O que ando a ler

Julgo que foi Pessoa quem disse que um bom livro infantil deveria ser lido com o mesmo prazer por crianças e adultos. Realmente, há livros para crianças que as tratam como pobres tontinhas, e nenhum adulto suportaria lê-los até ao fim. Mas nem todos, graças a Deus. É o caso do livro que ando a ler (sim, era aqui que queria chegar) e, embora não costume dedicar-me à literatura infanto-juvenil, vi que  Mia Couto o elogiava e achei que devia espreitar. Era, ainda por cima, o vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca, atribuído anualmente pela Fundação Calouste Gulbenkian e o jornal Expresso a escritores entre os 15 e os 30 anos, que já contemplou autores que hoje estão confirmadíssimos, como Rita Taborda Duarte (também poeta), ou livros que depressa se tornaram conhecidos, como O Caderno Vermelho da Rapariga Karateca, de Ana Ferreira Pessoa. O premiado mais recente, O Gato Que Chorava como Pessoa, do jovem enfermeiro Geremias Mendoso (parece pseudónimo, mas não é), é um livro de contos contados na primeira pessoa, cuja acção decorre em Moçambique, pátria do autor, num estilo ternurento e sensível mas ao mesmo tempo sem paninhos quentes nem moralismo (por vezes até com uns insperados socos no estômago). Ainda só li umas vinte páginas, mas já posso dizer que, mesmo sendo adulta, de certeza que não vou deixar o volume a meio. Publica a Caminho e tem algumas ilustrações de Samuel Djive.

Comentários

  1. Eu ando a ler um livro maravilhoso: Apresentação do Rosto de Herberto Helder.

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  2. António Luiz Pacheco2 de novembro de 2020 às 02:30

    Leio constantemente as obras de Castanheira Diniz, e de momento ando a ler a obra do meu antigo professor Cruz de Carvalho sobre a rentabilidade e a produtividade da agricultura em Angola, por força da necessidade e do meu trabalho.
    A investigação agrária em Angola foi profunda e ficou muita coisa escrita, pena que as obliterassem, russos, cubanos, checoslovacos, e depois brasileiros e espanhóis, além dos próprios angolanos, como se nunca houvesse existido nada antes e Angola não tivesse sido uma potência agrícola regional, que os novos colonizadores se encarregaram de destruir!
    Como estudei na Universidade de Évora, onde foram parar quase todos os investigadores e técnicos, professores, que depois da independência daqui saíram, tive desde sempre essa noção, desde que para lá fui em 1976.

    Para desenfastiar, e para ser justo, também na falta de melhor, resolvi deitar a mão a outro celebrado livro que o meu companheiro de casa aí tem: "O homem de Constantinopla", tido como o melhor de José Rodrigues dos Santos.
    Mantenho a minha opinião... não gosto da escrita dele. É chocha, sem nervo, sem brilho e não entusiasma, não me agarra. Acho uma escrita pouco madura, escolar, que revela a famigerada investigação cuidadosa, mas não chega para fazer em vez de uma reportagem ou trabalho de investigação biográfica, um romance, porque não se consegue dar vida e nem credibilidade âs descrições e muito menos aos diálogos.
    Continua a não ser um escritor para mim. Aceito, mas revelo o espanto no seu sucesso, mas como igualmente me espanta o sucesso de alguns celebrados autores contemporâneos que me parece trabalharem mais os títulos do romance que o romance em si. No entanto, um é aplaudido pelo público e os outros pela intelectualidade. Eu, não sendo nem público nem intelectual, não os leio... salvo uma ou outra excepção!
    Enfim é preciso é ler!

    E prontos, fica aqui um comentário azedo, reconheço, pois ainda por cima tem havido aqui neste lugar Extraordinário, notícias de vários livros (de autores portugueses!) que eu quero muito ler, mas tenho de esperar por Dezembro (e vamos a ver...) para lhes deitar a unha!
    Votos de muitas leituras, cá desde a Cidade Morena.

    Lembrem-se: É preciso é saúde!

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  3. Ando a ler O Idiota do Dostoievski mas não estou entusiasmado. Acabei de ler um livrinho fascinante de Julian Barnes, na tradução francesa, L'Homme en Rouge é a história de Samuel Pozzi médico ginecólogo e cirurgião,na moda na Paris do Séc.XIX, particularmente apreciado pelas damas da alta sociedade e outras como Sarah Bernardt, sua amante que lhe chamava "docteur Dieu" ou "L'Amour medecin".O livro começa com a visita a Inglaterra do Príncipe Polignhac, do conde Robert de Montesquiou e Samuel Pozzi, a convite de Henry James para "shopping intelectuel et décoratif".Ali cruzam-se personagens como Oscar Wilde, os irmãos Goncourt,Lor d Byron. etc.

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  4. Estou a ler a "Torre de Barbella", de Ruben A.

    Como só vou na página 60 e pouco, não devo fazer grandes comentários.

    Ainda não senti aquela vontade de "não largar o livro", nem entrei bem na história. Acho que tudo aquilo é muito louco, embora esteja bem escrito...

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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco2 de novembro de 2020 às 05:14

      Boa análise! Ahahahah!
      Eu gostei...

      Grande abraço cá da Cidade Morena!

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  5. História do Futuro, de Vieira. Um conjunto de crenças suportado pelos textos sagrados e seus estudiosos e comentadores. Mas só os que os confirmavam ou ampliavam, nada quanto aos seus críticos, que já havia no seu tempo. Espinosa era seu contemporâneo mas nunca se refere a ele. Quanto à escrita, do melhor que se pode encontrar em Português, claro.

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  6. Bom dia a todos,
    Por mero acaso acabei de ler o "Caderno Vermelho da Rapariga Karateca", mas como foi difícil arranja-lo.
    Como mãe de 2 gosto ou de ler com elas ou de ler depois os livros que lhe sugiro ou oferecem, para andar a par do que lêem.
    Já no mês anterior nos deliciamos com "O Romance da Raposa", este li-o apenas eu, e fui resumindo para a família à mesa depois do jantar, todas as aventuras e espertezas da senhora raposa Salta Pocinhas.
    Li entretanto "Amores Risíveis" de Milan Kundera. Atualmente estou com " O Aroma da Gioaba" e "a Família da Rua Sem Saída".
    Suzana Silva

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