Alto e em grupo

A EU Read, um consórcio de entidades que trabalham para a promoção da leitura (PNL incluído), lançou uma campanha que visa a leitura em voz alta e em grupo, reconhecendo os seus benefícios para as crianças. Chama-se, de resto, Reading loud, reading together. Os tempos não são os mais indicados para isto, bem entendido (o vírus obrigada ao uso de máscara e ao distanciamento social, nada práticos neste tipo de actividade), mas ela  pode ser praticada também em família. As vantagens são inegáveis: para lá do evidente desenvolvimento das competências de leitura, a partilha e a cumplicidade do grupo, bem como a sua identificação com o enredo e as personagens ajuda a criar momentos em que o desejo de continuar a ler é enorme (e isto, sim, é a motivação para a leitura). Além disso, a actividade ajuda a estabelecer laços afectivos, ensina a trabalhar em equipa, desenvolve a imaginação e o raciocinio e, entre muitas outras coisas, enriquece a expressão oral. O que falta é pô-la em prática, o mais cedo possível, nas nossas escolas e em casa. De pequenino se torce o pepino, e não me venham falar de falta de tempo, porque bastam dez minutinhos por dia.

Comentários

  1. É uma excelente prática com os miúdos. Li uns quantos em voz alta para a minha filha e ela gostava. E os miúdos adoram quando fazemos diferentes vozes para as personagens. No Jardins de Infância, as professoras fazem este tipo de leituras e também convidam pais para lerem com o grupo todo.
    E há sempre tempo para as leituras.
    Saudações.

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    1. Tal e qual, caríssimo Henrique!
      Fui criado a ouvir ler... depois li para os meus sobrinhos e filho, gostavam muito! A minha mulher que é educadora, tem uma grande colecção de livros infantis e lê para as suas crianças, aliás evita ao máximo pô-los a ver filmes, priveligiando as brincadeiras na rua e jogos, a leitura.
      Abraço leitor!

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  2. Acho que é uma Extraordinária iniciativa essa!
    Vejo em filmes, que a leitura em grupo é prática comum, logo tradição, nos anglo-saxónicos.
    Clubes de leitura aparecem muitas vezes, em filmes e séries, nos EUA e Grã-Bretanha.
    Parece que também em Cuba, é costume nas fábricas haver leitura para os operários - enfim imagino que não numa metalomecânica ou similar... mas nas de charutos, por exemplo.
    Entre nós, e já o contei aqui, nos serões antigos ou nas tardes domésticas, em que as senhoras faziam malha, renda, renda de bilros ou costuravam, lia-se ou o jornal ou algum romance, a par da telefonia. Creio que era costume em muitas casas.

    Digam o que disserem, seremos livres enquanto houver literatura! O fim dela, será o fim de muitas liberdades, só que ainda não o entenderam aqueles que importava perceberem-no, que são as pessoas, comuns, nós... mas sabem-no infelizmente e também "os outros", os inimigos do livre pensamento, os globalizantes... por isso não sei se estas iniciativas não serão pelo contrário para limitar ou dificultar, pelo menos enquanto não se reescrever a história, censurarem as obras clássicas e dos autores livres, para serem substituídas pelas "obras" dirigidas e escritas pelos favoráveis ao regima, que os há, cuidado!
    Parece que já há tentativas de "corrigir" certos clássicos porque achados inconvenientes.
    Há que espalhar a cultura dos tempos fáceis, não esqueçamos.

    Saudações livres e livrescas cá da Cidade Morena.

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  3. A fonética afina-se de acordo com modelo educacional ou não. A leitura propicia concentração e rítmo; principalmente coordenada em grupo. Excelente!

    Cláudia da Silva Tomazi

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  4. Em miúda, lia alto para a minha Avó, todos os dias. Eu praticava a leitura e ela podia ouvir as histórias favoritas, pois os olhos já não lhe permitiam longas horas de leitura. É sem sombra de dúvida uma forma muito especial de partilharmos a literatura com aqueles que mais gostamos.

