Olhos nos olhos

Desde ontem que o Município de Oeiras está a desenvolver, na página do Facebook das suas bibliotecas, um projecto que dá pelo nome de Ler Olhos nos Olhos e se prolonga até dia 16, substituindo os encontros presenciais (como se sabe, desaconselhados em tempos de pandemia) por conversas online. Para quem gosta de entrevistas com escritores, estes são encontros virtuais a não perder, uma vez que incluem personalidades nacionais e internacionais de peso, que certamente terão coisas muito interessantes para partilhar com o público sobre o respectivo ofício e as suas experiências de vida (e é gratuito, pois claro!). Além de João Tordo, que ontem abriu as hostilidades, vamos poder então «olhar nos olhos» autores como Mia Couto e José Eduardo Agualusa, mas também pensadores e grandes leitores como José Pacheco Pereira; haverá ainda lugar aos nuestros hermanos Manuel Vilas ou Maria Dueñas, aos brasileiros Heloísa Buarque de Holanda, Milton Hatoum ou Nélida Piñon e à celebridade Paolo Giordano (que para isto não precisa, graças a Deus, da protecção dos guarda-costas), entre outros. Consulte a página do Município de Oeiras sobre os dias e horários de cada conversa. Terá direiro a 22!


 


(Ai, lá me esqueci da recomendação... Obrigada a quem me lembrou. Aproveitando o embalo do comentário de cp, vou corroborrar a escolha de António Luiz Pacheco para o livro de Kennedy O'Toole, mas dizer que o autor tem outro livrinho notável chamado The Neon Bible, que não sei se está cá traduzido e vale a pena ler.)

Comentários

  1. Bom dia com alegria

    Continuo a ler este blog, não com a assiduidade devida, mas com o mesmo interesse e motivação.

    Este comentário está por isso algo desfasado. Devia casar com aqueles posts sobre Sugestões de Leitura

    É, na realidade, um pedido de ajuda aos Extraordinários.

    Convivo com familiar próximo que tem uma auto-imagem distorcida para melhor, a quem assenta que nem uma luva a tirada "nunca tenho dúvidas e raramente me engano".

    Isto apesar de o respectivo cônjuge ter requerido o divórcio vai para quatro anos, farto de tanta soberba e narcisismo. "Ele há pessoas eternamente insatisfeitas" - disse, referindo-se ao ex-cônjuge.

    Mesmo quando a realidade não encaixa nas suas convicções, não desarma, por mais factual que seja a questão. Por exemplo, cores de objectos. Sim, cores de objectos.

    Debalde tenho, temos, tentado apelar para a sua humildade (não abunda), para o valor da dúvida, para o raciocínio crítico (neste caso, auto-crítico, pois quando centrado nos outros funciona)

    Enfim, uma personagem...

    Pergunto ao Extraordinários se me recomendam algum livro que retrate uma figura com estes traços psicológicos.

    Pode ser que assim, ao ler, exista alguma identificação que acenda uma luz naquele pobre espírito.

    Grato pela atenção dispensada

    Boas leituras, boas férias e boa pandemia
    cp

    PS: Em traços bastante genéricos, encaixa que nem uma luva neste caso

    TSF - Duplo Sentido - "Um homem com expectativas impossíveis de concretizar"
    https://www.youtube.com/watch?v=qZitfm0yOew






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    Respostas
    1. António Luiz Pacheco2 de julho de 2020 às 04:00

      Extraordinário e jovial CP:

      - Assim de repente, lembro-me de, "O orgulho de Felícia" , da Condessa de Ségur... ahahah! Mas por brincadeira, é claro.

      Há muitas personagens em livros, como a que descreve... desde Keraban o cabeçudo, de Júlio Verne, ao incontornável "Uma conspiração de estúpidos" (John Kennedy Toole) e é este que lhe recomendo vivamente!

      Alegres saudações cá da Cidade Morena.

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    2. Caro Extraordinário Pacheco,

      Muito agradeço a sua pronta resposta.

      Já pensei no Alienista, de Machado de Assis, ou entrando, num campo mais técnico, "Como tornar-se doente mental", do psiquiatra Pio de Abreu, um livro que procura desmistificar a doença mental e combater o estigma em torno dela.

      Porém, estas escolhas afiguram-se directas de mais. E contraproducentes no caso em questão.

      O objectivo era algo mais subliminar, mas que funcionasse como ignição para o próprio.

      Utopia, talvez.

      Mas já vi quem faça destas escolhas literárias negócio. Há inclusivamente literatura sobre o assunto. É ir ao Google.

      Saudações de um Algarve ás moscas, português e com paisagens lunares, de tão desertas. (Um luxo nestes tempos pandémicos, uma sangria no PIB)

      cp

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  2. Bom dia,
    Uma iniciativa fantástica.
    E a recomendação de leitura?
    Ontem, regressei a Julian Barnes, um autor que admiro muito. Obrigada pela recomendação.
    Um Abraço,
    Sheila

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  3. Bom dia
    Com alguma frequência não recebo o Horas Extraordinárias no meu mail, não sei se é por falta de tempo da autora ou se quando envia alguns ficam para trás. Hoje não houve sugestão de leitura.
    Henrique Cheira

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  4. António Luiz Pacheco2 de julho de 2020 às 04:04

    Oeiras, na vanguarda...
    Uma boa idéia, sobretudo porque permite usar no seu melhor e da melhor forma, a internet!
    Os autores, gente que pensa e tem algo a dizer, ao alcance de todos, é algo de fantástico, abençoada modernidade que o permite.
    Abençoada modernidade que assim se eleva, não pela obliteração e desprezo mas justamente por fazer esta ponte.

    Saudações modernistas, cá da Cidade Morena!

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