Livros com livros

Pensando num livro que quero muito comprar (O Infinito num Junco, de Irene Vallejo), concluí que a melhor receita para a perfeição é um bom livro com livros lá dentro. (Por acaso, ao escrever isto, lembrei-me da recente publicação d'O Cânone, com organização de Miguel Tamen, António Feijó e João R. Figueiredo, e, pensando na polémica que desencadeou, diria que não deve ser perfeito; mas, quando o ler, o que ainda não fiz, poderei ajuizar.) Em todo o caso, um bom romance em que os livros são como personagens geralmente resulta às mil maravilhas, e li recentemente no The Guardian um artigo que enumera uns quantos, embora nem todos cá traduzidos. A mim ocorrem-me de repente Farenheit 451, de Ray Bradbury, A Sombra do Vento, do recentemente falecido Carlos Ruiz Zafón, O Nome da Rosa, de Umberto Eco, A Noite do Oráculo, de Paul Auster, ou Casa de Papel, de Carlos María Dominguez, mas Italo Calvino e Vila-Matas são exímios em introduzir os livros nas suas obras. E, em língua portuguesa, podemos falar de A História do Cerco de Lisboa, entre outros livros de José Saramago, de Os Naufrágios de Camões, de Mário Cláudio, ou mesmo d'Os Loucos da Rua Mazur, do mais jovem João Pinto Coelho, sobre um livro que está, afinal, por escrever e desencadeia toda uma história incrível. E aos Extraordinários, que lhes ocorre no âmbito das ficções com livros dentro?


 


 


 

Comentários

  1. Há muitos. Assim de repente Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, Os Papéis de Aspern, de Henry James, a trilogia de Hillary Mantel, não propriamente no fio narrativo mas no estilo de escrita inspirado na biografia do Cardeal Wolsey elaborada por um secretário. E quantos livros foram escritos partindo da Odisseia ou da Ilíada!

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    1. E quantos livros foram inspirados ou insensíveis, partindo de cartas dentro por exemplo de Vieira ou da Soror A.

      CST

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  2. Gosto de ler livros com livros dentro, mas também com ruas, com pessoas, com cafés... com a realidade (seja lá isso o que for...), sem perder a magia literária.

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  3. Adoro os livros inventados por Borges que, em alguns dos seus geniais contos, os comenta como se existissem . Por exemplo, o D. Quixote escrito por Pierre Menard que defende, com múltiplos argumentos de crítica literária, ser muito superior ao de Cervantes.

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  4. Assim de repentemente... alembra-me ter lido alguns bons livros cujo tema se desenrolasse em volta de outros livros, ou onde houvesse alusões relevantes:
    - "O sonho do Celta" (Mario Vargas Llosa), desde logo, ou "Exterminem todas as bestas" (Sven Lindqvist). Depois, O livro de três (Lloyd Alexander) ...
    Na literatura de viagens é recorrente o recurso a um livro (ou livros anteriores) como guia ou para comparação temporal, até há os que seguem os passos de anteriores viajantes com séculos de diferença. Um dos melhores que já li, é sem dúvida El sueño de África - en busca de los mitos blancos del continente negro (Javier Reverte), que se baseia tanto em viajantes quanto nas obras por eles produzidas.

    Boas leituras e livros, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.

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  5. "BIBLIOTECA" - sobre escritores e sobre livros (tema de que gosto muito) - foi o primeiro livro que comprei e li do Gonçalo M.Tavares mas confesso que foi um livro que ainda não percebi, apesar de o ter lido do princípio ao fim; de vez em quando vou folheá-lo a ver se o consigo entender mas até agora zero. É que não consigo mesmo perceber o que é que o autor quis transmitir nem o sentido do livro.

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  6. Olhe, Rosário, gostei imenso da construção narrativa de "Livro" do José Luis Peixoto, aquelas palavras assinaladas com um círculo nas páginas de um livro e a forma como tudo aquilo "aparece" na narrativa, achei magistral.

    Não é exactamente aquilo de que fala, mas foi logo o que me veio à cabeça.

    Rui Miguel Almeida

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  7. Extraordinário ASeve,
    a alguns livros de Gonçalo M. Tavares apetece-me mais desfolhá-los que folheá-los. Mas não se faz isso aos livros.

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  8. A Rosário falou de tantos livros no texto (apenas não li o do Mário Cláudio) que me dificultou a escolha...
    Mas ainda consegui tirar um da cartola:
    El amor de mi vida, da Rosa Montero (punto de lectura, 2012).
    «Dejar de leer es la muerte instantánea. Sería como vivir en un mundo sin oxígeno.» diz ela.
    «Lo más importante que me ha pasado en la vida ha sido aprender a leer.» disse Vargas Llosa.
    E isto é só para abrir o apetite.

    Boas leituras!

    Maria

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    1. Esse livro ("El amor de mi vida") da Rosa Montero está traduzido para português?

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  9. Já agora, será que a Rosário podia pôr o link para o artigo do The Guardian?
    Gostava de o ler, adoro listas de livros...
    Obrigada. :-)
    🍂🍁
    Maria

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  10. Os Manuscritos de Aspern, já aqui lembrado pela Extraordinária Amalivros. Tendo como cenário um decadente palacete numa soturna Veneza, é uma história de solidão e desencanto que me deixou fascinado. Não fosse assinado por Henry James.
    Auto-de-fé, de Elias Canetti: no meio da vulgaridade do mundo, uma riquíssima biblioteca particular paciente e apaixonadamente construída é reduzida a cinzas. Metáfora da civilização ocidental nos tempos presentes?
    Uma Odisseia, de Daniel Mendelsohn, onde se procede, de forma brilhante, à actualização e recriação da Odisseia de Homero.

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  11. A Vida Nova, do Orhan Pamuk, que li recentemente; Os livros que devoraram o meu pai, do Afonso Cruz; o conto "A biblioteca", da Dulce Maria Cardoso - são os que agora me ocorrem.

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  12. Vida Nova e O meu nome é vermelho, ambos do Orhan Pamuk, o conto "A biblioteca" da Dulce Maria Cardoso, Lilias Fraser, da Hélia Correia, em que a personagem Lilias se cruza com a Blimunda do Saramago, La Família de Pascual Duarte, cujo narrador nos faz crer que que a intriga tem como ponto de partida um manuscrito que teve a sorte de encontrar... são aqueles que agora me ocorrem.

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    1. Olá Deep,
      Gostei imenso de O Meu Nome é Vermelho do Pamuk (o primeiro que li dele) e da Lilias Fraser da Hélia Correia.
      Quanto à Dulce Maria Cardoso ainda não consegui ler nada de que não gostasse (e li quase tudo): ela é simplesmente admirável.
      Bom fds.
      🍂🍁
      Maria

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    2. Maria, também li vários da Dulce Maria Cardoso. Penso que, de todos, aquele que me impressionou mais foi Campo de Sangue.
      De repente, ocorreu-me também O Leitor, de Bernhard Schlink, A Leitora, de Raymond Jean, e A Rapariga que Roubava Livros (que me ofereceram, mas que ainda não li), de Markus Zusak, e Os Livros que Devoraram o Meu Pai, do Afonso Cruz.
      Uma boa semana. :)

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  13. Monstros Fabulosos de Alberto Manguel; Nação Crioula de José Eduardo Agualusa

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  14. Boa noite, ainda a propósito do desafio lançado pela Maria do Rosário Pedreira, permitam-me sugerir "A Leitora Incomum" de Alan Bennett, um pequeno romance muito divertido sobre o poder transformador da leitura, em terras de Sua Majestade; "A Louca da Casa" de Rosa Montero, um livro que é uma declaração de amor aos livros; e, claro, todos os livros de Alberto Manguel. Saudações. Vítor Fontes

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  15. Alguns do Murakami, recordo que para além das citações de livros também é um grande melómano. E sem dúvida o grande Arturo Perez Reverte com o Clube Dumas!

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