Heranças

Há uns tempos, muito antes da pandemia, num dia chuvoso, fui ali para os lados da Sé participar nas filmagens de um episódio de uma série de TV dedicada aos vencedores do Prémio Literário José Saramago, cujo autor é o jornalista Carlos Vaz Marques e a realizadora Graça Castanheira. A série Herdeiros de Saramago, que vai falar de vários escritores e da sua vida quotidiana e passada, era para estrear em Junho, mas atrasou-se com o diabo do vírus. No último sábado, porém, vi em ante-estreia, no Indie, quatro episódios: o respeitante à brasileira Adriana Lisboa, os que se dedicam a Paulo José Miranda (o primeiro vencedor) e Ondjaki (que ganhou em 2013) e aquele em que eu mesma fiz uma perninha (João Tordo). Fiquei muito bem impressionada. Na TV verei, por isso, os outros, que serão sobre José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, Andréa del Fuego, Julian Fuks, Bruno Vieira Amaral e Afonso Reis Cabral). Estreiam na RTP em Novembro. Deixo-vos com uma foto do mais recente premiado numa das cenas do seu episódio.


117951975_2724276167861965_2361326326317260744_o.j


Sugiro como leitura os livros destes herdeiros do Nobel. Há muito por onde escolher.


 

Comentários

  1. É uma excelente notícia, sem dúvida mas, conhecendo o que conheço da rtp, já estou a imaginar que vão passar a série lá para as 23 e muito, que é o que eles adoram fazer com os programas dedicados à literatura. Alguém lhes terá dito que as pessoas que gostam de programas culturais só vão para a cama de madrugada, e que todos tem boxes e tal...
    Mas não é verdade!
    🌿🌼
    Maria

    ResponderEliminar
  2. António Luiz Pacheco9 de setembro de 2020 às 02:51

    Será uma série interessante, se, de facto souberem aproveitar o tema e destacar aquilo que de interessante haja na vida de cada um, o seu percurso por exemplo...
    Há escritores que têm vidas interessantes, ou as tiveram... nas academias (os académicos), os que viajaram, os que fizeram coisas (outras coisas além de escrever). Mas também, ó desilusão, há os desinteressantes (em termos pessoais e de vivência). Veremos portanto se a realização sabe ir buscar a cada um aquilo que é interessante ou se fazem um documentário de chacha (como até é costume... ) cheio de grandes planos e de silêncios.
    Espero bem que a premonição da Nossa Extraordinária Anfitriã se verifique, por exemplo, Ondjaki arrisca-se a ser muito interessante.
    Na verdade, para mim, os escritores são sobretudo para ler... nem todos são Melville, London, Hemingway, Orwell, Tolkien, Salma, Mariana, e assim. Compreenda-se. Pessoa creio que tinha uma vida desinteressante, o seu espírito superior a superando (Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito? sic).
    Verne foi fantástico escritor, sem sair de casa ao que consta, tal como Burroughs! Mas fica a dúvida sobre a forma como naquela época lograram descrever os lugares que nunca visitaram... teriam o dom da viagem astral? Fica-me essa enorme curiosidade, despertada nalgumas subtis alusões.

    Portanto, os escritores podem ser deveras interessantes, mesmo sem aparentarem sê-lo, é o que se conclui! Assim o saiba ser o realizador, tendo a sagacidade e a arte de procurar o lado interessante, a visão para identificar o alvo e a inteligância para explorar o caminho.

    O horário... ai! Esse certamente que vai ser relegado para horas morcegosamente tardias... nem duvidem, como lamenta a nossa Extraordinária Maria.

    Saudações pós-cacimbo cá da Cidade Morena, onde nada acontece vai para meses, enfim, só coisas negativas.

    ResponderEliminar
  3. Saramago estará certamente orgulhoso de ter promovido com o seu Prémio a carreira destes excelentes escritores !

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório