Um novo prémio

Calculo que muitos dos que frequentam as Horas Extraordinárias escrevam ficção e tenham livros na gaveta à espera de uma oportunidade. Ora, apareceu agora um novo prémio literário que pode ser uma saída para quem não arranjou ainda editor ou se esqueceu de um velho manuscrito no fundo do armário mas pode aproveitar agora para o rever. Trata-se de um galardão da iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), criado para homenagear uma escritora que foi, de resto, um dos seus membros: Maria Velho da Costa. Recentemente falecida, a romancista que arrecadou o Prémio Camões em 2002, autora de livros notáveis como Missa in Albis, Casas Pardas ou o mais recente Myra, é então a «madrinha» deste novo prémio para primeiros romances inéditos (obras de estreia assinadas com pseudónimo), cujo prazo de entrega termina a 31 de Outubro próximo. O valor é de 2500 euros e o regulamento pode ser consultado na página da SPA. Atreva-se.

Comentários

  1. «O Prémio é instituído com a finalidade de distinguir obras primeiras, de ficção narrativa, inéditas e não publicadas.» Obras primeiras?

    ResponderEliminar
  2. Excelente nota de Prémio! Principalmente o tendo por Benfeitoria, autora Maria Velho.

    Cláudia da Silva Tomazi

    ResponderEliminar
  3. Parece-me muito bem que a SPA tenha esta iniciativa - aliás bem podia ter outras no género - para apoiar autores de primeira viagem, aqueles que não conseguem a atenção das editoras que nem sequer lhes avaliam os trabalhos, e, mais do que autores inéditos são sobretudo anónimos, pois há uma verdadeira avalanche de autores que são conhecidos por uma qualquer razão e parecem entupir as editoras que preferem apostar nas caras familiares ou nomes que já sejam conhecidos do público.
    Infelizmente para muito candidato a autor, e para nós leitores em geral, pois estamos obrigados a "levar" com a malta "famosa" que já não basta massacrarem-nos nas TV e nas revistas, em toda a parte, como ainda enchem os escaparates das livrarias!

    Poderei estar a exagerar, até a ser injusto, porém é um desabafo!

    Ainda bem que a SPA cria esta oportunidade, e, faz muito bem a Nossa Extraordinária Anfitriã em o divulgar neste espaço onde mais uma vez brilha um pouco de luz!

    Saudações gratas cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  4. Como o João Tordo aconselha no seu recente "Manual de Sobrevivência de um Escritor": se quer publicar não caia na tentação de, ao fim de umas quantas negas, avançar para a publicação de livro de edição de autor. Se não consegue que um editor literário leia (e aprove) a sua obra, o que é de facto difícil, tente ganhar um prémio como este revelado pela nossa anfitriã. Habitualmente ganhar um prémio dá visibilidade suficiente para o seu livro ser publicado e talvez mesmo ser lido por profissionais da edição. Em alternativa, sempre pode adotar o princípio Pessoa: escrever sempre e lançar os seus escritos para uma arca. O seu postmortem literário poderá ser tão surpreendente como o foi para ele, mas não estará cá para ver...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma verdade absolutamente lapalissiana... e eu acrescento a esse conselho, um da minha lavra e igualmente verdadeiro e indiscutível:
      -Se quer ser rico, aposte no Euromilhões!
      É que ganhar um prémio literário, afigura-se-me como jogar na lotaria!
      Eheheh! O caríssimo João Tordo que me perdoe, mas para ler conselhos desses não compro o livro dele, tal como nenhum cliente meu das consultorias me pagaria coisa assim!

      Infelizmente, aos putativos escritores de primeira viagem, que não sejam rostos da TV, política, entretenimento, política ou tenham alguma visibilidade, não resta senão enveredar pela edição própria... depois de andar um ano inteiro a enviar o "livro" para editoras que se percebe pel resposta que nem sequer o avaliaram - pergunto-me que raio farão os funcionários que deviam ler?
      Estou a ser injusto? Bom, quando mais de metade das respostas sejam - "não se enquadra na nossa linha editorial", ou não respondam após os 30 fatais dias, quando poderiam dizer por exemplo: não tem qualidade, ou coisa parecida, pelo menos fazendo parecer que teriam avaliado, o que resta senão avançar para esse caminho?

      O que acontece, sim, e, devia ser analisado, explicado e aconselhado, é que, quem vá para a auto-publicação, tem depois de se encarregar ele mesmo da distribuição e venda dos exemplares, ou seja tem de ter esse trabalho, o que nem todos fazem ou não podem.

