente rir destas coisas todas, ou morremos tristes o que deve ser muito mau!
Eheheh! Está aí tudo, António Luiz Pacheco. E equilibrista que no meio disto tudo é preciso grande equilíbrio e resiliência.
EliminarBela lista António! Quem escreve sobre o Social, deveria ser Socialista ou Jetsetista... ;-)
EliminarFaltou, um Gastronomista, para quem escreve livros de culinária/Gastronomia, mas normalmente aparece como Chef.
Escritor ou poeta ou ensaísta - pode-se resumir a Autor. Dá para todas as obras.
Saudações e fiquem bem!
(a ver se coloca a leitura em dias nos próximos dias de Janeiro, fechado em casa)
Henrique Vogado
Bom dia caríssimo António,
Eliminarao fim de 61 anos e mais de 45 dedicado à escrita posso finalmente incluir-me nos suas duas classes: umas vezes sou tonto https://josedaxa.blogs.sapo.pt/contos-tontos-11-49345,
outras vezes sou parvo https://ladosab.blogs.sapo.pt/parvoices-1032844.
Eu a pensar que era o único!
Abraço e cuide-se!
Ahahahah!
EliminarComo é a cantiga? Não, não sou o único!
Gostei de o ler, parece que afinamos por diapasões semelhantes.
Abraço cá do Bairro Ribatejano
Escritor: poeta, contista, romancista, ensaísta, cronista, diarista, ...
ResponderEliminarAhahahah!
EliminarBoa, essa do Equilibrista! Há alguns, eheheh!
Vamos ver o que o resto da Extraordinariada aainda vaai descobrir e sugerir!
Extraordinário... isso é que é um estatuto muito reservado, eheheh! Só para alguns.
Não estou de acordo.Ainda há dias tivemos um Extraordinario que manifestou a sua não preferência por poesia.Penso que não e pretensioso intitular-se "escritor,ensaista,poeta".
ResponderEliminarPara quem quiser ter uma apresentação do autor fica logo a saber se vai ser ou não alguém cujos escritos que lhe possam agradar.E evidente que tudo e escrever,mas dada a difrerença de géneros de literatura existentes,sempre podemos orientar as nossas escolhas.
Talvez as diferenças "confusas" nasçam dos próprios autores...
ResponderEliminarHá poetas que não querem ser "escritores"; há ensaístas que acham que não são escritores, etc.
A única diferença que existe e faz sentido, é quando se é jornalista e se escrevem livros.
Na prática são duas coisas diferentes.
Embora sejamos escritores muitas vezes preferimos ser jornalistas (é aquela coisa que se diz que "jornalista uma vez, jornalista sempre", e também é comum a outras a actividades...). :)
Os jornalistas começaram a exercer em jornais, hoje a maioria fá-lo em televisão e rádio mas manteem a designação. Atletas são os que praticam a modalidade de atletismo mas designam-se assim, genericamente, os futebolistas, basquetebolistas, andeboliscas, judocas, etc. No caso em apreço uma clarificação era bem-vinda. Escritor a designação genérica, ficcionista o que escreve romances, novelas, contos. Mas quem vai auto-designar-se ficcionista?
ResponderEliminarNão gosto de responder a anónimos, mas esta questão é pertinente.
EliminarPode autodesignar-se ficcionista quem só escreve esse género literário. Tal como poeta quem apenas escreve poesia. Embora sejam ambos escritores, como sabemos.
E quem escreva romance histórico, ou do género, baseado em factos reais?
EliminarÉ ficcionista por inteiro ou semi-ficcionista? Ai ao que isto nos leva...
António, o romance histórico não deixa de ser ficção. :)
EliminarE com tudo isto, apareceu mais um "escritor", o historiador. :)
(espero que o Covid tenha passado pelo Bairro Alentejano, sem "estragos" de maior e já esteja de retirada)
Uma humilde opinião de uma leiga.
ResponderEliminarhttps://livrosecoisasdavida.blogs.sapo.pt/quem-e-escritor-17315
Olhe, fui espreitar (as traças semos munta curiosas e bisbilhoteiras) e gostei do que escreveu!
EliminarContinue!
Saudações cá do Bairro Ribatejano!
Obrigada
EliminarTambém gostei muito de a ler.
EliminarBoas leituras!
ap
Eu sou apenas uma grande leitora, de todos os géneros desde que me agradem, e há por aí muito 'monstro sagrado' da literatura que não me diz rigorosamente nada.
ResponderEliminarPôr etiquetas num escritor é só vontade de complicar.
Como diria JLBorges:
«Que outros se orgulhem das páginas que escreveram que eu me orgulho das que li.»
ap
Luis Eme,
ResponderEliminarrespondeu a Amalivros que, por falha, deixou sair Anónimo. É tão anónimo como o Anónimo mas escolheu Amalivros na sua primeira intervenção em homenagem ao blogue e seus assunois e assim ficou. Podia ter assumido José Silva, mas era o mesmo, o que conta é a identificação que se deixa no local próprio.
Claro Amalivros.
EliminarO estranho é a sensação de estarmos a falarmos para "ninguém", com comentários anónimos. Basta que as pessoas assinem, nem que seja como "Zé da Esquina".
assunois* assuntos.
ResponderEliminarArrisco-me a dizer que a maioria daqueles que escrevem, não o fazem em ficção. Ainda assim, o ficcionista é aquele que tem mais alcance, daí que se associe a palavra escritor só àquele.
ResponderEliminarPara quando o curso de escrita? Estou interessado!
ResponderEliminarOnde será divulgado o curso?
Obrigado!