Pensar com a poesia
Hoje começa um curso por Zoom ministrado por António Carlos Cortez (professor e poeta) que me apraz divulgar. Tem por título Poesia, Linguagem, Pensamento e vai acontecer até final do mês, duas vezes por semana, das 18h às 20h. Destina-se não apenas a jovens universitários ou professores, mas a toda a comunidade, desde que tenha alguma formação (animadores culturais, psicólogos, investigadores, advogados, médicos e até leitores como nós). É um curso que parte da tese de que o homem, na era em que vivemos (do algoritmo e da pobreza da linguagem tecnológica), está a perder claramente capacidades analíticas para depois tratar a relação entre poesia, linguagem e pensamento e sensibilizar para uma nova forma de pensar, recorrendo à obra de personalidades admiráveis como Steiner, Damásio ou Ortega y Gasset, mas também a poetas como Ramos Rosa ou Manuel Gusmão. Para os interessados, deixo o link abaixo. As inscrições decorrem até 11 de Julho.
https://www.facebook.com/antoniocarlos.cortezletras/posts/175517940673635
Já que o curso que acima referi é de poesia, recomendo a Poesia Completa de Maria Alberta Meneres, se calhar mais conhecida do público pela sua extensíssima obra para crianças, mas uma grande poeta que urge ler.
O que me faz confusão é chamar-se a estas iniciativas, válidas para todos os que querem saber mais sobre a poesia, "cursos".
ResponderEliminarA melhoria dos conhecimentos, a divulgação do saber, não tem de ser um "curso"...
É curioso que Maria Alberta Meneres divulgue agora a sua poesia (algo que provavelmente sempre fez parte da sua vida...).
Olá Luís: a autora morreu o ano passado.
EliminarSandra Neves
Sandra, os escritores são imortais. :)
Eliminar(fora de brincadeira, não me recordava. Não fui ver a data da edição do livro de poesia, mas espero que a obra tenha sido editada com Maria Alberta Meneres viva e com com poemas escolhidos por ela)
Creio que a edição, da Porto editora, a que a nossa anfitriã se refere, é póstuma. Um abraço,
EliminarExtraordinária iniciativa!
ResponderEliminarNo tempo onde sobra a poesia, mas faltam a análise, o pragmatismo e sobretudo o conhecimento e o saber acumulado.
Sobra a poesia, pois as idéias poéticas, pelo absurdo, irrealidade, inconsequência, ilógica e vãs, se divulgam como nunca, como se a poesia fosse apenas isso: palavras fúteis, lindos sentimentos irrealistas, sonhos... Aliás se diz popularmente: "és um poeta"! Sendo prova de como se vê a poesia... apenas lírica!
Falta a análise, pois poucos pensam de forma analítica, pensam sobretudo através das idéias de outros ou de imagens formatadas e pré-concebidas.
Falta o pragmatismo, porque num mundo cada vez mais virtual, onde o parecer importa mais que o ser , cai-se no faz-de-conta, no parece-bem... o tal políticamente correcto, irresponsável e sem medir as consequências... lá está, porque falta a análise.
Falta conhecimento, pois no bolso vem o cérebro digital, com a informação instantânea daquilo que precise saber-se: - É só passar o dedo num visor, portanto porquê perder tempo a adquirir conhecimento? Faz falta para a análise lógica? Claro que faz, mas como o que importa é colarem-se às correntes divulgadas, a análise é feita por comparação com o que vai na moda e corre na net!
Saber acumulado... quando se pretende romper com tudo, fracturar a existência a nível global, criar uma nova ordem, uma sociedade sobretudo manipulável e controlada, construir o homem novo com um chip em vez de coração e cérebro, o saber acumulado nem interessa como é perigoso, e, começa-se a apagar, reinterpretar e reescrever a história no sentido e segundo o interesse dos novos líderes de opinião e seus arautos ou esbirros, para essa finalidade: apagar tudo da memória de todos! "Eles" já apagaram...
A poesia, de que não sou grande consumidor de modo geral, mas entendo como uma forma e um caminho para a filosofia, para o saber e o entendimento, dos homens, do Mundo e das coisas do Universo, deve mais do que nunca ser apresentada como tal: Shakespeare, Camões, Coleridge, Pessoa, Régio, António Gedeão... entre muitíssimos outros, e peço desculpa de a lista ser tão curta mas já expliquei que não sou consumidor, quem os leia ou tenha lido alguma coisa, percebe-lhes o que está por dentro, o conhecimento e o saber que reúnem e que transmitem a quem leia com capacidade de análise e algum saber, que queira compreender o que lá está!
Mas isso creio que tem mesmo de ser orientado, ajudado a compreender! É o que pode fazer uma iniciativa deste género... estarei enganado?
Saudações poéticas de uma traça com pretensões filosóficas... há dias assim, cá na Cidade Morena!
Boa noite com alegria
EliminarPergunto se porventura já teve opotunidade de ler alguma coisa de Byung Chul-Han.
Não é poeta mas partilha algumas das preocupações por si expressas.
A Relógio d´Água edita-o em pequenos livros, caros (na óptica do leitor português, que tem á sua disposição, no MB, notas de 10 e 20 eur, não 100 e 200eur como, por ex, os belgas)
Quanto á poesia, também não é a minha praia, mas já "consumo" mais, em doses esparsas.
Prometi a mim mesmo comprar, de Adília Lopes, a sua "Dobra", na feira do livro.
Acho que a poesia deve mexer com o nosso interior.
Esta, não sei porquê, de algum modo, mexe.
Boas leituras, boas férias e boa pandemia
cp
Oh, sim! Essa obra "Dobra" de Adilia Lopes foi objecto de imensos comentários na Europa durante a tarde de hoje e especialmente em Paris. Uma obra imensa, monstruosa. Até o Nicholas assim entendeu: monstruosos!
EliminarCom uma vertente ecológica, como na parte em que um ministério do ambiente é oferecido contra a divisão de património protegido tendo sido, compreensivelmente, recusado.
Mas quem não tem vergonha ainda se sente capaz de gizar comentários idiotas ao nivel dos seus baixíssimos carácter e inteligência.
É caso para parafrasear o rei juan carlos na sua mais certeira tirada: por qué no te callas?
Sandra Neves
"Quatre Gifles" foi a expressão francesa utilizada. E, de facto, só se perdiam as que caíssem no chão...
EliminarByung Chul-Han? Nunca ouvi falar!
EliminarMas tomei devida nota da sua informção e vou tratar de me informar.
Grato pela sua atenção, um alegre abraço cá da Cidade Morena!
Começa hoje e aguardamos com o coração a pulsar no céu da boca. Não querendo alardear a minha juventude, Maria Alberta Meneres visitou o meu liceu nos idos de 1983 e fui escolhida como representante da escola para interpela-la. Foi um encontro inolvidável. O único, infelizmente. Tinha dez anos e fui seleccionada por ser a melhor aluna do ano. Ainda não tinha lido "o cemitério de pianos" do José Peixoto, livro que nunca esquecerei e ao qual serei sempre leal, e, decerto, me acompanhará toda a vida, em cada discurso falado ou escrito, incluindo nestas semanas tão felizes de reencontro com a literatura, passado o infindável tempo do "Luto de Elias Gro" do nosso João Tordo. E, quem sabe, da troca de correspondência não nasce uma antologia a publicar pelas novas gerações? Beijinhos animados da
ResponderEliminarSandra Neves.
. Aprende a gostar de ti .
ResponderEliminar...
Muita saúde.
Cumprts de:
ler é o melhor remédio - nos tempos livres
https://lereomelhorremedio.blogs.sapo.pt/
Ui: quanta raivinha....vai ladrar para longe, vai. Csc, csc...
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