Amar perdidamente
Quando acabo um livro, demoro a escolher o seguinte entre tantas e tantas hipóteses e, pelo caminho, acabo por ler coisas pequenas que matam (fazem viver) uma ou duas noites de indecisão. Foi esse o caso com esta pérola de que hoje vos falo: Uma Paixão Simples, da escritora francesa Annie Ernaux. Quem já se apaixonou a sério alguma vez, entenderá este livro até ao osso, quando a pessoa que amamos ocupa realmente tudo dentro de nós e passa a comandar o nosso tempo, os nossos pensamentos, as nossas acções, neutralizando tudo o resto. Este é um livro brutalmente sincero sobre uma relação amorosa (presumo que autobiográfico) de uma mulher divorciada com um homem mais jovem, estrangeiro, belo, casado, a morar temporariamente em França. E sobre o que essa relação consome quando se concretiza, mas sobretudo enquanto não se concretiza, quando o homem não aparece, não telefona, não nada. Uma maravilha também por ser um livro sobre a paixão e sobre o contar da paixão, que são coisas muito diferentes e que surpreendem a própria narradora na leitura do que ela própria escreveu. Muito bom mesmo, não percam por nada deste mundo. Se houver alguém que não se reveja nele, é porque nunca amou perdidamente.
Estou a acabar de ler um livro Extraordinário, que me palpitou logo desde que vi a notícia da sua publicação: Fui soldado e morri. É surpreendente como dentro de uma torrente imensa que corre nele, exprime precisamente e entre outras, essa paixão, assim, como a descreve aqui e agora... aliás não é o único, um dos motes em tanto bom livro é precisamente esse, o da paixão dita avassaladora!
ResponderEliminarUm livro bom, que me preencha e toque, também me provoca essa mesma dificuldade em escolher o próximo... uma forma de contornar essa dúvida é ler mais do que um ao mesmo tempo! É como caçar com uma espingarda de dois canos: dá-se o tiro e tem-se a "emenda" imediatamente disponível sem hesitações ou perturbações como recarregar nem a eventual obstrucção da semi-automática.
Bons tiros! São os meus votos cá do Bairro Ribatejano!
Nunca ouvira falar quer da autora, quer da obra, portanto, não li.
ResponderEliminarQuando vivemos uma paixão vivemos a vida com uma intensidade sem igual mas quando termina espantamo-nos com a privação de liberdade com que aceitamos vivê-la.
Muito bem observado... verdadeiro, porém só para alguns, dado que há quem goste ou nem se aperceba do preço a pagar pela paixão!
EliminarSaudações livrescas, comprometidas mas livres, cá do Bairro Ribatejano!
Aconteceu-me no outro dia, em que peguei num livro pequeno "Devias ter-te ido embora" de Daniel Kehlmann (só conhecia o autor como sendo um dos mais falados autores alemães contemporâneos), e o li de um fôlego e com muito agrado. Tanto assim que resolvi reincidir na dose e encontro-me bem lançado na leitura do seu "Tyll, o Rei, o Cozinheiro e o Bobo" acerca das aventuras e desventuras de Till Eulenspiegel, personagem lendário medieval, no livro transposto para o cenário das guerras religiosas do século XVII. Muito bom.
ResponderEliminarE também alterno com a leitura de algumas crónicas de Javier Marias do El País, reunidas em livro, no caso, "Quando os tontos mandam". Enfim, haja tempo e saúde.
Bom dia cá do Bairro Ribatejano, caro e Extraordinário Jorge Macieira:
EliminarBoa indicação me dá quanto a esse "Tyll, o Rei, o Cozinheiro e o Bobo" ... até parece título do meu muito apreciado Paulo Moreiras - que tarda a dar-me essa satisfação! Enquanto espero, vou ler esse...
Grande, livresco e natalício abraço!
O autor é muito austeriano (com laivos de Paul Auster). Já falei sobre esse primeiro livro que refere aqui no blogue.
EliminarFiquei com vontade de, finalmente, ler o Paul Auster. Dele tenho aqui a "Trilogia de Nova Iorque", não sei se será dos melhores. Obrigado.
EliminarAbraço de Festas Felizes!
EliminarPerdão: abraço e Festas Felizes!
EliminarNa aula de História da Universidade Sénior que frequento, foi recomendado pelo professor o livro Tyll que está na minha lista. Esse nome não é desconhecido para mim porque nos anos 50 ou 60 lia a revista O Falcão que publicou uma banda desenhada sobre esse personagem que o autor apelidava O Rebelde dos Países Baixos.
EliminarBom dia com pandemia
ResponderEliminarTomei nota e acrescentei á minha lista de desejos a ler.
Entretanto, aqui em Espanha
https://www.abc.es/cultura/libros/abci-librerias-independientes-espanolas-alian-contra-amazon-202011041351_noticia.html?ref=https:%2F%2Fwww.google.com%2F
https://www.todostuslibros.com/
Boas leituras
cp
Eu costumo dizer que o estado apaixonado, loucamente apaixonado, é a melhor sensação que um ser humano pode ter. Pena ser tão fugaz, tão breve. Comparo esse estado da paixão ao ribombar de um trovão que se desfaz no raio. Tem um auge, um ponto máximo naquela explosão tremenda e depois desfaz-se.
ResponderEliminarSó me aconteceu uma vez na vida, mas o estado sobrenatural que senti foi inesquecível. Valeu a pena ter vivido semelhante situação.
Cristina Carvalho
Boa tarde
ResponderEliminarTambém dinamizo um clube de leitura, que passou a ser online por motivos óbvios. O próximo livro a debater é precisamente este!
Peço desculpa pelo anonimato do comentário, mas não sei fazer melhor. :)
Um abraço.
Ana Paula Campos
Por causa deste post, fui buscar o livro à biblioteca. E li-o agora mesmo, em meia-hora! Breve, mas intenso, sem dúvida. Obrigada!
ResponderEliminarPor causa deste post, fui buscar o livro à biblioteca. E li-o agora mesmo, em meia-hora! Breve, mas intenso, sem dúvida. Obrigada!
ResponderEliminarCéu