O que ando a ler (e sejam bem-vindos)
Ora sejam bem-vindos de novo a este blog, findo que está o período de férias. As minhas foram boas e espero que as vossas também. O tempo deu para ler e reler muita coisa e nos próximos tempos falarei de tudo isso, mas hoje, como é de regra, aproveito para falar do livro que ando a ler e esse tem tudo que ver com a epidemia que actualmente assola o mundo, embora tenha sido escrito muitos anos antes de termos ouvido falar dela. Trata-se de A Peste, de Albert Camus, e em certas passagens parece que é um romance dos nossos dias, embora nele a doença esteja confinada a uma cidade cujas «portas» foram cerradas para a conter, não podendo dela entrar nem sair ninguém. E conheceremos, entre muitas outras personagens curiosas, um homem que cospe da sua varanda para cima dos gatos; o médico que deixou a mulher doente partir uns dias antes de eclodir a peste para se tratar na montanha e que agora só sabe dela por telegrama, nunca tendo a certeza se que o que lê é verdade; um homem que se enforca e pendura um aviso na porta para o salvarem; ou o jornalista que foi àquela cidade para fazer entrevistas para uma reportagem e ficou obrigado a permanecer num lugar que não é o seu e de que tem de sair a todo o custo, sob o risco de perder a namorada que arranjou recentemente. Quem narra a história é um mistério (suspeito de que terei de chegar ao fim para descobrir), mas, claro, os clássicos são o que há de mais seguro em termos de leitura e, portanto, estou a navegar em páginas pestilentas mas incrivelmente vivas. Espero que as vossas leituras também estejam a ser compensadoras. Bom regresso.
reli-o em dois tempos, no começo desta praga que põe em causa as nossas certezas e nos desafia como nunca. livro estimulante, camus em grande apuro de forma, excelente repto, senhora editora.
ResponderEliminarmjl
Já o li há uns anos e gostei muito. Neste momento estou a ler Viagem a Portugal de Saramago e estou a gostar muito :)
ResponderEliminarAinda bem que as ferias foram boas e desejo o mesmo a todos os extraordinários.Felizmente que já regressou o nosso blog,que me deixou muitas saudades.
ResponderEliminarQuanto as minhas leituras neste período não tenho nada de especial a assinalar.
Li "Margarida espantada" de Rodrigo Guedes de Carvalho,que na minha opinião se deveria chamar "Sheltox".Depois de uma narrativa mais ou menos conseguida,segue-se um pseudo-suspense sem solução aparente(o porquê do que aconteceu aos pais,as muitas hipóteses avançadas sem qualquer conclusão)e depois o chorrilho desenfreado do "sheltox".Gostaria de saber outros comentários sobre este livro.
Depois para descontrair li o ultimo de Joel Dicker "O enigma da suite 622".Nao me entusiasmou,pelo contrario,trata-se de uma historiazinha cheia de voltas e reviravoltas que se torna cansativa e sem conseguir agarrar minimamente o leitor.
Por favor cotem-me as vossas experiencias literárias.
Bibi
em primeiro lugar bem vinda de volta já sentíamos a falta das crónicas aqui no blog, quanto ao livro 'a peste' j'a o li há algum tempo e agora que fez referência a ele recordei alguma scoisas que já me tinha esquecido, provavelmente está na hora de reler.
ResponderEliminarLi A Peste e outros do Camus há muitos anos; li só agora As Viagens na Minha Terra do Garrett porque tive a oportunidade de visitar a Casa-Museu Passos Canavarro onde ele ficou hospedado em Santarém: lá está, tal e qual, o quarto onde ele dormiu e a varanda de onde ele lobrigou a lezíria do Tejo em todo o seu esplendor; Ando a ler "Judas O Obscuro" de Thomaz Hardy, O "Idiota" do Dostoievski e "Pensamentos" de Blaise Pascal. A Biografia de Dostoievski em 7 volumes de Joseph Frank fica para os próximos meses.
ResponderEliminarQue bela ideia ter divulgado a Casa-museu Passos Canavarro.
EliminarNão conheço mas, da próxima vez que for a Santarém, irei, certamente, visitar.
Que bela ideia seria se todos os Extraordinários que aqui comentam pudessem, para além dos livros, recomendar um monumento ou museu das suas terras ou daquelas que visitam...
Não conheço a Casa-Museu Passos Canavarro,mas fiquei curiosa e certamente irei visita-la numa próxima oportunidade.
ResponderEliminarQuanto ao seu comentário,adorei as sugestões.Ganda leitor!
Bibi
A Casa-Museu fica nas Portas do Sol, é preciso marcação prévia e é orientada pelo próprio Dr. Pedro Canavarro. Vale muito a pena. Aconselho vivamente.
EliminarOs dois últimos livros que li foram "As Velas Ardem até ao Fim" de Sándor Márai e "A Música da Fome" de Le Clézio.
ResponderEliminarNão fazia ideia que o primeiro livro fosse quase um monólogo (pela fama esperava outra coisa...), embora esteja muito bem escrito, esperava outra história.
"A Música da Fome", fala sobretudo sobre os comportamentos humanos em tempos de guerra... e da força de uma jovem, uma autêntica "barqueira da vida"...
e Olá! :))
EliminarLi A Peste (quase) por um acaso, por ter-me cruzado com o livro quando estava falho de leituras. Gostei muito, mas o que me ficou na memória foi a homilia do Padre Paneloux numa missa muito especial: "Só assim o cristão não se pouparia a nada e, fechadas todas as saídas, iria ao fundo da escolha essencial. Escolheria crer em tudo, para não ficar reduzido a negar tudo." Talvez por motivos muito pessoais não deixei de sentir aquela homilia como um verdadeiro murro no estômago. Espero que tenha gostado dessa parte.
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