A fingir

Está desde há dias no mercado o novo romance de um escritor que é, para os Extraordinários, muito especial, até porque no passado ofereceu o retrato a alguns dos membros deste «clube». Estou naturalmente a falar de João Pinto Coelho, o autor de Perguntem a Sarah Gross e Os Loucos da Rua Mazur, romances que foram, respectivamente, finalista e vencedor do Prémio LeYa. Desta feita, saímos da Polónia gelada para a muito mais temperada Toscana, onde conheceremos Annina Bemporad, uma judia linda e rebelde que acorda a meio da noite com o ruído de um tiro e descobre que se tornou adulta. Isso obrigá-la-á a trabalhar, tornar-se uma mulher responsável e buscar um futuro digno. Mas, por se recusar a entregar o seu amor ao sobrinho do fascista-mor da cidade – e, ainda por cima, o humilhar em público –, este vai garantir que ela não possa realizar os seus sonhos. A essa impossibilidade somar-se-á a ocupação da Itália pelos alemães, que, claro, perseguem os judeus. Hão-de valer a Annina a sua amiga Alessia, uma lésbica excêntrica, e Peppino, o homem que monta espectáculos com lixo e é amigo dos homens da Resistência. Profundamente imaginativo e rigorosamente documentado, Um Tempo a Fingir é um romance magistral, cujo enredo tem a rara qualidade de ser ao mesmo tempo absolutamente inesperado e completamente verosímil. Mais um grande livro de João Pinto Coelho.


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Comentários

  1. Gostei muito dos dois primeiros dele. Irei ler este, sem dúvida.

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    1. As minhas exactas palavras!

      Rui Miguel Almeida

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  2. António Luiz Pacheco22 de outubro de 2020 às 01:40

    Ora aí está uma Extraordinária notícia!
    Vou ler seguramente, a coisa promete. JPC escreve muito bem e gosto de o ler. Para variar um dos portugueses actuais que me diz alguma coisa!
    Fica aqui um grande abraço africano ao JPC e os mais sinceros votos de sucesso!

    Boa notícia será a seguir, quando esse preguiçoso do nosso amigo Paulo Moreiras sair com um novo romance, sobretudo para nos dispôr bem... continuo à espera, poderia p.f. dizer-lhe isso? É quem sobre uma comidinha tem escrito nada, terá perdido o apetite?
    Obrigado!

    Uma manhã feliz, esta, pela notícia.
    Saudações animadas e dispostas cá desde a Cidade Morena, onde começou a época das mangas e já vim do Cavaco onde fui fazer uma ronda, há projectos para se começar a exportar, o mercado espanhol está interessado! Agora é um banho e seguir para a Baía Farta e as pescarias, em campanha de recolha e acondicionamento de choco e polvo para se enviar uma amostra para um grande operador em Portugal.
    É preciso é saúde!

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    1. Caro Pacheco,

      Partilho consigo a afeição pelos livros do Paulo Moreiras, o Fuas é uma obra-prima, na minha opinião.
      Um abraço para si,
      Rui Miguel Almeida

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    2. Um abraço, António. Muito obrigado.

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  3. António Luiz Pacheco22 de outubro de 2020 às 01:41

    A nossa Extraordinária Cristina Carvalho também é notícia pois foi nomeada para um prémio literário , lá fora, daqueles com peso!
    Vamos torcer por ela?

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  4. Um dia o escritor João Pinto Coelho há-de explicar a sua fixação com personagens judias e a sua perseguioção pelos goim. Será que é judeu como o Francisco José Viegas?

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    1. Olá, Artur. Tem que ver com aquilo que me levou à escrita: 20 anos – hoje são 30 - a investigar a perseguição aos judeus na Europa, até me achar capaz de falar sobre o assunto. Mesmo assim, o que me move vai para além do embrulho das personagens ou o pano de fundo. Importa é que o Homem da Shoah é o Homem de hoje, o que se cruza comigo ou consigo no passeio, eu ou você. O judeu é a vítima porque escrevo sobre um período que me é familiar e sugestivo, no palco de uma Europa que, então, deixou cair a máscara, só isso. E não, não sou judeu.

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    2. Caro Escritor João Pinto Coelho, muito obrigado pela sua generosa explicação sobre a sua repetida escolha de temas relacionados com judeus e Holocausto. Felizmente não publicou nunca um livro intitulado, por exemplo, "O Escritor (ou Arquiteto, ou o Químico, ou a Pintora) de Auschwitz"... Confesso que comprei, quando saíram, os seus Sarah Gross e Rua Mazur mas ainda não tive tempo de os ler. Mas irei fazê-lo. Os ecos que tenho da sua escrita, e não são só a partir da Maria do Rosário Pedreira, é que é elegante e a sua temática é seriamente investigada. Parabéns e obrigado pela sua decisão de ser escritor !

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  5. Uma excelente capa a deste último livro do João Pinto Coelho, fazendo recordar a capa da Dom Quixote do excelente Breakfast at Tiffany's do Truman Capote.
    Desejo ao João que este seu "Tempo a fingir" seja tão sugestivo para os leitores como os anteriores. E, entretanto, aproveito para fazer minhas as palavras do António Luiz relativamente à nossa amiga Cristina Carvalho.
    Já agora acrescento que leiam também (o que ainda não fiz, mas espero por melhores tempos) os últimos livros do Tiago Salazar: "O Magriço" e "Cartas de Confinamento".

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    1. António Luiz Pacheco22 de outubro de 2020 às 04:41

      O Magriço... dos onze de Inglaterra? Ou era outro magricela??? Personagem ideal para o Paulo Moreiras desenvolver uma aventura rocambolesca e medieval!!!!

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  6. A escrita pontual de João Pinto Coelho é simplesmente necessária e folgo em lhes dizer, aqui no Brasil seus livros "Pergunte a Sarah Gross e Os loucos da rua Mazur" nas livrarias tem exibição em destaque. Com objetivo e larga estima a vossa escrita histórica nos alcança e (da vez a mais) contam-se leitores assíduos. Parabéns de sua nova obra, está linda a capa!

    Cláudia da Silva Tomazi

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  7. Boa, boa! Muitas sugestões!
    Obrigada à dona do blog e aos outros Extraordinários!

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  8. Magistral, é a palavra certa para os livros do João Pinto Coelho.

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  9. Excelente notícia. Claro que irei ler o João.

    Não há dois sem três (com qualidade). :)

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  10. Estou certa que será um óptimo romance!
    Só hoje chegou a Sines!!!!

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