Ferrante e as mulheres

Elena Ferrante, escondida atrás do mistério da sua identidade, teve um estrondoso sucesso com a tetralogia A Amiga Genial (li os três primeiros e depois apeteceu-me «mudar de ares», não tendo regressado à obra nem sabido o que aconteceu às protagonistas no final da vida, mas um dia terei oportunidade). Depois, um jornalista italiano revelou a sua identidade e muita gente pensou que tudo se desmonoraria; mas, afinal, parece que isso não afectou o interesse dos leitores pelos seus livros que estão, regra geral, entre os mais vendidos em toda a Europa. Ferrante foi, aliás, convidada para escrever uma crónica no fantástico The Guardian, jornal que também lhe pede de vez em quando que se pronuncie sobre assuntos específicos. E há pouco tempo, estando as mulheres na ordem do dia, foi-lhe solicitada a sua lista de livros preferidos de mulheres. Entre eles, encontram-se escolhas inescapáveis ou de certa forma esperadas, como O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion, ou Americanah, de Chimamanda Ngozi Adichie, mas também A Pianista, da nobelizada austríaca Jelinek, ou o livro de Clarice Lispector A Paixão segundo GH. Mas vale a pena espreitar e prestar atenção a esta selecção. Deixo-a convosco no link abaixo.


Elena Ferrante names her 40 favourite books by female authors | Books | The Guardian


 

Comentários

  1. Bom dia.
    Como diria o amigo americano: nop!
    Já dei uma espreitadela e não me parece que seja o meu género, apesar de "traçar" práticamente tudo que seja livro.
    Leio por puro prazer, é verdade, mas o prazer que tiro da leitura é sobretudo dos temas, das histórias (hum... pois, parece que já não será moda o livro contar uma história... mas para mim, isso será ensaio ou coisa parecida e não romance), se bem que aprecie igualmente o estilo e a forma, evidentemente. O que me leva a comprar e a ler, é mesmo o tema.
    Não é o caso.
    Em compensação há escritores e obras que não são faladas nem divulgadas, mas para mim têm muitíssimo mais interesse e valor, pena as editoras acharem que não - elas é que sabem o que se lê e deve publicar, enfim a economia impera e os gostos ou inclinações de quem avalia determinam o que se publica ou não.
    Confesso o meu "azar" ou embirração com livros e escritores na moda, por muito bons que sejam, no entanto leio e aprecio por exemplo o Itamar (homem e livro do momento), sem dúvida, não sou extremista ... e tenho pena que "Entre Cós e Alpedriz" não tenha tido nunca a oportunidade que "Torto arado" teve, aliás comparo-os muito, apenas um relata a realidade brasileira e o outro fala de uma realidade que não deveria ser esquecida nunca, em Portugal.
    Portanto, à Helena Ferrante prefiro "Fui soldado e morri", no meu gosto de barrão ignorante, inculto, mas nem por isso insensível à sua gente e à sua história.

    Saudações cinzentas de um triste dia, aqui no Bairro Ribatejano.

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    1. Espero que goste desse, António. Um abraço.

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    2. Estou a gostar bastante... como pode imaginar, diz-me alguma coisa! E, tem a particularidade de ser "fiável" , se é que me entende, percebe-se que as fontes foram bebidas directamente.
      Abraço para si e ao Paulo!

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    3. Caro António Luiz,

      Não percebi se leu a Ferrante ou se apenas "espreitou", mas deixo-lhe a minha opinião: A tetralogia que compõe "A amiga genial" é uma obra-prima da literatura contemporânea. Um feliz caso de unanimidade de críticas e vendas. A meu ver, muito superior a "A minha luta", este em 6 calhamaços, de Karl Ove Knausgard; ambos publicados pela Relógio D'água, a quem tiro o chapéu.

