Farmácia literária

Já aqui disse que muitos dos escritores portugueses estreados neste milénio são oriundos de áreas de conhecimento ditas científicas: engenheiros, físicos, arquitectos, médicos... o que não é, aliás, de estranhar, pois entre os estudantes de Letras estão provavelmente muitos que não entraram nos cursos que desejavam por falta de nota (é que para ir para Letras não são precisas, sabe-se lá porquê, médias altas). Mas as ciências sempre receberam bem as letras, e agora é o Museu da Farmácia que o vem provar com uma mão cheia de actividades: não só um clube de leitura (Rodrigo Guedes de Carvalho vai estar à conversa com os seus membros na noite de dia 29 sobre o seu mais recente romance, Margarida Espantada), como tem sessões de poesia (a próxima, com colaboração dos poetas Inês Fonseca Santos e António Carlos Cortez, é mais logo, às 19h00) e depoimentos de escritores sobre a criação e a leitura em tempos de pandemia. E há mais, claro, todos os meses, incluindo uma programação especial para crianças muito atraente. Vamos à farmácia tomar a cura para os nossos males? Vamos!

Comentários

  1. Acho uma ótima iniciativa e espero que se replique por mais pontos do pais.
    Quanto a programação,gostava que alguém que assista possa transmitir algo do que la e dito,nomeadamente comentários no Clube de leitura(sobre as obras e pelos autores) e também os depoimentos dos escritores sobre criação e leitura em tempos de pandemia.
    Bibi

    ResponderEliminar
  2. Curiosa constatação essa... a qual, aliás, já não é primeira vez que aqui é motivo de conversa.
    Uma farmácia literária é mesmo um achado... melhor só um hospital literário, eheheh!
    Será que o Ministério da Saúde entende como saúde pública aos benefícios da leitura? Talvez, pois parece que tanto o da Educação quanto o da Cultura não entendem assim... quem sabe o Ministério da Agricultura se aperceba também que semear para colher, é um princípio transversal a tantas actividades que não apenas as do cultivo da terra, mas ainda às do espírito - claro que com esta "menistra" tenho dúvidas que se cultive algo mais que o partidarismo cego e surdo, mas isso não é própriamente assunto para este lugar Extraordinário, onde nos vamos cultivando!
    Boas notícias essas, sinal de que a nossa literatura está bem viva, de saúde e se trata!

    Saudações adubadas e regadas, cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pegando na sua oportuna frase de longo alcance: " Será que o Ministério da Saúde entende como saúde pública aos benefícios da leitura?", tenho a dizer que me identifico com o seu teor, por considerar que os hábito de leitura (da população portuguesa) ou a sua falta, mais que uma questão cultural é um problema de saúde pública. fl

      Eliminar
  3. Livrarias e Bibliotecas Municipais =s a Farmácias; Livros e Jornais =s a medicamentos. fl

    ResponderEliminar
  4. As médias de entrada para cursos de ciências são mais elevadas do que as de letras e entre aquelas são mais elevadas as que proporcionam mais tarde remunerações maiores. A procura (e a média de entrada) é ditada pelas remunerações que se espera vir a obter.
    Para comparar um "mercado" com o outro basta confrontar o n.° de telemóveis/tablets, etc fabricados com o n.° de livros imprimidos. Também podíamos comparar o n.° de pessoas que procura hospitais/centros de saúde/consultórios médicos com o que acede a bibliotecas/salas de concerto/teatros/cinemas (excluo o entretenimento).
    Dantes as pessoas oriundas de letras ainda tinham a compensação de apresentar nos meios de comunicação social o resultado da sua análise sobre problemas candentes, sobre assuntos na ordem do dia. Mas a análise foi substituída pela opinião e hoje prevalecem os comentadores, pejorativamente designados por paineleiros.
    Para os oriundos de letras o "mercado" está cada vez mais reduzido, a procura dos cursos que os formam cada vez menor, a média de entrada cada vez mais baixa.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário