A nossa Terra
Na primeira editora em que trabalhei, foram publicados muitos dos fantásticos livros de David Attenborough, e até conheci pessoalmente o seu editor na HarperCollins, um tipo magro e seco que vivia numa das Ilhas do Canal (Jersey ou Guernesey, já não me recordo) mas se reuniu comigo na sede da editora em Londres, aonde ia uma vez por semana. A Vida na Terra, O Primeiro Éden, A Vida Privada das Plantas, Os Desafios da Vida, O Planeta Vivo, são tudo belíssimos livros de Attenborough, geralmente publicados ao mesmo tempo que se transmitiam as suas séries televisivas homónimas (todas maravilhosas). Um dia destes, na Netflix, vi o fantástico documentário Uma Vida no Nosso Planeta, que é o testemunho deste cientista de 93 anos, que trabalhou sempre no terreno, para as gerações mais novas: um apelo urgente à reposição da biodiversidade perdida num momento em que os animais selvagens estão a ser gravemente substituídos em todo o mundo pelos animais domésticos e as savanas e prados por pastos e terrenos agrícolas (além dos problemas da seca e do aumento da temperatura que também terão de ser resolvidos, e podem sê-lo se o homem agir já). E eu apelo a que vejam esta peça notável e aprendam com ela. Também há o livro, claro, para quem não tenha a Netflix, mas as imagens dos animais em movimento são obviamente insubstituíveis, além de que a voz deste mestre que pensa no futuro da humanidade é indispensável para nos cativar. A natureza, como verão, arranja sempre maneira de se renovar. O homem é que não.
Partilho da sua opinião, e, subscrevo o que diz.
ResponderEliminarTenho assistido a muita destruição, desde a do coberto agrícola (a manta de retalhos) que compunha e era a riqueza do meu Bairro Ribatejano, substituído pela monocultura do milho de que se alimenta a indústria e quase extinguiu as minhas perdizes, tal como a A1 que para facilitar a vida a milhares de automobilistas insensíveis a tudo que não seja a sua comodidade, me cortou ao meio e destruiu um pomar de pereiras, uma vinha e boa parte da terra agrícola de olival e semeadura onde também laureavam as minhas perdizes e hoje pode ser vista uma vacada - que remédio! E vivemos de quê?
Esse o cerne da questão, e, algo em que ou pouco se pensa ou não se entende!
As realizações humanas, pelo desenvolvimento, modernidade e comodidade, são responsáveis?
O homem, graças ao conforto, segurança, é hoje saudável, alimenta-se bem, e, cresceu, aumentou desmesuradamente. Na sua evolução provou até que Malthus estava errado, pois que não contou com o factor "homem".
O homem tem de se alimentar, e, por isso faz-se o que se faz!
Tem de se alimentar, vestir, circular, viver com comodidade, facilidade, segurança... não se esqueçam disso! É o que todos querem, exigem, anseiam e pelo que lutam, guerreiam, impõem e destroem!
Não culpem os agricultores, não me culpem a mim, pois dói-me a valer ver desmatar, arrancar árvores por centenas de hectares para cultivar soja, milho... mas o que posso fazer? Vejo ao mesmo tempo e no mesmo local gente faminta e que vive à míngua.
Acreditem que é uma angústia, estar entre dois Mundos, aparentemente opostos.
Sei que há formas, soluções, mas sendo uma mera peça de uma imensa engrenagem, que nem grão de areia consigo ser, que posso fazer?
Ensino a melhorar os cortiços das abelhas, tento convencer a deixarem árvores, numa cortina vegetal que defende a terra do vento e da erosão, que dá sombra ao gado e permite viverem animais, tento agora convencer quem manda a investir na criação de peixes em viveiros no mar aberto que também melhora a vida dos que vivem miseravelmente de peixes cada vez menos e menores...
Há outros como eu, conhecemo-nos e falamos, trocamos impressões. Já se criou com o meu apoio (adaptei os estatutos do CPM) uma associação de caçadores para combater a praga do furtivismo e a conservação de espécies animais e vegetais. Porém, corre a notícia sobre as imensas reservas de petróleo na região do Okavango e já andam a prospectar em 35 mil hectares, que pode ser o fim de uma das mais ricas regiões de caça, de biodiversidade de África. Idem para a reserva da Quiçama onde William Beebe fez prospecção de petróleo em 1917 (escreveu um magnífico livro a propósito "Cannibals and big game", não posso deixar de falar nele aqui). A ministra do ambiente, uma jovem conservacionista já foi exonerada e substituída por alguém que parece ser conhecido como crítico musical... dias negros se adivinham?
No entanto, na única coisa em que não concordo com a Nossa Extraordinária Anfitriã , é que eu acredito no Homem, na sua capacidade e boa vontade, pois conheço Homens de Boa Vontade, e se eu uma traça que procura a luz, sei, vejo e acho soluções, outros muito mais capacitados e colocados mais as verão e saberão.
Acredito que sim.
Não é Adeus futuro, mas até já... espero bem.
Saudações preocupadas cá da Cidade Morena.
A natureza arranja sempre maneira de se renovar, o homem é que não. A frase que encerra o poste abre um mundo de questões. De facto o homem na vertente dos sentimentos, dos valores, das crenças e da visão geral do mundo (ideologia) não consegue renovar-se. Só vejo duas alterações significativas: a redução da crença na existência de deus e a sua consequência mais direta,
ResponderEliminaro aprofundamento do conhecimento da natureza. Desde o Renascimento que o homem não para de aumentar este conhecimento (ciência) e os consequentes resultados práticos (tecnologia) que encontraram campo favorável devido à persistência de um dos vetores que menos muda, a ganância. O drama reside aí: a maior renovação que ocorreu converteu-se na maior ameaça às condições de vida no planeta.
Sem dúvida Extraordinário Henrique, porém, há que entender que todo o ser vivo , só por isso, por estar vivo, tem efeito sobre a Natureza!
EliminarO homem não é caso único, ao contrário do que se apregoa e crê. Porém, precisamente por causa do seu maior desenvolvimento evolutivo, é o que maior pressão exerce, e cada vez maior, desiludam-se os que crêem num amanhã idílico... só voltando a andar de tanga e regressando ao estado de recolectores deixaríamos de exercer tamanha influência.
Quem ou quantos estarão dispostos a isso? Essa a grande questão...
Abraço reflexivo cá da Cidade Morena.
Terra sujeita a tratamento por quimioterapia. Leiam o início desta notícia do New York Times de hoje e assustem-se: "The idea of modifying Earth’s atmosphere to cool the planet — solar geoengineering — was once seen as too risky to seriously consider. Now, it’s attracting new money and attention. One expert likened it to “chemotherapy for the planet: If all else is failing, you try it.”
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