Dias que correm

Todos os anos, pelo Natal, ofereço uma agenda de secretária à minha mãe; e, quando uma única vez me esqueci, ele fez-mo notar logo no dia 26. A minha sogra enchia agendas de carteira com o registo de tudo o que fazia e temos uma arca cá em casa cheia delas. Eu própria gosto de agendas em papel, embora, claro, também use a do Outlook para as coisas profissionais; e, entre vários tipos de agendas, prefiro as literárias, pois, ao mesmo tempo que nelas anoto encontros, consultas, lembretes ou afazeres, aproveito para ler poemas ou excertos de textos literários, alguns dos quais conheço e recordo com prazer, outros descubro com deleite ou espanto. Este ano há agendas destas a que vale a pena prestar atenção. A Dom Quixote, por exemplo, publica Saudades, na qual podem ser encontrados excertos de muitos textos de autores de língua portuguesa, dos trovadores aos poetas e romancistas de hoje, sobre um tema tão português. E a Quetzal publica uma outra, Agenda Literária 2021, elaborada pela escritora Helena Vasconcelos, que regista em cada dia episódios relacionados com a gente das letras, como o aniversário de Mary Shelley logo no primeiro dia do ano. Tudo para passar 2021 a ler e a aprender. Belos presentes.

Comentários

  1. Muito bem!
    Também costumo oferecer agendas, e, esta sendo temáticas como diz, são uma excelente oferta por útil e bonita.
    Eu trabalho com agenda... sempre do mesmo tipo, para ser portátil, mas suficiente para apontar tudo o que faço durante o dia, ou tenho a fazer... mais notas avulsas sobre acontecimentos que importe anotar, como o clima que faz naquele dia. Tenho guardadas todas dos últimos 20 e tal anos... se quiser saber que tempo fazia no mesmo dia há 17 anos atrás, consigo saber... entre outras coisas. É útil para planear actividades de campo ou ar livre, como podem acreditar. E, para não ir em certas cantigas meteorológicas, como ter sido o dia mais quente do século e outras afirmações jornalísticas de duvidosa veracidade.

    Parece disparate guardar as agendas? Uma história:
    - Fui certa vez testemunha de defesa num julgamento no tribunal da marinha, sobre uma hipotética infracção cometida por um conhecido meu, "identificado a olho" por um polícia marítimo de Sines, de reconhecidos maus fígados e que tinha uma contenda antiga com esse meu amigo. Levantou-lhe um auto porque o teria visto no barco, certo dia em determinado sítio, onde não podia, a fazer uma coisa interdita.
    Declarei no tribunal que não podia o meu conhecido nesse dia estar alegadamente a praticar essa infracção no mar em Sines, pois estivera justamente nesse dia reunido comigo (era um dos seleccionados para o Campeonato do Mundo de pesca submarina em Iquique no Chile) a acertar detalhes da ida.
    Como aquilo fora largos meses antes, o delegado do MP questionou como tinha eu tanta certeza. Mostrei-lhe a agenda... onde estava apontada a reunião e o seu teor na sede da Federação, e, com quem! O juiz pediu para ver, folheou e apreciou a forma como estava organizado tudo, que não lhe deixou dúvidas pois o meu colega foi ilibado da tal acusação...
    Vêem a vantagem de uma agenda?
    Dá para tirar teimas e até para recordar coisas!

    Saudações agendadas, cá desde a Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  2. Essas são agendas deveras interessantes! Mas eu sou fiel à agenda solidária do IPO (desde que foi lançada), que todos os anos tem um tema e pessoas de vulto de várias áreas a escrever sobre ele, todas os inícios de mês. Para além disso, todos os textos são acompanhados por desenhos muito bonitos. E claro, last but certainly not the least (é até fundamentalmente por isto que a compro), o preço reverte sempre para obras do IPO. Adoro descobri-la todos os anos, e leio todos os textos mal chego a casa. O único problema é que ela é muito grande, não dá jeito para transportar – é mesmo só de secretária. Mas tem o tamanho ideal para deixar na cozinha, para todos em casa a lerem e para eu poder trocar pequenos recados com a minha empregada, no dia certo. Só alguns exemplos de quem já escreveu para esta agenda: o nosso presidente Marcelo, o José Luis Peixoto, o Zé Pedro (no ano em que morreu), o António Barreto, o Bruno Nogueira, etc, etc…
    Filipa

    ResponderEliminar
  3. O meu exemplar, já cá canta... :-)
    Quarta-Feira, 30 de Junho de 2021:
    1936
    A escritora americana Margaret Mitchell publica neste dia o seu muito popular, longo e épico romance E Tudo o Vento Levou, cuja acção se desenrola durante a Guerra Civil americana e com a qual ganhou o National Book Award e o Prémio Pulitzer. A adaptação deste romance ao cinema foi um sucesso e o filme recebeu uma enxurrada de prémios.

    ResponderEliminar
  4. Eu também sou muito 'agendeira'. E não me refiro às de secretária, que já não uso.
    Lembro-me de comprar o Poemário da Assírio & Alvim e também as agendas da Relógio d'Água, sempre muito interessantes.
    Até que descobri as Moleskine Petit Prince, e nunca mais quis outras: é que são tão bonitas... quase que dá pena escrever nelas... e trazem sempre autocolantes ou marcadores como brinde.
    Uso a Diária Grande para o dia a dia e a Semanal para apontar os livros e os filmes.
    É um pequeno luxo que ainda vou conseguindo manter.
    🍂🍁🍂
    Maria

    PS: Tive agora uma alegria: o carteiro acabou de me entregar o 'Uma História da Leitura' autografado pelo Alberto Manguel.
    É um livro que estava esgotado e que a Tinta da China em boa hora resolveu reeditar (agora em promoção, é aproveitar! ).
    Vou já começar a lê-lo.


    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora, ora, Uma História da Leitura. Eu tenho a antiga edição da Presença comprada ao preço da uva mijona. Ganhei. 1 - 0.

      Eliminar
    2. Acredito, mas eu estou numa aldeia recôndita da Beira, sem alfarrabistas nem feiras do livro, e nunca consegui comprá-lo.
      Por conseguinte, reitero, foi uma alegria 😀

      Clark Gable?
      (Dizem que tinha mau hálito 🤭)
      Boa tarde.
      Marilyn Monroe 😂

      Eliminar
    3. Encomendei na Leya, antiga Bucholz, estou à espera que me liguem; possuo a versão inglesa mas tenho curiosidade de ver a portuguesa, embora a capa seja diferente!

      Eliminar
    4. Além do mau hálito, dizem as más línguas que sofria também de "ejaculatio praecox!

      Eliminar
    5. Que anónimo tão erudito: sabe latim e tudo; e está familiarizado com essa expressão....
      Humm, porque será?
      Sei não...
      Estimo as melhoras

      Eliminar
    6. Eu aprendi latim no 6º e 7º anos, agora saiu um dicionário do Frederico Lourenço, se quiser aprender tem a oportunidade, nunca é tarde!

      Eliminar
  5. eu adoro agendas em papel. se não fosse tetraplégico, apontava o dia todo.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário