Três irmãos

Muitos dos escritores, nos primeiros tempos da pandemia, viveram aquilo a que eu chamaria agora, para simplificar, um «período branco», querendo com isso dizer que a tensão provocada pelo medo da doença e/ou o confinamento os impediu de criar. Contudo, isso é coisa que não se pode dizer de Gonçalo M. Tavares, que não parou um instante de dar à pena e cujo diário foi/está a ser publicado pelo semanário Expresso há várias semanas (embora não na íntegra, o que indicia que ainda há-de sair provavelmente o todo num livro). Mas não foi só: escreveu no mesmo período a peça Os Três Irmãos, encenada pelo coreógrafo Vítor Hugo Pontes e com estreia marcada para amanhã no Teatro Viriato, em Viseu. O texto fala de uma família em espaço fechado e do «desaparecimento» de alguns dos seus membros sem que os outros se possam despedir deles, o que é uma excelente alegoria destes tempos negros. É igualmente uma boa notícia que uma coisa tão negativa como este vírus sirva para a criação,  que é coisa positiva. Em Lisboa, o espectáculo só poderá ser visto lá para Fevereiro, no S. Luiz. O meu livro preferido de Gonçalo M. Tavares é Jerusalém, que aconselho vivamente.

Comentários

  1. Não é de admirar... os tais "tempos difíceis", de que ontem se falava, ou os tempos negros que hoje se referem, sempre foram igualmente tempos de criação literária e inspiraram muita obra escrita.
    É uma reacção perfeitamente normal e até expectável, penso eu, Gonçalo M. Tavares entra nessa corrente e tradição.
    Outros? Aguardemos, pois ainda a procissão vai no adro, como costuma dizer-se, mas aposto que deve haver já muita pena... perdão, muito dedo a mexer nesse sentido.
    E, porque nos deixaremos abater? Pergunto?

    Saudações cá da Cidade Morena, em feriado prolongado, que não para mim, pois vou ter um intenso fim de semana de trabalho, em vez de quatro dias de pesca que se anunciavam alegremente, o que porém não me abate. Haja peito, que é isso que de nós se espera .

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  2. "JERUSALÉM" é um grande livro do melhor que li dos escritores jovens, tal como também gostei imenso de "MATTEO PERDEU O EMPREGO".

    Por outro lado o péssimo "CANÇÕES MEXICANAS" foi do pior que li deste jovem e grande escritor.

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  3. A julgar pelo número de comentários, parece que Gonçalo M. Tavares não goza, como escritor, de grande estima por parte dos Extraordinários. Ou estarei enganado?

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    Respostas
    1. Caríssimo,

      Não sei responder à sua questão, eu gosto muito de muitas coisas do Gonçalo, que conheço de outros campeonatos, e não gosto de outras, demasiado eruditas para mim.
      Sempre lhe digo isto: se alguma vez Portugal voltar a ter um nobel na literatura, aposto as minhas fichas no Gonçalo M. Tavares.

      Rui Miguel Almeida

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    2. Saramago disse em 2005, aquando da entrega do prémio pelo livro Jerusalém, que "O Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever assim aos 35 anos: dá vontade de lhe bater."
      E vaticinou-lhe o Nobel...
      Talvez acerte, já que acertou quando disse que nos próximos 20 anos seria pouco provável atribuírem outro Nobel à língua portuguesa - e já passaram 22 anos.
      Gosto do GMT e foi com orgulho que num determinado mês, ao comprar as habituais revistas literárias francesas, descobri que ele era tema de capa e entrevistado em todas elas, por ser o vencedor do melhor romance traduzido em França.
      Não dei por nenhum jornal abrir com essa notícia : afinal quem é que liga a estes golos?
      Talvez meia dúzia de Extraordinários...
      🌿🌼
      Maria

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  4. O Gonçalo M. Tavares é o mais profundo, eclético e criativo escritor da sua geração. Não tenho dúvidas de que os seus livros ficarão para a posteridade.

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  5. Li o Jerusalém há bastante tempo, foi o primeiro livro que li dele, não foi fácil entrar naquela forma de narrar, estranhei, tenho lido o seu diário no Expresso, não é escritor de grande público, quanto ao Nobel, pode ser que um dia...

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  6. Li “Jerusalém “e vários outros de que gostei muito.Houve também alguns que pura e simplesmente não me agarraram.De qq maneira é um escritor interessante e com pontos de vista que nos fazem pensar.
    Quanto ao prémio Nobel será sempre uma incógnita (até ao dia),mas mesmo esse (Nobel)já não tem quanto a mim o mesmo valor.
    Bibi

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  7. Voto em "Aprender a rezar na era da técnica"
    Boas Leituras
    cp

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