Leituras

O jornal Público tem há bastantes anos um suplemento cultural denominado «Ípsilon», que sucedeu a um outro chamado «MilFolhas» que, por sua vez, foi o herdeiro do mais velhinho «Leituras». Pois bem, o «Leituras» está de volta, se bem que apenas online, para dar aos livros um espaço que o «Ípsilon» de papel infelizmente não tem para eles, talvez por ter de se dedicar a todas as outras formas artísticas. No suplemento digital, há, porém, lugar a pré-publicações, anúncios mensais das saídas de livros, entrevistas a autores e críticas mais densas. Portanto, a partir de agora, à distância de uns cliques, teremos tudo o que no «Ípsilon» dizia respeito a livros e ainda muito mais. Dirige o Leituras a jornalista Isabel Coutinho. O endereço é este:


https://www.publico.pt/leituras


Falando de leituras, deixem-me recomendar-vos dois títulos de que sou editora, uma vez que são finalistas do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores/DGLAB: Homens de Pó, de António Tavares, e Tríptico da Salvação, de Mário Cláudio. Os outros finalistas são de Ana Margarida de Carvalho, Djaimilia Pereira de Almeida e Francisco José Viegas. Em breve saber-se-á o vencedor.

Comentários

  1. Uma boa notícia!
    O Ípsilon é que me levava a comprar o Público às sextas, mas deixei de o comprar pelas razões que aponta.
    Tenho saudades do MilFolhas, ainda ali tenho uma caixa com alguns números especiais guardados, mas já estão tão velhinhos que deverão ir para reciclar na próxima onda de arrumações.
    Impossível guardar tanta tralha (no bom sentido), vão ficando as revistas literárias, bem mais resistentes.
    🌻
    Maria

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  2. 5 finalistas, 5 consagrados. O prémio da APE tem sido um prémio de consagração, portanto, é o esperado. Ganhará quem mais prémios tem recebido nos últimos anos: Ana Margarida de Carvalho? Escreve muito bem, mas poucos a leem (os seus enredos não têm a inventividade dos do pai). João Tordo, Isabel Rio Novo, Cristina Drios postos no gueto da APE?

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  3. Ah, o prémio... Sim, já li Viegas entre outros. Interessante o comentário (haja lata) Sr. Artur, discordo. Em atribuição à carreira e potencial a escritora Ana Margarida de Carvalho se lhe dispensa comparação. Passar bem

    Cláudia da Silva Tomazi

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  4. Parece-me que os seus autores andam a ser alvo de perseguição. Levam críticas destas:

    https://observador.pt/2015/11/24/um-romance-que-precisa-de-dicionario/

    https://observador.pt/2019/08/25/mario-claudio-nao-ha-muito-que-se-possa-salvar/

    E depois são nomeados para prémios. Não sei se desprestigia a crítica ou os júris, mas que fica mal, fica. Que alguém perceba este meio literário, já que eu não percebo nada

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    1. O jornal que cita tem uma grande carga ideológica. Lamento que a crítica literária esteja associada às opções políticas, legítimas, de cada autor. Eu tanto gosto da Ana Margarida de Carvalho, comunista confessa, como poderei gostar do Francisco José Viegas, pese o seu posicionamento político.

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  5. António Luiz Pacheco16 de julho de 2020 às 05:20

    Bom dia-bom dia, e uma dor ciática! Ai! Aqui dizem que é do DNA (Data de Nascimento Avançada) .

    Eu, traça dos livros, esvoaço por aí com a importância daquilo que sou, isto é, nenhuma... portanto sou livre de ler o que me apetece, sem ter de ligar a modas, parecer culta, nem sequer querer saber das críticas ao que leio.
    Ah, mas não se enganem comigo, se vôo por aqui é porque esta luz me atrai, tal como os comentários e as análises dos Extraordinários - de alguns deles, já sei quais!

    Portanto, quero lá eu saber de prémios ou encómios jornaleiros! Digam aqui os meus comparsas de tantas leituras, já com alguns anos de nos conhecermos, e a esses eu dou atenção, já os conheço e sei-lhes da isenção ou inclinações, e isso me basta.

    Não li "Homens do pó", ainda, porém é um livro que vou ler, garantidamente!
    Grato por me lembrarem aqui dele, e, gostaria de saber opiniões, não que me desviem da sua leitura, mas porque gostava de as ter, aqui dos Extraordinários que o tenham lido!
    Conheço o autor, e aprecio. Diria que está ao meu nível, não de traça mas de interesses e temática.
    Claro que conta com o apoio institucional da Editora, mas quem me-lo dera a mim, portanto ainda bem. Não é por isso que mudo de opinião ou deixo de o ler.