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  5. A APOLOGIA DA LEITURA - a) Nos meus tempos livres tenho por hábito: ler livros e o meu jornal preferido. b) Porque leio eu ? Leio, porque a leitura de livros e jornais, sendo uma forma de entertenimento, são produtos baratos e estão ao meu alcance; c) Para que é que eu leio ? Leio para ter mais bem estar, saúde e educação; d) Como chegam, até mim, os livros e o jornal ? Sou eu quem escolhe e decide os livros e o jornal que vou ler. A escolha de um livro ou jornal é uma decisão pessoal, é algo de intimo, é como quem escolhe um vinho e, por isso, não permito que ninguém interfira nos meus gostos. Muitas vezes acerto nas minhas opções, algumas vezes erro mas, acabo sempre por gostar de ler o livro que procuro. Da mesma forma que não bebo um vinho qualquer, também não leio "qualquer coisa..", leio sim aquilo que me interessa e me dá prazer; e) A leitura de livros e jornais é só para ricos e literatos ? Não, embora esse preconceito, há muito instalado entre nós, tenha contribuido para afastar muita gente da leitura. A leitura está ao alcance de qualquer pessoa e deve ser considerada um gesto tão banal como comer: legumes, pão e beber àgua. A leitura proporciona-me bem estar, dá-me saúde e educa-me. fl
    franciscolaranjeir@sapo.pt
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    1. Aplaudo!

      Sobretudo o anátema lançado sobre quem lê... quem lê é literato, sim, pois é isso:
      - li·te·ra·to
      (latim litteratus, -a, -um, marcado com letras, instruído, culto)
      adjectivo e nome masculino
      1. Que ou quem tem vasto conhecimento em letras ou em literatura. = LETRADO
      2. Que ou quem denota erudição. = CULTO, DOUTO, ERUDITO, LETRADO ≠ ILITERATO
      3. Que ou quem se dedica à escrita. = ESCRITOR
      4. Que ou quem compreende com facilidade o que lê. ≠ ILITERATO
      "literato", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2020, https://dicionario.priberam.org/literato [consultado em 23-09-2020].

      Não é em si ofensivo, mas tem uma conotação negativa para aqueles que acham que quem lê muito, quem tem a paixão dos livros e da leitura, não vive a vida real, não é uma pessoa de acção, é mesmo um "tótó" ou panhonha que nunca sai do sofá!
      Ora aí é que está o grande erro daqueles que se julgam pessoas de acção, que vivem a vida... ignoram que nós, os leitores, vivemos a vida duplamente! Na realidade e nos livros, onde fruimos tantas sensações, fazemos tantas viagens.
      Modéstia àparte, considero-me exactamente assim, uma pessoa com duas vidas ( ou mais!) e venha um homem de acção confrontar o que fez na vida, comigo, o leitor que ama livros e até já escreveu alguma coisa... é que até me ria!

      Um abraço cá de Benguela e da acção, Caro Francisco Laranjeiro.

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    2. Obrigado pelo seu comentário. No respeitante a leitura - nos tempos livres - estou bem resolvido, sei o que quero e para onde vou. Como português, preocupa-me o facto de haver tantos portugueses q não têm hábitos de leitura e nada lêem, não por falta de livros ou jornais, mas por falta de esclarecimento.
      Cumprimentos,
      Francisco

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  6. Gosto imenso do conteúdo deste post, pelo elogio que faz da leitura. Em minha opinião, crianças, adolescentes e adultos, podem absorver o hábito da leitura (jornal/livro), se virem os seus pais lerem. O manuseamento (pelos pais) de jornal e/ou livro, de forma assídua e ao alcance de todo o agregado familiar, é meio caminho andado para a criação de hábitos de leitura. Se eu o digo é porque sei do que falo. Os meus pais liam, principalmente o jornal, e jamais me disseram para eu ler (eu só tocava no jornal quando o meu pai não estava em casa...) e, tornei-me leitor, até hoje... !
    Muita saúde.
    Francisco

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