Dobradinha

Não, não estou a falar desse prato muito apreciado a norte e conhecido popularmente por "tripas", embora acredite que até não desgoste dele o escritor a quem dedico o post de hoje, uma vez que sempre gostou da cozinha típica portuguesa. "Dobradinha" é um termo que também tem aplicação futebolística, modalidade igualmente do agrado do escritor em causa. Mas hoje a palavra interessa-me sobretudo para dizer que Francisco José Viegas (sim, é ele) conseguiu a proeza de, com A Luz de Pequim, o seu mais recente romance, ganhar a dobrar: não só foi contemplado com o Prémio Literário Fernando Namora, da Sociedade Estoril Sol, como também com o PEN Narrativa 2020. Agora é que se pode mesmo dizer: é obra! Entrevistado pela Renascença, o autor bi-galardoado agradeceu ao inspector Jaime Ramos (o investigador que é há trinta anos protagonista dos seus livros) e confessou-se acima de tudo um contador de histórias. O júri do Prémio Fernando Namora tinha como finalistas, além do romance vencedor, As Crianças Invisíveis, de Patrícia Reis, Quando Servi Gil Vicente, de João Reis, Filho da Mãe, de Hugo Gonçalves, e A Visão das Plantas, de Djaimilia Pereira de Almeida. Estes dois últimos eram também finalistas do PEN Narrativa, juntamente com Tríptico da Salvação,de Mário Cláudio (que venceu o Prémio APE-DGLAB), e O Duplo Fulgor do Tempo, de Maria Graciete Besse. Parabéns a Francisco José Viegas (e Jaime Ramos, evidentemente).

Comentários

  1. Muito bem e parabéns ao Francisco José Viegas e a todos os finalistas destes prémios sempre tão pouco transparentes - logo na selecção -, pela falta de universalidade dos candidatos. Ontem soube-se, também, o resultado do concurso? de atribuição das bolsas literárias. Independentemente dos autores escolhidos (a quem, obviamente, não cabe qualquer responsabilidade senão escrever livros), num formato muito ao gosto de um país pouco decente - já que num de gente decente nunca um concurso de atribuição de bolsas literárias seria efectuado sem recurso ao anonimato dos concorrentes e mesmo do júri.
    Mais, nunca autores atrever-se-iam a julgar autores, usando de critérios que obviamente remetem para o gosto pessoal, o conhecimento, a amizade; mais, ainda, nunca iguais (a não ser que se achem “diferentes”, pairando no Olimpo dos dinossáurios excelentíssimos) poderiam ter acesso a parte de obras e projectos de outros autores.
    Mas isto - como todos sabemos, uns fazendo de conta pois a pusilanimidade é ponto assente e as cadeiras da “sobrevivência pessoal” são muito poucas para se afrontarem os interesses instalados - não é um lugar decente, tendo sido sempre um lugar mal frequentado por uma (pseudo) elite predadora que o tempo vai felizmente depurando; pseudo-elite, que, no entanto, é sempre a primeira a indignar-se com o que não lhe agrada (serve isto também para quem escreve estas palavras, se bem que se tenha sempre pautado pelo igualdade de mérito, sem recurso a qualquer outro tipo de "jeitinho" ou encosto ao poder). Nunca o foi, a decência, nem possivelmente o será algum dia.
    Responsabilidade, também, para a tutela e para os seus agentes, os quais mantém ano após ano fórmulas pouco transparentes, muitas vezes a reboque dos interesses das editoras (que fazem e vivem dos autores) mais bem colocadas no mercado livreiro e editorial. E aqui estão, para que os Extraordinários tomem conhecimento de como ficam muitas vezes cerceados de outros autores e outras “linguagens”, os critérios enunciados por um júri constituído por autores “julgando” outros autores: Domínio da língua – 20%?; Qualidade literária e estética do projeto – 45%?; Trabalhos de natureza literária já realizados - 25%?; Adequação ao tempo da bolsa – 10%?
    Como dizia o outro “é o país que temos e o país que somos”, sempre na vanguarda cultural, social e económica. Prémios e concursos em Portugal? Obviamente - pelo "modus operandi" - são frutos parcialmente desvalorizados (e a responsabilidade não é da grande maioria dos autores).

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    1. Interessantes revelações, para quem, como eu, desconhece esses meios e é novo nestas andanças. Muito obrigado.

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    2. Obviamente, "mantêm" e não "mantém".

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    3. E a quem foram atribuídas as bolsas, será que pode revelar?
      Obrigado.

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    4. Posso sim senhor(a) anónimo (excepcionalmente respondo ao seu anonimato pela educação posta na pergunta que agradeço, anonimato que só percebo como uma trauma de Antigo Regime), embora isso não seja o essencial.
      O essencial é o "modo operativo" que tantos se queixam, mas que tantos se servem, os "oficiais" da mesma arte a julgarem pares (do alto das suas dragonas, como se a escrita fosse uma hierarquia militar), etc.
      Banda Desenhada: Paulo Ricardo Ferreira Monteiro – 6meses João Augusto Simão Ramalho Lopes Sequeira –12mesesJosé Smith Vargas –6mesesDramaturgia:Luís Mário Monteiro Lopes –12mesesCarlos Manuel Monteiro Alves –6mesesFicção Narrativa:Luís Carlos Borges Rodrigues Patraquim –12 mesesTânia Ganho Gomes da Silva –6mesesManuel Jorge de Jesus da Cunha Marmelo –6 mesesValério Romão –12mesesCláudia Maria dos Santos Galhós–12 mesesRui Ângelo Gonçalves Araújo –6mesesAna Rita Sineiro de Almeida –6mesesLiteratura para a Infância e Juventude:David Ventura Bernardo Machado–12mesesMaria Adélia Moreira Carvalho–6mesesLuís Manuel Leal Miranda –6meses.
      O nome dos componentes do júri, Ana Luísa Amaral (escritora), que presidiu ao júri, Álvaro Magalhães (escritor), João Miguel Lameiras (especialista em Banda Desenhada), Eduardo Pitta (escritor), José Manuel Mendes (escritor) e Francisco Frazão (programador na área do teatro).

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    5. um em vez de uma.

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    6. Eu nem ia dizer nada, mas por acaso acho essa lista das bolsas profundamente justa, ao contrário de outros prémios que, como diz, por vezes paecem ser sempre para as mesmas pessoas. E repare que não tem grandes estrelas em nenhuma das áreas, pelo que não vejo onde estão os favorecimentos neste caso.

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    7. Maria do Rosário. Como justas? São conhecidos todos os autores que concorreram? É isto um concurso de projectos literários ou de autores? A questão não se coloca em favorecimentos versus desfavorecimentos, mas nos critérios do próprio concurso.
      Posso dizer-lhe que concorri e fui brindado com 10 em 10 em dois dos critérios e oito em dois deles. Quais? Os completamente subjectivos. Os trabalhos de natureza literária já produzidos - o júri conhece-os ou a nota é discricionária?; foram à BNP lê-los, sendo eu independente? - e a qualidade estética e literária do projecto - autores que avaliam outros autores?
      O que aqui está em causa é dinheiro público e o lançamento de concursos com critérios perfeitamente subjectivos.

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    8. Só para que fique claro. Não estão aqui em causa os contemplados, mas o modo pouco sério como se fazem as coisas em Portugal. A seriedade passaria pelo completo anonimato.

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    9. Pedro, vou ser um bocado chata, eu sei; mas, quando não se concorda com o método e os critérios, não se deve concorrer.

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    10. Rosário: como não se os critérios são estabelecidos à posterior e o método concursivo num país decente - mais a mais com intervenção de dinheiros públicos, não privados - deveria ser uma avaliação "cega" e universal?
      Queremos tornar este país mais "limpo", justo, ou aceitaremos sistematicamente por omissão, no silêncio do nosso lar ou na fraqueza da nossa condição e consciência tudo aquilo que é opaco e incorrecto?
      Eu sei que vivemos no país do Isaltino e do Sócrates - que ainda têm muitos seguidores na óptica do "é incorrecto mas faz, ou do é um animal feroz" -, mas ao aceitar placidamente métodos e critérios de "faz de conta" que cidadãos somos afinal? O que interessa ser bom autor se arrumarmos a utopia de um mundo decente e o próprio carácter numa arca? Quem aceitar placidamente estes métodos e critérios (mesmo que seja contemplado) estará sempre do lado da falta de ética e não da solução para práticas melhores e mais justas que premeiem para além de qualquer dúvida e sombra.
      E que mau escritor é aquele que deixa de ser sonhador e se torna um quase copista, sempre vergado, à espera de umas migalhas que o sustentem.
      Não, não é chata, Rosário! Chato é vivermos há dezenas de anos num país que teima em manter práticas que todos reconhecemos como erradas e nada mudar ano após ano.

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    11. António Luiz Pacheco4 de novembro de 2020 às 13:36

      Não posso deixar de apoiar!
      Isto apesar de ser apoiante do Isaltino e ter por Sócrates,ódio!
      Mas, sou eu... que se pode esperar de uma traça, expatriada ainda por cima!
      Grande abraço, desalinhado, Pedro!
      Não vejam isto como mais do que o apoio ao Pedro Sande: Portugal é de facto um lugar muito mal-frequentado!
      Ah!, mas e Angola, me dirão...
      Idem, e o pior é que aprenderam connosco!
      .

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    12. Pedro Sande
      A minha inteira concordância com o seu comentário e com a forma como o faz, desempenada, directa e incisiva. Infelizmente, aqueles que dizem sim a tudo, que concordam, que apoiam este status quo, não gostarão de ler o que assertivamente diz. E talvez também não concordarão com este meu concordar com a sua opinião, mas é para esse lado que ressono melhor.
      Já cheguei, há muito tempo, à conclusão que há concursos (uma boa maioria) que se promovem para beneficiar um objectivo - comercial, publicitário ou compadrio – e não para abrirem uma janela de oportunidades ao valor.
      Daí a minha espécie de conselho, para quem queira entrar no “sistema” (eu recuso entrar nele): ter de previamente arranjar amigos de “dentro”, influências, jantares, afinidades políticas ou de grupo… E por aí fora.
      Aprecio realmente a frontalidade do Pedro Sande, tanto mais que esta particularidade, nos tempos de interesse que correm, vem a entrar na linha vermelha da extinção.

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    13. Com o comentário anterior, quebrei o jejum interventivo neste espaço, tão só auto-imposto para evitar falar das minhas obras, como já aqui me foi apontado.
      No entanto, como sou um linguarudo e dado ao ênfase do meu trabalho, convém continuar a jejuar nesta caixa.

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    14. Obrigado Fernando Costa. Continuemos pois a escrever que a melhor resposta "a um sistema torcido" (para não lhe chamar outro nome) é o nosso trabalho.

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  2. Sou um admirador de Francisco José Viegas desde que li Longe de Manaus e dois volumes das crónicas assinadas pelo seu alterego António Sousa Homem (falta-me ler o terceiro). Acompanho com interesse o seu blog A Origem das Espécies, que recomendo vivamente. Só ainda não tinha lido nenhum livro do inspector Jaime Ramos, pelo que me apressei a comprar A Luz de Pequim. Não irá constituir surpresa no que toca à qualidade da escrita, Francisco José Viegas é um grande escritor português. Ainda por cima, partilhamos (enfim, existem grandes afinidades) a mesma visão do mundo. O que se pode pedir mais?
    Os meus sinceros parabéns por tão merecidos prémios.

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    1. Ora bolas, Longe de Manaus também é um livro do inspector Jaime Ramos. Ai a minha memória!

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  3. Os prémios valem o que valem, em dobrado ou triplicado. Estes então parecem mais de "consolação" que de "valorização" para quem escreve há uma vida (falta o do palácio dos mateus...). Normalmente para quem não precisa deles para nada. Nem sei por que razão não há um ou outro autor a recusar estes prémios.

    Mas o Francisco é um autor especial, sempre gostou de contar histórias, que noa ajudam a conhecer as pessoas (e os lugares), como é o caso dos seus policiais, com o Jaime a preparar-se para a reforma... apenas da polícia (nunca via deixar de andar a "caçar bandidos"...).

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    1. (continuo a não corrigir os comentários e ainda "levo com alguém" a dar-me lições de português...)

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    2. Diz o Luís Eme, o que sempre me pareceu uma constante:
      -Normalmente para quem não precisa deles para nada.

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    3. Deixe lá, Luís, que já vi originais de "consagrados" com quase tanto de erros como de acertos. Felizmente, há revisores e editores para nos chamarem à pedra da nossa distracção; «errar humano é» e «quem não erre que atire a primeira pedra».

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  4. António Luiz Pacheco4 de novembro de 2020 às 05:15

    Os prémios não os comento... nunca fui homem de concursos, mas sim da competição, em que ganhei prémios pelo meu mérito.

    Francisco José Viegas é um nome por demais conhecido, e, escritor apreciado, que dispensa comentários, a não ser que tem todo o mérito!
    É deveras um contador de histórias, porque sobretudo sabe assistir a elas, na vida real, sendo depois capaz de as transcrever. Penso que isso é fundamental num escritor-mesmo.
    Calaro que para os ficcionistas puros isso não conta, mas pela minha parte prefiro ler escritores do que ficcionistas, se é que me faço entender.
    Envio-lhe os meus parabéns, dos quais evidentemente não precisa!

    Saudações premiadas cá da Cidade Morena, já que hoje logo de manhã cedo, recebi verdadeiramente outro prémio, ao não colidir de frente com um carro que vinha em sentido contrário e para se desviar de uma vaca, veio para cima de mim. Fiz-lhe um "quite" , isto usando de linguagem adequada ao bovídeo, que resultou como se fosse um recortador (uma sublime arte tauromáquica que consiste em tourear com o corpo). Em poucos meses já lá vão duas destas... alguém, ou alguma coisa, nalgum lugar, continua empenhado em que eu ande por aí! Vamos ver para o que estou a ser guardado, talvez um prémio maior?

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  5. Tal como a Rosário diz, nestas Bolsas não há grandes estrelas, o que eu acho louvável, e este júri parece-me competente e insuspeito.
    Gostei de ver, entre os premiados, estes dois nomes:

    1 - Rui Ângelo Araújo, escritor, fundador da Periférica (de Trás-os-Montes para o mundo) revista muito interessante mas que acabou... pela razão habitual.
    Autor do blog "Os Canhões de Navarone".

    2 - Manuel Jorge Marmelo, jornalista no desemprego (com filhos para criar), escritor e também autor do blog "Teatro Anatómico" .

    Ambos têm livros editados.
    Talvez algum dos Extraordinários sinta curiosidade...

    Parabéns aos dois!
    (e não, não conheço nem nunca falei com nenhum deles, apenas os admiro)

    Bom dia.
    🍂🍁🍂
    Maria

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    1. António Luiz Pacheco5 de novembro de 2020 às 06:17

      Manuel Jorge Marmelo, é um nome invulgar, fácil de fixar, pelo que quando li o seu post fez-
      -se- me uma comichão na memória e fui investigar: "Onde o vento me levar", é de sua autoria, li e gostei!

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    2. Ó Maria: e então os outros também não têm filhos para criar? Não conhece nem admira outros? É natural. Há gente independente que foge às editoras, já que muitas vezes estas não pagam os trabalhos dos autores ou quando pagam é tarde e com comissões de 10%, em livros que em poucas semanas já sofreram no "mercado livreiro" cortes de preços de capa de 10, 20 ou 50%.
      E haverá filhos e enteados nos concursos com dinheiro do Estado?
      Mas volto a repetir: o que está em causa não são os autores nem a composição do júri, se bem que autores nunca devessem serem júris de outros autores. É, sim, o modo como se fazem as coisas, critérios opacos e de uma enorme elasticidade.
      E todos são competentes e insuspeitos, até os autores que concorrem a estas bolsas literárias. Acontece que muitas vezes não fazem parte do "mainstream" editorial. Não merecem por isso serem lidos? Não merecem por isso iguais oportunidades?

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    3. Ó Pedro: eu só disse que gostei de ver estes escritores premiados. E sim, penso que um prémio dará mais jeito a quem está desempregado e tem filhos para criar, embora isso não seja critério para atribuir prémios, obviamente!
      Lamento que me considere assim tão oca :-(
      Quanto aos meus hábitos de leitura, não penso que tenha que provar o que quer que seja a ninguém, apenas direi que comecei a ler em criança e que ao longo da vida gastei tanto, mas tanto dinheiro em livros (privando-me de outras coisas) que nem o Pedro imagina... aliás, nem eu :-) e que foi tão bom ler todos os livros que li, e conversar sobre eles com pessoas tão extraordinárias que fui conhecendo ao longo da vida...

      Quanto a ser escolhido pelos seus pares acho óptimo: não é isso que acontece com os Oscars e outros prémios internacionais?
      Ou acha preferível ser o público a enviar cupões (coisa antiga) ou fazer telefonemas (coisa moderna)?
      Acredito que possa haver um certo compadrio (não sou assim tão ingénua) mas, como dizia a outro:
      C'est la vie!

      Boas leituras.

      Maria

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    4. Como dizia o outro
      (este corrector tem a mania que é esperto..)
      Maria

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    5. Ó Maria: acho que qualquer viés é mau; e, no entanto, é verdade que é um elemento da condição humana, pois "cada ponto de vista é apenas a vista de um ponto".
      Logo, a escolha deve recair sobre obras (neste caso projectos) e não sobre actores mais visíveis ou invisíveis, conhecidos ou desconhecidos dos avaliadores, por isso o anonimato. Quanto ao desemprego e filhos nada constava de referência concursal; e, convenhamos, que o desemprego devia ser um critério no quadro de um Estado que se pretende social.
      Agora, "oca e provar?" Onde é que a Maria viu qualquer referência de carácter ou de condição de boa leitora, na minha indignação com o modo pouco sério ou competente de se fazerem os concursos em Portugal? Antes pelo contrário, se aqui coloco este tipo de indignação é por considerar ser o blog da Rosário onde se cruzam parte substancial dos bons leitores de literatura deste país. E, com amizade lhe digo que essa do "c'est la vie!" é que verdadeiramente me incomodou, pelo que contém de determinismo e desesperança por relações humanas e procedimentos "concursais" mais conformes à decência.
      Desejos de um fim de semana de excelsas leituras.

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