Up to Down?

No século XX, os amigos estrangeiros que viajavam com a TAP Air Portugal eram francamente elogiosos relativamente à companhia de aviação: diziam que se comia melhor do que em qualquer outra companhia aérea, que os produtos servidos eram muito acima da média, que os profissionais (pilotos, hospedeiras, comissários de bordo) eram de grande competência e que a revista Up, com artigos sobre Portugal e a colaboração de escritores e jornalistas, era uma das melhores naquele segmento. Concordo: nas minhas viagens aéreas com a TAP, sobretudo nas mais curtas (pois nas outras aproveito para ler algo mais substancial), li sempre com prazer os textos da Up, dirigida há mais de uma dúzia de anos pela jornalista Paula Ribeiro, e até cheguei a escrever uma pequena crónica sobre as melhores coisas que havia em Portugal, na minha humilde opinião. Li há alguns dias que a pandemia deu também cabo da Up... A revista foi suspensa em Março, naturalmente porque o número de voos não justificava a sua impressão (a publicação chegou a ter mais de um milhão e meio de leitores mensais) e ainda se pensou na sua passagem a digital, mas pelos vistos acabou por ser cancelada, e parece que agora existe um concurso público para a sua substituição. Lamento, porque o que havia era uma boa receita e o que aí vem pode ser um mau cozinhado. E porque era uma revista com qualidade gráfica e bom aspecto que me cheira que vai baixar de nível (Up to Down?) só para custar menos dinheiro. Há uns anos que os meus amigos estrangeiros começaram a ser bastante críticos em relação à TAP (atrasos e cancelamentos de voos, sanduíches de plástico, falta de pessoal ou gente antipática); e agora podem juntar-lhe o desaparecimento da Up. A revista voou.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de novembro de 2020 às 03:20

    TAP:
    - Tenho ou tive na companhia, tanto amigos quanto familiares!
    - Não tenho dúvida em dizer que foi das melhores companhias aéreas em que jamais viajei, e, creiam que voei em muitas, por todo o Mundo incluindo as pequenas, regionais exóticas ou as low-cost.
    - Últimamente, talvez nos últimos quatro ou cinco anos, tenho pedido que me marquem antes as passagens na TAAG ou na EMIRAIS, pois a TAP além de ter perdido muita da qualidade que tinha ainda ficou mais cara, fora a desorganização logo no check in, no aeroporto de Lisboa, no de Luanda nem se descreve, a TAAG dá 10 a 0, e, a EMIRAIS é um luxo aéreo! Tenho por isso fugido de viajar na TAP.
    Dia 4/12 volto a viajar nela, veremos...

    Enfim, mas falando da revista que éo nosso tema, a leitura:
    - Concordo inteiramente com o que diz a Nossa Extraordinária Anfitriã, a revista era um "must" como se diz. Uma mais-valia, até um marco, pela qualidade, pelos temas, na apresentação e grafismo, em quem assinava reportagens e artigos.
    A sua leitura era obrigatória, e entretinha-nos perfeitamente. Não a dispensava!
    Veremos o que se segue... em minha opinião mais vale em termos de imagem manter a revista e a loiça em plástico, do que ir pela pepineira da loiça Vista Alegre, para servir uma refeição que vem perdendo qualidade. Confesso que prefiro comer uma fatia de presunto de Barrancos e uma talisca de queijo de Azeitão, num prato de papel, do que uma fatia mortadela com flamengo em pires de loiça, por muito fina que seja! É que eu não como a loiça...
    E nisto e noutras coisas, a saloíce bacôca dos administradores e "expertos" de serviço muitas vezes só revela a sua falta de cultura.

    Depois de dia 4/12 já posso dizer alguma coisa...

    Saudações e votos de boa-semana, cá desde a Cidade Morena! É preciso é saúde... e ler!

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco9 de novembro de 2020 às 03:22

      Peço desculpa, escrevi EMIRAIS em vez de EMIRATES, a companhia aérea!

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  2. Até nisto Portugal e os Portugueses tornaram-se mais globais e, necessariamente, mais iguais. A "antipatia" levo-a a crédito de um país onde a humildade parece ter sido chão que deu uvas, a educação pelos valores e respeito pelo "Outro" tornando-se politicamente incorrecta. Este "downsizing" geral, seja na qualidade-agradabilidade do produto e serviço, faz-me recordar um dia - estava eu no 10º ano, na secretaria do Pedro Nunes -, em que uma funcionária como modos antipáticos, inevitável cara de pouco amigos, ia despachando estudante após estudante. Chegada a minha vez - e porque sempre fui de analisar o comportamento dos outros na relação humana -, educado por um pai que exigia educação e respeito para com todos os adultos, exibi-lhe o meu maior sorriso e candura. A pobre criatura, de início renitente à mudança, não esperando doçura como resposta à sua "acidez", lá foi paulatinamente desfazendo o seu mau humor resposta após resposta, acabando no final por arvorar também modos e sorriso agradável. Operara-se mudança. Desde aí percebi que ser cordato é uma forma de inteligência, obrigando a derrubar os muros que nos separam pela nossa individualidade; e que, o nosso sorriso, atenção e delicadeza para com os outros é uma porta aberta, um espécie de diálogo silencioso e biunívoco para a qualidade da relação humana.

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  3. Ditto! (Vai em Inglês para ser diferente LOL)

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco9 de novembro de 2020 às 06:29

      Ah! Eu cá gosto munto de dizer: ecco!
      Ahahahah!

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