O país pequeno
O Manel, como creio que já aqui tenha dito, não anda de avião (fez uma excepção há uns três anos, mas foi uma espécie de milagre que ainda está por explicar); e, por isso, antes desta coisa desagradável do vírus, viajávamos bastante de carro, especialmente para o país vizinho (que agora já conheço quase tão bem como Portugal). No regresso de cada uma dessas viagens peninsulares, no momento em que entrávamos em Portugal, ele dizia sempre que, pronto, chegáramos ao «país pequeno», e a expressão interessa-me porque se aplica na perfeição ao assunto que trago a este post. No New York Times, os colaboradores e críticos residentes coligiram há dias as respectivas listas de livros preferidos de 2020: da poesia às memórias, da não-ficção ao conto. E encabeçaram o artigo com o título «100 Notable Books of 2020». Uma centena de livros dignos de nota? Mesmo a publicar demasiado, como se diz que acontece em Portugal, conseguiríamos destacar 100 livros mesmo especiais? Hum... não me parece. País pequeno o nosso... O link para os cem vai aí abaixo. A maioria, palpita-me, nunca cá chegará...
100 Notable Books of 2020 - The New York Times (nytimes.com)
Bom dia com pandemia e alegria e muitos livros
ResponderEliminaroverwhelm: bury or drown beneath a huge mass of something, especially water.
"floodwaters overwhelmed hundreds of houses"
É o que sinto quando vejo tamanha quantidade e inferida qualidade
Vou ler os estoicos para me restabelecer e aproveito para colocar o cartão de crédito num copo de água, dentro do congelador.
Boas leituras
cp
Sim, mas o número curto deve ser paralelo em relação ao número de leitores, Rosário.
ResponderEliminarA maior parte dos livros publicados deverão ser lidos pelos familiares e amigos mais próximos dos autores...
Mas é triste a constatação de que até será difícil arranjar uma lista com 20 bons livros, publicados em 2020...
É a nossa realidade.
ResponderEliminarPublica-se com pouco nexo e a maior parte dos livros publicados são pagos pelos autores.
Posso estar enganado, mas penso que em 2020, é difícil encontrar mais de uma dúzia de bons livros (de ficção...) editados.
Pois é... creio que tem muita razão, Extraordinário Luis Eme!
EliminarPorém, suspeito que não sejam só os autores, pergunto-me: quem paga tanta porcaria (assim mesmo) de livro, "escrita" pelas mais variadas "celebridades", as caras da tv ou vozes da rádio, permanentemente estampadas nas muitas revistas nos escaparates dos supermercados e nas pseudo-notícias dos sites de notícias, que enchem à exaustão, como se ao Mundo interessasse saber que a Rita Pereira foi fazer umas mini-férias, a Catarina Deslandes comprou um rato-de-palmeira da Groenlândia, ou alguém tem um novo amor!
Quem paga esses livros? Não credito que vendam o bastante, se bem que aceito que sirvam para manter a indústria.
Encontro ali apenas 3 livros de poesia!
ResponderEliminarO New York Times escolheu 100 livros editados de um universo de milhares. Não sei se, para a escolha, houve recurso a qualquer barómetro dos leitores, pelo número de vendas ou se foi apenas uma escolha não aleatória redactorial.
Estou convencido que, desta forma, em Portugal se podiam escolher outras 100 obras - e muitas mais de poesia - desde que na lista fossem incluídas as edições de autor.
Sobre edições de autor muito se teria de dizer, porquanto só este rótulo menoriza a publicação. É certo que alguns autores arriscam perder dinheiro e ego por esta forma de publicarem; muitos mesmo o fazem sem mesmo antes terem recorrido às editoras ditas "mainstream" (dominantes); ainda mais, através de pseudo-editoras que apenas lhes vendem as chancelas com a obrigação de eles distribuírem as obras; alguns, em meno número, limitam-se a editar de forma totalmente independente, sem fluxo de vendas ou através da compra por amigos e familiares.
Destes últimos exemplos, alguns teriam direito a constar dos 100 "maiores", mas lá está: dos fracos e independentes, não "reza a História".
Leva-me a acreditar que, destas 100 obras do " New York Times", algumas poderão ser editadas, após tradução, em Portugal - mas só porque foram editadas na América e lidas pelos "cow-boys da meia-noite". Se fossem escritas originalmente em português e apresentadas a uma editora nacional... Nem resposta tinham.
Aplaudo!
EliminarHá coisas que me fazem muita confusão, e nem sequer tento entender: a edição é uma delas!
Triste também é constatar que os americanos continuam só a ler literatura originalmente escrita em inglês. Em 100, só identifiquei duas exceções: os livros de Emmanuel Carrère e de A. B. Yehoshua.
EliminarEncontrei também uma mexicana, um sul coreano, e um ou dois japoneses (ou chineses, não aprofundei).
EliminarMas há escritores de todo o mundo, convém não esquecer que o inglês é a língua oficial de imensos países.
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Maria
Vejamos:
ResponderEliminarVejamos:
EUA - 333.546.000 habitantes - 100 livros notáveis
Portugal - 10.280.000 habitantes - X
Em que X = 3,8 livros notáveis... prontos, tá bem, vá lá 4...
Agora digam lá, não se editaram em 2020 4 livros notáveis? Muito bons?
Nota: Os EUA, é um país de broncos, incultos e iletrados. (dizem...) , quanto a nós, as opiniões dividem-se, entre os que dizem que somos uma cambada de saloios e os que acham que somos os maiores do Mundo!
Saudações cá da Cidade Morena.
Numa passagem rápida descobri talvez uma dúzia de nomes conhecidos, três ou quatro já traduzidos por cá.
ResponderEliminarVi alguns candidatos ao Man Booker, mas não o vencedor - ou então não reparei...
Comparativamente, como diz o Pacheco, apenas precisamos de ter editado 4 livros notáveis; apesar de 2020 ter sido um ano atípico, penso que conseguimos chegar aos 12.
No fim do ano podemos fazer a nossa listinha aqui no Horas.
Boas leituras!
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Maria
Isso seria muito divertido, fazer uma lista aqui dos Extraordinários.
EliminarTB