Viajar sem sair do lugar

Estes não são os melhores tempos para viajar, mas há maneiras de o fazer sem sair do lugar, e ler sobre viagens é uma delas. Falo-vos hoje, por isso, de Pés na Terra, de Raquel Ochoa, autora que venceu o Prémio Agustina Bessa-Luís com A Casa-Comboio e que já publicou várias biografias e romances históricos. Pés na Terra ensina-nos que «em viagem vive-se às vezes um século inteiro num só dia» e que «viajar é a melhor forma de compreender quem somos». Nele, Raquel Ochoa, que é também guia de viagens e aventureira, mostra-nos que, com ou sem mapas, o mundo é um lugar onde o observador é tão importante como o observado e que enfrentar a natureza tal como ela é faz de nós mulheres e homens maiores. O volume reúne memórias de viagens aos cinco continentes, fazendo-nos olhar para o mundo contemporâneo como algo incrivelmente belo, mas também cheio de desigualdades e contradições. As experiências da autora (sobretudo como mulher que viaja sozinha, enfrentando o risco e o preconceito), as peripécias inesperadas, as provações e o desconforto a par da superação, do deslumbramento e da pacificação são o guia ideal para quem queira sair do seu umbigo para o umbigo do mundo, de mochila às costas ou sentado no sofá. Raquel Ochoa estará hoje na Feira do Livro às 18h30 e no sábado às 16h30 para autografar os seus livros. Apareça.


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Comentários

  1. Li no mês passado "A casa-comboio" e foi uma muito agradável surpresa. Não conhecia a autora, foi uma compra por instinto. Agora vou agarrar esta sugestão, que promete ser outra boa leitura.

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    1. Também li "A casa-comboio" há uns anos largos e gostei muito. Como sou leitor frequente de Theroux e Bryson, irei acrescentar a Raquel Ochoa à minha lista.

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  2. Os melhores livros de viagens que li até hoje foram três: Disse-me um Adivinho de Tiziano Terlani, por sugestão do Mega Ferreira, Tempo de Dádivas- Uma viagem a pé de Londres a Istambul, de Patrick Leigh Fermor e Immortelle Randonnée de Jean- Christofe Rufin, os dois primeiros da Tinta da China.

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  3. Sou leitor habitual de livros de viagens, ou sobre lugares, gentes, etc.
    Desde sempre! Aliás, tendo uma razoável biblioteca sobre os temas, pois também meu avô era um viajante de sofá, mas dele herdei muita literatura do início do século XX sobre esses temas, de Verne (que foi um Extraordinário autor de literatura de viagem e o meu primeiro e grande Mestre!) a Julião Quintinha e outras obras curiosas daquele tempo.

    Fui muitíssimo influenciado por eles! Foram os livros de viagens que fizeram em boa parte, de mim, aquilo que sou ou fui - um viajante que trabalhava para o poder fazer.
    Sem dúvida alguma, sou um produto da literatura. A minha paixão por África, a minha descoberta do meu país, vêm dos livros de menino.
    A minha primeira grande aventura de viagem, a ida para os Açores em 1976, foi feita de navio-cargueiro (o saudoso Corvo), à moda clássica, como Hans Hass!
    Produzi por alguns anos, artigos de viagem para revistas temáticas. Fiz parelha com o celebrado fotógrafo da Natureza Luis Filipe Quinta a cuja equipa pertenci, com a Mónica Bello.
    Se fui influenciado por tantos autores e livros, orgulho-me de por minha vez e segundo a ordem natural das coisas, ter influenciado o meu amigo Pedro Vaz Pinto, quem apoiei na sua ida para Angola onde ganhou notoriedade no projecto de recuperação da palanca negra gigante, que lidera. Em boa-hora!
    Também influenciei o David Ochoa! Um pescador submarino globe-trotter dedicado à imagem, eu sempre me dediquei mais à palavra, que tem feito belíssimos filmes (Água Negra por exemplo). Este há muito que me "comeu as papas na cabeça", sigo o seu percurso e trabalho com grande interesse, comunicamos e trocamos impressões, pois gosto de ver o sucesso nos outros, sobretudo quando me revejo neles... pelo que espero sinceramente que o Afonso Reis Cabral, singre!

    Este livro da Raquel Ochoa, não o perderei... ela não é apenas "escritora de viagens", é sobretudo escritora, escritora viajante, o que é o pleno.
    Nem todos o conseguem, há escritores que viajam mas não vêem, não sentem o pó nos dentes. Há viajantes que descrevem, até bem, mas não escrevem, não sentem as pessoas! A Raquel Ochoa deixa-nos o pó na boca e apresenta-nos às pessoas, mais do que levar-nos aos lugares, ela introduz e instala-nos pois nos transmite o sentir e o pensamento que vai discorrendo, é uma viagem mais do que física, na mente.

    Boa viagem! São os meus votos desde esta Cidade Morena, onde numa tarde e a 100 Km viajo no tempo, por séculos!

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