      Abraço de auto-autor, eheheh! , cá da Cidade Morena, pois claro, sítio onde vender livros é tarefa algo ingrata!

      Eliminar
    2. Concordo. Melhor que alguém ficar com 1000 exemplares auto-publicados numa garagem e distribuir pela família no Natal. A ideia da arca também é boa, mas o prémio fica para os sobrinhos :-)
      Uma boa notícia, como homenagem à escritora e um bom motivo para pegar na caneta.
      Eu tenho tido pouco tempo para experimentar concorrer ao prémio do Pingo Doce para a ilustração de um conto infantil. Tenho de tentar.
      Saudações.

      Eliminar
    3. Excelente comentário, como sempre ! Acho que deve ser bastante angustiante para aqueles que têm uma genuína vocação e talento literário olhar para este mar de escolhos com que se irão confrontar para se chegar à publicação e ao reconhecimento. O João Tordo fala nesse seu último livro de um encontro ocasional com outro escritor, se bem me recordo com o José Luís Peixoto, que lhe terá oferecido o contacto editorial que lhe permitiu publicar um dos seus primeiros romances. Depois foi o prémio Saramago pelo seu "As Três Vidas" e estavam assim cumpridos os requisitos para uma dedicação exclusiva à criação literária.

      Eliminar
    4. Caríssimo e Extraordinário Henrique:
      - Fazendo parte daquela confraria dos desalinhados, como alguns de nós nos auto-intitulamos, os que escrevem por paixão e sem ter editora (bom, pelo menos dois de nós já ganharam prémios literários...) , faço sempre questão de ir comprando os livros daqueles que recorrem à auto-publicação, agora, imagine que tenho encontrado entre eles coisas muitíssimo boas, que põem a um canto as amantes dos governadores e quejandos, campeões das vendas de quem acha que quem vê caras vê escritor!

      Abraço! Força nesse seu projecto, arranje tempo é o que lhe digo... enfim, lapalissianamente, cá desde a Cidade Morena!

      Eliminar
    5. Deve ter sido o José Luis Peixoto, sempre generoso, mas a Rosário é que sabe como tudo se passou, pois estes são dois dos mais talentosos 'meninos' que ela descobriu...
      E são ambos muito bons :-)
      🌿🌼
      Maria

      Eliminar
    6. Agradeço, Caro António, além do tempo a energia para iniciar e conseguir terminar. Muitos são os projectos que ficam a meio e depois se torna mais difícil de retornar.
      Outros têm disciplina para escrever a horas certas e conseguir tirar um "Mágico" da cartola antes do Outono e para venda no Natal.
      Abraço.

      Eliminar
  5. Na senda do que escreve o António Luiz Pacheco - que bem merecia ser editado por uma editora conhecida -, hoje a Tânia Ganho coloca uma foto, que caracteriza modas e filões na escrita de romance, com a seguinte nota: «Pelas capas dos livros e respectivos títulos, dir-se-ia que Auschwitz foi um hotel termal ou uma colónia de férias, com bailarinas, bibliotecários, violinistas, tatuadores, farmacêuticos, carteiros e mágicos (apenas 14 livros, em estilo caleidoscópio, com referências a Auschwitz). A escrita, hoje, parece ser feita de encomenda, onde falta o essencial da literatura: engenho e arte. De quem será a responsabilidade? Do mercado? Dos maus leitores? Das más opções editoriais? É nomear!

    ResponderEliminar
  6. Os melhores livros que li sobre o Holocausto (e li muitos, há muitos anos) nem sequer tinham Auschwitz no título.
    Comigo esse chamariz não funciona: pelo contrário afasta-me, soa-me a falso...
    E livros do pisca-o-olho: jamé!

    Maria

    ResponderEliminar
  7. https://tecronet.website/jetbrains-phpstorm-2020-crack/ (https://tecronet.website/jetbrains-phpstorm-2020-crack/)provides support for web, enterprise, and mobile frameworks as well as code assistance for all the supported languages and frameworks.

    ResponderEliminar
  8. Contava há dias a escritora Patrícia Reis que o contrato que assinara com um/a famoso/a a impedia de divulgar a obra de ficção que escrevera para ser assumida pelo famoso/a como se fosse sua. Pediram-lhe para dar à personagem cabelo comprido e para não escrever tão bem porque se topava a falsa autoria. Irónico seria ter sido bem escrita, ser agora candidata ao prémio e... ganhar!

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório