Preços festivos

A Fundação Calouste Gulbenkian tem servido de exemplo em muitas áreas, desde a arquitectura paisagista, por causa dos seus belos jardins desenhados por Ribeiro Telles,até à ciência, por causa do Instituto Gulbenkian de Ciência, passando pela sua biblioteca magnífica, pelo Museu, pelo apoio à artes ou mesmo pelos seus concertos e a sua orquestra. Mas raramente se fala na Gulbenkian editora de livros, e não só a Fundação tem sido extremamente importante para a publicação de obras relacionadas com temas altamente específicos que de outro modo não veriam a luz (reactores nucleares, por exemplo) como tem dado à estampa obras fundamentais que as editoras dificilmente poderiam pagar pelos custos associados ou a quantidade incrível de colaboradores. É por exemplo o caso da Gramática do Português, organizada por Eduardo Buzaglo Paiva Raposo, Maria Fernanda Bacelar do Nascimento, Maria Antónia Coelho da Mota, Luísa Seguro e Amália Mendes, cujo terceiro volume foi lançado recentemente e está em promoção, como, aliás, muitos outros livros, com descontos de Natal de 40%. Visite, pois, a loja da Gulbenkian em tempo natalício e encontrará presentes fantásticos para os que amam os livros. (Juro que não me pagaram para fazer publicidade.)

Comentários

  1. Bom dia com pandemia

    Estive lá ontem com o mais velho: "oh Pai, vamos embora, já tens tantos livros, isto é uma seca..."

    Deus, não me dês força para continuar. Dá-me antes paciência, pois vontade de desatar á estalada não me falta.


    Boas leituras
    cp

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Violência aparte, um cascudo ou tapona, um carolo, atempada e oportunamente bem dado é extremamente pedagógico... o meu tem 31, levou alguns e ainda hoje falamos abertamente nisso, fruto de uma boa e saudável relação, baseada no respeito e numa coisa fundamental: ele sempre soube quem mandava e tinha a última palavra! Como foi comigo aliás e não cresci com problemas psicológicos quanto a isso, nem ele!
      Vá por mim, pois quando apetece e é devido, justificado, a sua falta é pior do que dá-lo!
      O seu bom senso será duramente posto à prova, pois não pode ser um gesto gratuito, de impaciência, que aí sim, eles sabem e se perde a razão, mas quando é imperativo, constitui uma forma inequívoca e comprovada por gerações de pais e filhos, de instalar a ordem.

      Já oiço aqui o coro de desaprovação a contestar: os meus não! São educadíssimos, respeitadores (são sempre todos... eu sou casado com uma educadora e sei), não preciso de lhes tocar! Pois... convençam-se disso, porém antes de o afirmar perguntem aos outros, aos que na fila da caixa do supermercado assistem à birra infantil; aos comensais da mesa do lado que sofrem com a "energia" do rebento alheio;ou às visitas ou visitados sujeitos à curiosidade expontânea do infante descontrolado e indomável, de quem a mãe não sabe explicar o que lhe deu "naquele dia" ...
      E eu a pensar justamente... ai o chinelo da D. Maria Augusta Abreu!

      Enfim, é um episódio, caríssimo e alegríssimo CP, receba um abraço solidário de um velho pai e tio já avô. Olhe ontem o meu sobrinho mais velho, 40 anos, foi, como vai muita vez, comigo às perdizes caçar num dos mais exigentes e tradicionalistas grupos que conheci e participei, gente de categoria social, profissional e pessoal, que persistiu ao longo de gerações e já vai na quarta (Miguel Torga caçou ali!). Dizia-me uma vez, a propósito deste meu sobrinho, o anfitrião principal da velha casa de família onde depois nos reunimos e jantamos: Luiz, quem é de boa cepa, não renega a origem!
      Creia que me enche de orgulho, porque mantemos uma família onde os tios também educam e são referência, da Austrália a Madrid, passando por Inglaterra, em que tradições familiares se mantêm, uns amantes da leitura, outros da Natureza, nos desportos de ar livre, ainda da caça e da pesca submarina, da aficción, em que manterão pelo menos a atitude o brio e o respeito.
      Quando se chega a velho, importa perceber que há quem dê seguimento àquilo que herdámos e mantivémos.

      Grande abraço, com alegria e orgulho, cá do Bairro Ribatejano Extraordinário CP.

      Eliminar
    2. E o menino a bater no pai como tantas vezes tenho visto por aí...e a mãe -ó filhinho não faças isso- é o pão nosso de cada dia.
      Uma bolachada bem assente mas no pai e na mãe assentavam que nem uma luva (não está na Internet)...

      Eliminar
  2. Concordo. E há obras excelentes. Mas a oferta ficcional é escassa.

    ResponderEliminar
  3. Uma palavra sobre a edição de livros por parte da Gulbenkian:
    - Estudei por muitos livros desses! Boa parte deles ainda estão aqui mesmo à minha frente na estante do meu escritório, onde guardo os livros técnicos!
    Como eu, muitos milhares de estudantes, ignoro se ainda é assim, mas em 1976 não era fácil encontrar e nem comprar livros técnicos, de medicina, agronomia, solos, bioquimica, fisiologia... e, lá estava a Gulbenkian, sobretudo com preços acessíveis a um tempo em que havia dificuldades, que não são apanágio da actualidade.
    Depois copiávamos, trocávamos, emprestávamos entre nós. Alunos veteranos vendiam certos exemplares aos mais novos, quando precisavam do dinheiro para comprar outros da cadeira actual. A bolsa dos estudantes nos anos 70 e já 80, eram magras, mesmo os das famílias abastadas... andava-se à boleia, comia-se nas cantinas, e, suspirava-se por "bife", que na época era um luxo e não um acepipe proibido por ideologias de que uma universidade, supostamente pólo de saber, discernimento e sensatez, esclarecidos, deveria estar defendida.

    Olha... hoje estou a ser muito pouco políticamente correcto!

    Saudações, algo sombrias de um dia húmido deste triste Dezembro, cá no Bairro Ribatejano, onde me falta o Sol que não vejo desde a semana passada... será a providência a arranjar-me forma de não ter tantas saudades depois quando regresse à Cidade Morena?

    ResponderEliminar
  4. Também nas minhas estantes repousam (de um passado mais materialmente risonho, quem se mete com a literatura, sofre e apanha, mesmo com gosto) bastantes livros da Gulbenkian: desde o Samuelson da Economia, aos de Economia Regional, de Empresa, aos de Psicologia Geral, aos de Sociologia, Filosofia, História Antiga, Direito e, vá-se lá saber porquê - eu que sou muito mais de Ciências Sociais e Humanas - até aos "amarelinhos" de Fisiologia Humana, um impulso louco em determinada época da minha vida de querer conhecer melhor a minha estrutura corporal e a "massa" endógena de que somos feitos. Mas, infelizmente, por esse tão impactante efeito rendimento à mistura com a irritante elasticidade ou rigidez preço - são ou não os livros caros em Portugal? - ainda não cheguei às por mim tão requestadas Gramáticas do Português. Três volumes de "Gramáticas", que são como tijolos no furar do bolso dos pretendentes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pedro, é verdade que alguns livros são demasiado caros, mas acredito que essas Gramáticas existam para consulta na Biblioteca da Gulbenkiam, que é de resto um sítio maravilhoso para ler e consultar livros.

      Eliminar
    2. Obrigado, Maria do Rosário. Penso que sim e espero que cheguem até às muito boas bibliotecas municipais que temos por este país - conheço bem as de Lisboa, Oeiras e Cascais e são instituições que merecem o nosso aplauso e agradecimento.
      Carrego semanalmente muitos volumes que me permitem ler, investigar e tresler na horizontal, vertical, às vezes, mesmo, de pernas para o ar, de forma intensiva e extensamente.
      Os livros e os cidadãos deste país devem-lhes muito, pois de outro modo com tiragens pequenas, logo, custos associados elevados, não seria possível a nenhum de nós aceder a tantos livros e tantos autores, sejam eles literários ou técnicos.
      A gramática, no entanto, vou ter de a ter na cabeceira - há livros que são como ditos - mesmo correndo o risco da mesa cair com o peso acumulado.

      Eliminar
  5. E não se esqueçam de que muitos dos livros clássicos da Glbenkian (das mais diversas áreas) podem desde há uns meses ser descarregados gratuitamente do site da Fundação! https://gulbenkian.pt/noticias/gulbenkian-disponibiliza-online-textos-classicos-e-centenas-de-edicoes/
    Ainda não é obviamente o caso desta gramática, mas a lista é extensa e muito interessante.

    ResponderEliminar
  6. E a Colóquio Letras caros Extraordinários? Não merece uma palavra?

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório