Livrarias e cinema
Declarada a supremacia da imagem relativamente ao texto, os livros estão mesmo a ficar para trás e a ficção a ganhar terreno na forma de séries televisivas. (Uma tristeza, claro, para quem, como nós, adora o cheiro dos livros e gosta de pensar e ver dentro da cabeça enquanto lê.) Isso tem levado a que um número bastante grande de livrarias e editoras tenha tido de fechar portas nos últimos anos ; e, se as crises económicas não ajudaram, a pandemia foi outro drama para quem deixou de vender ao longo de meses (ainda há dias se anunciou o fecho da Cotovia). Mas dessas situações mais dramáticas é também possível fazer arte; e, no âmbito do festival Indie, hoje pode ver-se no Cinema Ideal, em Lisboa, às 19h30, um documentário que promete ser interessante. Chama-se The Booksellers, assina-o D. W. Young, e nele se fala das livrarias (e dos livreiros) de Nova Iorque desde os anos 1950, em que o número de estabelecimentos quase chegava às quatro centenas, e os nossos dias, em que, infelizmente, já não chegam a cem. Lojas antigas e belas, como a que mostrei aqui há tempos desenhada por Frank Lloyd Wright, e lojas modernas e sofisticadas respondendo a exigências tecnológicas, haverá para todos os gostos neste documentário onde também serão ouvidos os livreiros. Se puder ir, não falte: o cinema também precisa de leitores. (O documentário repete no mesmo local no próximo sábado, às 21h45.)
A propósito de livrarias: voltaram as filas de visitantes à porta da Lello, apesar do deselegante recente comentário da criadora de Harry Potter, talvez reflexo de ela não guardar uma grata memória emocional dos anos que viveu no Porto. As livrarias também precisam de uma narrativa.
ResponderEliminarExactamente! O cinema precisa de leitores e de escritores! As duas artes devem complementar-se e muito do público do cinema é, também, bom leitor. Infelizmente não em quantidade suficiente para evitar o fecho da Cotovia ou o que se está a passar com a livraria Barata. Depende de nós, pais, escolas criar leitores mais novos (designadamente pelo exemplo, isto é, lendo) e, aos sucessivos Governos deste país, perceber que sem cultura, educação e sem artistas não há riqueza nem desenvolvimento económico!
ResponderEliminarComungo do que diz sobre a complementaridade do cinema e literatura.
EliminarFazer cinema sem escrita, pode ser possível, hoje há aparelhómetros para tudo, mas nem será fácil nem para amanhã. Mais depressa nos cairá o céu em cima das cabeças!
O fecho da Cotovia é uma notícia triste. Gosto muito dos Clássicos e espero comprar uns quantos na Feira do Livro, já que é a última vez que a Editora está presente.
ResponderEliminarActualmente diz-se que fazer uma refeição num restaurante premiado não é comer mas viver uma experiência, penso que as livrarias mais belas e com história são as que conseguirão sobreviver. Toda a gente compra online, mas é necessário mexer nos livros e sentir a atmosfera da livraria para a compra ser psicológica. A compra online é feita por sugestão de amigos ou pelos comentários (verdadeiros??) de outros leitores, mas numa livraria podemos ler alguns trechos, mexer no objecto e decidirmos a compra.
As livrarias, cada vez mais raras, terão de apelar à experiência da pessoa. Mesmo nas FNAC que antes adorava ir para ver de livros, já não me cativam porque os livros vão ficando ao fundo atrás dos electrodomésticos. Penso que falta criar temáticas na exposição dos livros.
Se colocassem o cheiro de pão quente ou comida na zona de livros de gastronomia...
É necessário apelar a todos os sentidos.
Saudações a todos!
Gostei muito de ler o seu comentário... mais uma vez!
EliminarAinda bem que estamos de volta, vivos e com sensibilidade.
Grande abraço , Extraordinário Henrique Vogado!
Muito obrigada!
ResponderEliminarFecham as livrarias... afinal fecha tudo, acaba tudo, extingue-se tudo como ao lince! As compras fazem-se concentradas e on-line, o caminho vai sendo esse, diz-se.
ResponderEliminarVeremos até onde ou até quando... pois há modas e há a tradição, as modas passam, as tradições ficam, mas para que sejam tradição é necessário haver quem as pratique e mantenha, aí reside a questão. Manter, praticar, gostar, defender, divulgar!
Alguns resistentes, mantêm tradições como o folclore! As práticas religiosas que de pagãs passaram a cristãs assim se mantiveram Os aficcionados a despeito do cerco que lhes movem, mantêm viva a Festa Brava... os caçadores mantêm a caça... falo do que conheço e me rodeia, porém, olhemos em redor e perceberemos que vivemos na actualidade num cerco, acossados pelos que sentem e pensam diferente, que tentam a todo o custo acabar uns com os outros. O importante na maioria dos casos nem é defender o que se gosta mas sim acabar com os "outros".
Nós, leitores de papel, somos apenas mais um grupo, e, dentro de nós, quando tentarmos acabar com os outros que pensem ou sintam de outro modo, que gostem de outras coisas que não entendemos ou julgamos desprezar, lembremo-nos daquilo em que não somos como todos os demais e que tentam impedir-nos ou eliminarmos.
Seria bom tema de reflexão, este, para os que gostamos de ler, de biografias, de temas históricos, de humanidades, de arte, dos clássicos, dos modernos, do ensaio, da poesia...
Saudações de um resistente, expatriado, na Cidade Morena!
Bom dia com alegria
ResponderEliminarEu por mim isentava de IVA os livros.
Concedia beneficios fiscais a quem os comprasse.
A questão é que a cultura e a instrução não se decreta.
É um trabalho difícil e diário.
Tenho 2 filhos que agora descobriram o Harry Potter.
Aquilo é como o eucalipto, seca tudo á volta...
E com écrans então nem se fala...
Ler é cada vez mais dificil nos dias de hoje
Obrigado pela "terapia de grupo"
Boas leituras
cp
Mas o Harry Potter é tão bom! Repare que são 7 livros, é preciso persistência na leitura para os ler a todos, e quem se disponibiliza a lê-los, dá o passo certo para continuar. E além disso, é de uma imaginação vertiginosa, e a imaginação faz muita falta para fazer o mundo avançar. E a magia, mais particularmente ainda, pois permite sonhar com o impossível. Deixe os seus filhos lerem o Harry Potter, e se conseguir, leia-o também. Eu leio livros mais “sérios”, mas também li o Harry Potter. Envolvi-me de tal maneira naquelas histórias que não conseguia esperar pela tradução, e li os últimos livros em inglês, mal saíram. Depois contava a história aos meus filhos, na altura bem pequenos. Lembro-me de um ano em que o comprei no Algarve, imediatamente antes de regressar a Lisboa e deixar os meus filhos mais uns dias com o pai, que tinha mais férias. Vim a ler o livro no Alfa, e a sorrir para vários outros adultos que liam a mesma versão inglesa, na mesma carruagem. Os miúdos ficaram tristes com a interrupção da história por isso quando cheguei a Lisboa, passei a enviar mails à noite ao meu marido com o resumo da história que lera nesse dia, para ele lhos ler ao deitar. Eles ainda se lembram disso, e há pouco tempo consegui localizar esses mails e eles deliraram quando lhos reenviei. (P.S fui confirmar agora e são mails de Julho 2007, há 13 anos, tinham eles portanto 8 e 10 anos). Estas memórias ficam para sempre e todas as memórias relacionadas com livros são boas memórias :)
EliminarFilipa