Os dias de Mário Cláudio
Este domingo teremos a última oportunidade na Feira do Livro de Lisboa de comprar livros do escritor Mário Cláudio (e de outros autores, bem entendido). Entre os seus títulos publicados pela Dom Quixote, encontra-se Tríptico da Salvação (o romance a que foi atibuído recentemente o Prémio de Romance e Novela da APE-DGLAB, sendo Mário Cláudio o único autor a ter recebido este galardão por três vezes), mas também um volume acabadinho de «sair do forno» da LeYa intitulado Três Novelas, que reúne os seus primeiros três trabalhos de ficção há muito esgotados e que nunca tinham sido publicados num só volume: Um Verão Assim, As Máscaras de Sábado e Damascena. Paralelamente, sai o volume de ensaios comemorativo dos seus 50 anos de carreira, Trilogia do Belo, com organização de Maria Celeste Natário e José Vieira e textos de muitos estudiosos da obra do mestre. Na próxima segunda-feira, o escritor recebe o Prémio da APE na Fundação Gulbenkian, numa cerimónia em que serão respeitadas todas as normas de segurança. Estes são mesmo os dias de Mário Cláudio.

Permitam-me que recorde um pequeno livro de memórias literárias do Mário Cláudio: "A Alma Vagueante". Acho-o uma pérola porque nos aproxima do que foram como pessoas muitos dos grandes escritores portugueses da segunda metade do século XX, mais velhos do que Mário Cláudio, e que ele retrata, com base em contactos pessoais que com eles teve, com muita generosidade e também alguma ironia, mas uma ironia sempre elegante e com um bom gosto que, mesmo quando o comentário não é laudatório, nos deixa um sorriso nos lábios (por exemplo, a sua apreciação sobre a súbita e contrastante mudança no modo de vestir de José Saramago). É um livrinho cheio de histórias curtas que nos aproximam das pessoas concretas que foram estes criadores literários já desaparecidos e que tanto admiramos. Aparecem-nos vivos, de carne e osso, com grandezas e defeitos iluminados pela beleza da escrita e do olhar crítico de Mário Cláudio.
ResponderEliminarDo tipo de livros que gosto. Livros com vida dentro. Não conhecia. Obrigado Artur.
EliminarE somos dois... sobretudo porque aprecio a forma de escrever de Mário Cláudio!
EliminarEstes são mesmo os dias de Mário Cláudio. Muita parra e pouca uva.
ResponderEliminarComo é na parra que reside o sabor da uva, ainda bem que há muita... mais rico e sápido será depois o produto final, o vinho!
ResponderEliminarCreio que Mário Cláudio é dos últimos grandes escritores portugueses, naquilo que entendo como tal, não quero dizer que não haja outros portugueses que não o sejam grandes escritores, o que não serão é portugueses, povo, provincianos, humanos, descritivos, e, académico!
Vai daqui a minha saudação para ele, pela bonita carreira, desde terras de Benguela, a Cidade Morena.
Não podia estar menos de acordo, mas ainda bem que assim é, uma dissonância é sempre bem vinda quando o coro se torna esmagador.
EliminarDiscordar é salutar, e, um exercício de liberdade.
EliminarSe todos gostássemos do mesmo... era uma chatice!
Votos de Bom Fim de Semana!
Grato. Igualmente para si.
EliminarBem haja, e o melhor do mundo para si.
ResponderEliminarPor favor, perdoe-me por abordá-la desta forma tão ,"incorrecta", digamos. Servindo-me do seu blog e da pagina de um amigo. Tenho uma experiência de vida, no mínimo peculiar, e escrever sempre foi mais do que um sonho, um objectivo de vida. Escrevi um livro, mas; e não me pergunte porquê, apenas a si, me interessaria sujeitar a analise, tendo a Srª a especial e solidária atitude de o receber. Serei, pela sua garantida honestidade, sempre grato. Obrigado
Nestes supostos «dias de Mário Cláudio» também se pode incluir a constatação de que pela segunda vez em três anos ele ganhou um prémio literário atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores sendo ele presidente da mesa da assembleia geral daquela associação (o anterior foi o prémio de crónica, em 2018), assim suscitando óbvias e inevitáveis questões éticas?
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