Já a ladrar

Há cerca de um ano comprei os direitos de um pequeno romance colombiano que achei admirável e muito contra-corrente. Duro, dramático, trágico e profudnamente humano. Chama-se A Cadela e a sua autora, Pilar Quintana, viveu anos na área onde se passa a história, uma zona paupérrima e húmida na costa do Pacífico (e estamos sempre a sentir a chuva no corpo enquanto lemos). O argumento prende-se com uma mulher que não consegue engravidar e, depois de muito sofrimento, resolve substituir o desejado bebé pela última cadelinha de uma ninhada. Não esperem, porém, nada de querido e amoroso a partir daqui, porque nem sempre os cães (ou os filhos) correspondem ao que idealizam as respectivas mães. Soube recentemente que A Cadela está já a ladrar fora de portas. Este livro incrível é finalista de um prémio de peso nos EUA: o National Award, na categoria (introduzida apenas em 2018) de livros traduzidos. E fico aqui em pulgas, a fazer figas e a rezar para que a talentosa Pilar Quintana vença e, claro, possa vir vistar-nos assim que o estupor do vírus permitir.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2020 às 01:56

    Bom , adoptar animais em substituição dos filhos, parece ser uma moda, aliás "com barbas", pois creio que todos nós veteranos, tivémos tias, solteironas excêntricas, com um famigerado e detestável canídeo de companhia, um gato antipático ou até uma catatua pesporrenta!
    Hoje, continua e se alargou essa prática para níveis muito além daquilo e que atingem já a raia da demência.
    Ainda o ano passado, na minha última estadia aí, ouvi uma conhecida referir-se à sua cadela como "esta menina" e aos filhotes como "bébés". Na volta, referi-me aos seus filhos como "os teus cachorros", ficou toda abespinhada. Chamei-lhe doida! Acabámos todos a rir, porque percebeu e deu-me razão, dizendo que de facto já não podia mais com as conversas e a exibição de fotuchas de cãesinhos e gatinhos.

    No entanto, maluqueiras aparte, estando nós a falar de leituras num blog a elas dedicado, reconheço que é um tema que tem dado para muitas obras - alguém leu "Viagens com Charlie"?
    Esta "Cadela" promete ser interessante, sobretudo pelo que a Nossa Extraordinária Anfitriã revela sobre o entorno do romance, que esse parece novidade e interessante.
    Vamos ver, votos de sucesso e Boa Sorte à Pilar Quintana!

    Saudações animadas e não animais, cá da Cidade Morena!
    Já sabem, é preciso é saúde.

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  2. Cá fico à espera!
    Ó caríssimo e extraordinário Pacheco, não me dá uma sugestão de leitura? E quem diz o Pacheco diz outro extraordinário (a) que se dê ao trabalho de me responder.
    Obrigada

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    Respostas
    1. De Ruben A. uma obra-prima da literatura portuguesa 'A Torre da Barbela', a que se poderá seguir, do mesmo autor, 'O Mundo à Minha Procura'. Boas leituras.

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    2. (Maria, acabei de ler os "Contos Completos" de Graça Morais, está ali muito das nossas vidas escrevi sobre isso no meu blogue hoje - e gostei bastante. Fiz uma pequena comparação com Maria Judite de Carvalho, que também tem livros de contos admiráveis, do mesmo género)

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    3. Adoro a Maria Judite de Carvalho!
      Obrigada pela sugestão da Graça Morais.😊

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    4. Já deixei a minha sugestão mais abaixo, mas antes da Patti andei lendo as crónicas da Maria Judite de Carvalho e foi uma incrível viagem ao passado: gostei de saber que também gosta dela.
      Boas leituras.
      🍂
      Maria

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    5. Sim, claro! Eu não esqueci o Pina! 😊
      Obrigada!

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    6. Só para a alertar de que não existe nenhuma sugestão sua mais abaixo, pela simples razão de que não existe nenhum comentário publicado por si.

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    7. Existe, sim.
      Mais abaixo no ecrã, ou seja, nk post de ontem

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    8. Existe, sim.
      Mais abaixo no ecrã, ou seja, no post de ontem, dia 20.
      Obrigada pelo reparo :)
      🍁
      Maria

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    9. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2020 às 07:09

      Extraordinária Maria, que não percebi se é a "Maria-Maria-do-costume" ou se é a "outra Maria", o que também para o caso, creio que tanto faz.
      Concordo com todas as sugestões que muito bem lhe fizeram, e, destaco mesmo "A torre da Barbela", que é de facto um belíssimo romance!
      Não sei se já leu, mas dentro do que é "diferente" (porém muitíssimo bom!) , aconselho "Torto arado", de Itamar Vieira Junior. Um romance que julgo vai gostar!
      Saudações e saúde, cá da Cidade Morena.

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    10. Obrigada!
      Sou "Uma Maria" 😊
      Saudações para a Cidade Morena!

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    11. António Luiz Pacheco21 de outubro de 2020 às 11:28

      Ahahah! Só espero que não seja uma "Maria-vai-co'as-outras"! Mas olhe, francamente também não vejo grande mal nisso! Eheheh!
      É preciso é saúde! E ler, claro.

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    12. Costumo acompanhar algumas pessoas da minha confiança, sim!😊

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    13. "SANGUE SÁBIO" Flannery O'Connor;
      "A FILHA DO COVEIRO" Joyce Carol Oates

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    14. Gosto muito da Joyce Carol Oates.
      Obrigada pelas sugestões.

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    15. Então também irá gostar da excelente Flannery O'Connor.

      E a Carson McCullers-que grandes livros eu já li:
      - "O CORAÇÃO É UM CAÇADOR SOLITÁRIO";

      -"A BALADA DO CAFÉ TRISTE";

      -"REFLEXOS NUM OLHO DOIRADO";

      -"FRANKIE E O CASAMENTO"
      Que escritora!

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  3. Fiquei muito curioso, em relação à história e à escritora.

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  4. Fingers crossed, then. 😃

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