    Mário Cláudio, nem é fácil nem agrada a todos... mas confesso que me agrada a mim, são gostos, que se há-de fazer? Tem a carga de ser um nome de peso no panorama literário e académico? Tem... mas se o tem foi porque o alcançou, o que funciona como um pau de dois bicos e explica que haja quem goste e quem o inveje.
    Eu sou dos que o invejam. por ter alcançado esse estatuto, mas é uma boa inveja.

    Saudações dolorosas cá da Cidade Morena, onde se treme de frio - falo a sério! O guarda amanhece de casacão, barrete de lã e luvas... eu já me cubro com o lençol, sinal iniludível de frio, enfim...

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  6. Mário Cláudio ganha o prémio da APE pela TERCEIRA VEZ !!!

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    1. Artur: a verdade é que Portugal é um país pequeno e o meio literário é ínfimo. Existe uma ligação perniciosa entre política e literatura que não deveria existir (em outros países a maioria dos escritores não são politicamente engajados nem têm de ser). E no nosso país o PCP é particularmente actuante na defesa da cultura e dos seus. Existe também uma predominância masculina demasiado patente na nova geração de escritores. Enfim: com a globalização são particularidades que, felizmente, tendem a desaparecer. Sobretudo se forem adequadamente denunciadas.
      Sandra Neves

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    2. Mário Cláudio é um grande escritor (confesso que não li ainda esta sua última obra). No entanto, tenho pena que se dê um prémio de consagração três vezes ao mesmo autor, assim dizendo que são menores todos os autores que se seguiram a um escritor que já foi consagrado há quase 30 anos (em 84 Mário Cláudio recebeu o seu primeiro Prémio APE). Que tal criar uma clausulazinha impedindo que o mesmo autor receba mais do que uma vez o prémio da APE ?

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    3. António Luiz Pacheco16 de julho de 2020 às 06:29

      Como é hábito, concordo com o seu esclarecido comentário, e mais, com a sua avisada sugestão!
      Não que eu pretenda competir com Mário Cláudio, alguma vez, mas realmente parece haver redundância em atribuir o mesmo prémio por três vezes ao mesmo autor, independentemente de ser muito bom... é como confirmação, reconfirmação e re-reconfirmação!

      Mas não deixo de lhe dar os parabéns! E gosto particularmente desta tirada que li na notícia: "...a decisão foi tomada por maioria e premeia uma obra que revela “a extraordinária competência do autor para recriar ambientes: cores, sons, sabores”." (sic)
      Já agora, alguém me sabe dizer se ele é comunista? Não que isso me importe para alguma coisa, mas fiquei surpreendido com um comentário supra e estou curioso.
      No resto, mas a alguém passa pela cabeça que o alinhamento político de um escritor seja despiciendo, alguma vez?????

      Abraço Extraordinário Artur!

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    4. Caro António Luíz, a do comunista foi um tiro claramente ao lado (não era para o Mário Cláudio, talvez fosse para a Ana Margarida de Carvalho; mas todos temos o direito ao respeito pelas nossas convicções políticas, vide o meu muito amado e sempre coerente Saramago). Abraço.

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    5. Concordo consigo, Artur.

      Até Mário Cláudio deve estar envergonhado por receber este prémio pela terceira vez (este absurdo faz lembrar o Saramago, mas quando "perdeu" o prémio pela terceira vez...)

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    6. Concordo.
      Sandra Neves

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    7. Artur, tive curiosidade e fui espreitar a lista dos anteriores galardoados. Constatei que o comunista Saramago apenas venceu um vez, com o Evangelho.
      Não tirei apontamentos nem tiro conclusões (para quê?), mas deixo aqui alguns nomes que receberam o prémio duas vezes :
      Agustina
      Vergílio Ferreira
      António Lobo Antunes
      Maria Gabriela Llansol
      Ana Margarida de Carvalho
      e o já referido Mário Cláudio.
      Isto não quer dizer nada (da minha parte) até porque gosto da maioria destes vencedores, é apenas uma curiosidade.
      Contudo, concordo com o Artur quanto à tal clausulazinha. :)
      De qualquer modo, brindemos ao vencedor.
      🥂🍾
      Maria

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    8. E logo com os três melhores romances dele:
      - Memorial do Convento
      - O Ano da Morte de Ricardo Reis
      - Ensaio Sobre a Cegueira
      Incompreensível, inconcebível, inadmissível (e outras coisas acabadas em "ível"...).
      Ah, mas ganhou o que mais ninguém conseguiu até agora.
      🌻
      Maria

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    9. O problema não é tanto que Mário Cláudio tenha ganho o prémio de romance da Associação Portuguesa de Escritores pela terceira vez mas sim que o ganhe enquanto presidente da Mesa da Assembleia Geral da APE, o que configura uma situação no mínimo eticamente dúbia - e dois dos membros do júri (um votou nele, outra não) são seus colegas dos órgãos sociais, mais concretamente da Direcção. Aliás, há dois anos aconteceu o mesmo, mas com MC a conquistar o prémio de crónica, o que então denunciei:

      https://octanas.blogspot.com/2018/06/ocorrencia-fraude-na-spa.html

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  7. António Luiz Pacheco16 de julho de 2020 às 06:15

    É a terceira vez que Mário Cláudio é distinguido com este prémio, depois de o ter vencido em 1984, com "Amadeo", e em 2014, com "Retrato de rapaz".

    De acordo com a APE, que atribui o prémio em conjunto com a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), a decisão do júri foi por maioria, sublinhando-se "o invulgar domínio da língua portuguesa e o modo como [o autor] prende a atenção do leitor, criando linhas de expectativa na composição do xadrez narrativo".

    "Tríptico da Salvação", editado pela Dom Quixote, "volta a pôr em cena a extraordinária competência do autor para recriar ambientes: cores, sons, sabores", justifica o júri.

    Mário Cláudio é o pseudónimo literário de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, nascido em 1941 no Porto. Licenciou-se em Direito e lançou a sua primeira obra, um livro de poesia intitulado "Ciclo de Cypris", em 1969.

    Com uma obra que se estende pelo conto, novela, crónica, teatro, escrita infantojuvenil, ensaio e romance, Mário Cláudio já recebeu várias distinções literárias, nomeadamente o Prémio PEN-Clube Português de Novelística, o prémio D. Dinis e o Prémio Pessoa (2004), pela conjunto da obra.

    Mário Cláudio foi agraciado com as comendas da Ordem Militar de Sant`Iago da Espada, de `Chevalier des Arts et des Lettres`, atribuída pelo Ministério francês da Cultura, e da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

    No final do ano passado, recebeu título de doutor `honoris causa` da Universidade do Porto, pelos 50 anos de vida literária e pela colaboração cívica que desenvolve a partir daquela cidade.

    O júri do Grande Prémio de Romance e Novela 2019 integrou José Manuel de Vasconcelos Ana Paula Arnaut, António Pedro Pita, Cândido Oliveira Martins, Isabel Cristina Rodrigues e José Carlos Seabra Pereira.

    A escolha não foi unânime, porque Isabel Cristina Rodrigues votou em "A visão das plantas", de Djaimilia Pereira de Almeida, uma das finalistas ao prémio.

    Os outros finalistas ao prémio, anunciados esta semana pela APE, eram "O gesto que fazemos para proteger a cabeça", de Ana Margarida de Carvalho, "Homens de Pó", de António Tavares, e "A luz de Pequim", de Francisco José Viegas.

    Nesta edição tinham sido admitidas 60 obras a concurso.

    O Grande Prémio de Romance e Novela, instituído em 1982 e com 15 mil euros de valor monetário, é uma iniciativa da APE com o apoio da DGLAB, da Câmara Municipal de Grândola, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Instituto Camões.

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  8. Pela parte que me toca Mário Cláudio é dos bons escritores portugueses (nada fácil-o que não será propriamente uma desvantagem) e já li creio que 3 livros do Mário Cláudio e o que retive foi:

    -"Ursamaior"-gostei

    -"Camilo Broca"-li-o quase de seguida, e foi dos belíssimos livros que li!

    -"Retrato de rapaz"-uma grande estucha, um grande aborrecimento dos pés à cabeça".

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  9. Faço votos que seja Homens de Pó de António Tavares, gostei bastante do livro pela sua veracidade contada em jeito ficcionado e pelo seu autor, um excelente amigo, comunicador e contador de histórias.
    Fique bem
    Bjs
    Olga

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