      Voltando à Ferrante: acredite-me que conta uma história e pêras! Uma história fantástica, com várias outras dentro, a um ritmo alucinante. Faz-nos mergulhar de cabeça na Nápoles dos anos 80 e por aí fora. Muito autobiográfico, é certo, mas pouco reflexivo, com pesonagens enormes (a amiga é o mesmo genial), com um enredo envolvente, percorre a vida de duas amigas de infância, desde os primeiros anos até à velhice, duas vidas que fizeram caminhos muito diferentes mas sempre se foram cruzando. E mais não digo.

      Vou-me repetir: uma obra-prima da literatura contemporânea. É a minha opinião, claro, mas recomendo-lhe MUITO, se for à sua Bertrand um destes dias, que compre o primeiro da tetralogia de olhos fechados. Se não gostar, fico-lhe a dever um livro, mas palpita-me que só irá conseguir parar quando "papar" os quatro.

      Deixo-lhe um abraço,

      Rui Miguel Almeida

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    4. Meu Caro Rui Miguel:
      Obrigado pelo seu empenhado esclarecimento.
      Com efeito, não li! Apenas dei uma espreitadela, já não me recordo onde ou quando, mas justamente porque fora aqui falada no HE , pela nossa Anfitriã.
      Não me palpitou, assumo talvez erradamente. Como tenho tanta mas tanta coisa por e para ler (ainda nem consegui ler a biografia de Churchill, coisa que queria muito e ando a ler há dois anos, aos poucos, porque é demasiado grande e pesado para levar!), nunca comprei a referida obra, a despeito dos muitos encómios de gente a quem dou crédito, tais como os seus, cuja síntese é aliciante.
      Vamos ver... pelo menos fico com uma obra prima na minha biblioteca, o que só a valorizará, eheheh!

      Grande abraço cá do Bairro Ribatejano!

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    5. Plenamente de acordo! A tetralogia é fascinante!
      Mas, li o último dela - "A vida mentirosa dos adultos" e já não gostei. É uma história forçada. Fiquei desiludida mas pronto!

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  2. A defesa do romance.
    https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/ideiasjl/2020-12-02-a-defesa-do-romance/

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    1. Um artigo interessante do Mega Ferreira que amanhã podemos debater. Um artigo em defesa do romance de que rapidamente se pode extrair uma ilação: o romance cresceu em diversidade e definição.

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  3. Ainda sobre este tema, no episódio 11 do programa Nada será como Dante (pode ser visto em podcast na RTP) foi entrevistada a jornalista e escritora Susana Moreira Alves acerca da sua pesquisa sobre escritoras portuguesas esquecidas.
    Ao que parece foi publicada em uma série de artigos no Jornal de Notícias.
    Deliciei-me a assistir e vou procurar algumas das escritoras referidas na Biblioteca para as conhecer.
    Realmente, estamos sempre a aprender!

    Patricia

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  4. Em tempo, uma correção: Jornal de Negócios.

    Patricia

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  5. Gosto da Ferrante e já tinha visto esta lista; dos 40 livros apenas li 18, embora tenha lido outros livros (que não os mencionados) de outras autoras referidas na lista.
    Diria que é uma boa lista.
    Boa noite.

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  6. Para quem não leu nenhum dos livros, a série A Amiga Genial' (HBO) é como uma imagem brutal das estórias de vida contadas pelos meus avós, tias-bisavós, pais e muitos outros parentes e conhecidos. Pena que a série só passe num canal a que só uma minoria tem acesso. Creio que a vida no Sul da Europa e noutras latitudes e longitudes tem inúmeras estórias semelhantes de pobreza cultural e humana e do esforço para escapar a um modo de vida que a perpetua. No nosso suposto país desenvolvido neste século XXI continua-se a desprezar o conhecimento, a educação e a valorização das artes em todas as suas formas. Essa atitude ainda muito presente, talvez menos acentuada do que no passado, faz-nos permanecer, não usando outra expressão mais adequada, na cauda da Europa.
    Maria

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  7. Viva!
    Como é possivel não ter lido o livro 4 e nao querer saber o desfecho da tetralogia?
    Estou no livro quatro e completamente afogada na historia.
    Viva Ferrante 💕

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