O que ando a ler

Dizem as más-línguas que o Prémio Planeta em Espanha é ganho por um escritor convidado pela própria organização a submeter um livro ao concurso. Não sei se é ou não assim, até porque conheço alguns casos de premiados que não eram nada conhecidos nem especialmente bem-sucedidos antes de terem arrecadado o prémio. Mas seria em todo  caso plausível que, a ser verdade, Javier Cercas tivesse sido convidado para o ganhar em 2019, pois é um autor de gabarito que vende muitíssimos livros em Espanha (e não só) desde o brilhantíssimo Soldados de Salamina. É o seu Prémio Planeta que agora me ocupa as noites de leitura, um romance chamado Terra Alta, coisa, aliás, muito diferente do que até aqui tem feito, pois as suas obras baseiam-se habitualmente em acontecimentos reais e Terra Alta parte de matéria puramente fictícia e até de tipo policial. O início é, de resto, o assassínio extremamente violento de um casal rico, embora, mais importante do que a resolução do crime, pareça a vida do polícia que quer deslindar o caso e que, depois de ter sido um deliquente, se transformou num herói que ainda por cima aprecia a literatura e chamou à filha Cosette por causa de Os Miseráveis. Segundo reza a contracapa, trata-se da «epopeia de um homem em busca do seu lugar no mundo». Veremos se consegue encontrá-lo.

Comentários

  1. Estava programado para o clube de leitura da Universidade Sénior o Chuva Miúda de Luís Landeiro mas não cheguei a ler porque foi tudo cancelado. Estou a acabar o Idiota do Dostoievski sem grande entusiasmo e continuo a ler pausadamente a sua biografia, de Joseph Frank, vou no 2º vol. de 5; estão na calha para os próximos meses: O Espelho e a Luz, um tijolo de 870 páginas da Hilary Mantel; Uma História da Leitura do Alberto Manguel; Sementes Mágicas do V. S. Naipaul e Jubiabá de Jorge Amado.

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  2. António Luiz Pacheco3 de dezembro de 2020 às 02:27

    Soldados de Salamina... é deveras um livro muitíssimo bom!
    Também li e gostei, "As leis da fronteira", que aborda o sempre interessante tema da protomarginalidade juvenil.
    Não conhecia este "Terra alta", mas fico curioso.

    O que tenho andado a ler, é capaz de não ser Extraordináriamente interessante, ando a investigar sobre piscicultura oceânica, para um projecto assinalado como de interesse estratégico e nacional. A mim interessa, não só pelo aspecto profissional, mas porque é mesmo uma área de que gosto, e, até fui eu "o idiota", quem propôs a um cliente, grande grupo económico e diversificado que comprou uma antiga pescaria (através de nós) que a vamos recuperar e modernizar, aliás num sítio quase mítico: a baía da Caota!
    Sabiam que na actualidade 60% do peixe consumido mundialmente já é originário de viveiros? E a tendência é crescer...

    Abandonei a leitura de "O homem de Constantinopla" e mais não digo... totalmente insosso, desinteressante, excepto pelos dados biográficos e alguns históricos, mas que na Wikipédia se podem arranjar.

    Saudações de um dia manhoso em Luanda, aguardando o malfadado teste covídico feito ontem à tarde!

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  3. ...contudo, Javier Cercas é um belíssimo escritor!

    "A SOLIDÃO DOS NÚMEROS PRIMOS" de Paollo Giordano-estou a gostar imenso; como os humanos podem ser cruéis...

    Ó Paxeco 60% do peixe que consumimos é de "plástico", 80% dos restantes alimentos são de "plástico", não sei que percentagem das mulheres tipo Ana Malhoa são de plástico, 80% do cinema que vimos já é feito por poucas pessoas, já que actores (pessoas de carne e osso) são menos que as figuras de computador...é o futuro e já sabemos que o vento não se pode parar com as mãos.
    Saúde para todos!

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    1. António Luiz Pacheco3 de dezembro de 2020 às 05:07

      É verdade o que dizes... o peixe é de plástico, mas, hoje com durada de viveiro a 3 ou 4 euros o quilo, pode comer-se... a de mar a 30 ou 40, quem pode?
      Hoje uma família, pode comer um quilo de dourada (de viveiro), nos tempos que sabemos e de que alguns dizem ter saudade, uma sardinha (de mar) era repartida pela família...
      É a modernidade e a comodidade... mas não te preocupes, pois no futuro (a que não assistiremos felizmente) a alimentação deve ser em pastilhas ou coisa parecida. Ahahah! Imaginas o vinho em pílulas?

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  4. Belíssimo livro, gosto muito Javier Cercas e li este logo que saiu, gostei muito embora saia um pouco do que é habitual no autor.

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  5. Não consegui encontrar a prima na obra de Ruben A, "A Torre de Barbela" (não sou grande adepto de ficção científica...).

    Estou a ler a poesia de Pablo Neruda.

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    1. É de Pablo Neruda o mais belo título de um livro -"Confesso que vivi"-

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    2. Prefiro o "Vivir para contarla" do Gabo.

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    3. Também o acho excelente.
      Curiosamente, do grande escritor que é GGMarquez, foi esse o único livro (autobiografia) que não consegui levar até ao fim e dos publicados em Portugal, creio que já os terei lido todos.

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    4. Eu li, mas a parte mais interessante seria a do Gabo adulto, que ele nunca acabou (não tenho a certeza, mas penso que não).
      Um grande escritor, aliás, dois grandes escritores.

      Boa tarde, ASeve.

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