Filho de peixes

Seguramente se lembram, pelo menos os que têm mais de quarenta, do grande jornalista desportivo Rui Tovar. Como filho de peixe sabe nadar, o seu filho Rui Miguel Tovar seguiu-lhe as pisadas, e é talvez um dos jornalistas desportivos portugueses que mais jogos internacionais viram na vida, deslocando-se a lugares bastante remotos e impensáveis para ver jogar equipas nacionais ou a selecção portuguesa. Mas não se ficou pelas notícias e reportagens a respeito dos jogos. Como é filho de peixe, é também filho de uma ex-editora que é há muito a tradutora do senhor Murakami, entre outros, já premiada mais de uma vez pelo seu trabalho e, portanto, ligada aos livros. E, assim sendo, Rui Miguel Tovar resolveu escrever sobre essas suas viagens futebolísticas para a nova colecção de Literatura de Viagens da Quetzal, a Terra Incognita, de que já aqui falei noutra oportunidade. Pela sua pena, saiu então recentemente um livro que cruza viagens inesperadas e o mundo do futebol. Chama-se Viagens sem Bola e fala de sítios como o Qatar, as Maldivas ou o Vietname, mas também a Sicília ou do Paraguai, reflectindo sobre as gentes, os lugares, a gastronomia e muito mais, como, claro, o futebol. Um livro bastante original para ler enquanto não podemos viajar de outra maneira.


Viagens sem Bola.jpg


Hoje sugiro Areias Brancas, de Geoff Dyer, um livro bilhante de «ensaios» sobre viagens a lugares onde a arte é frequentemente o objectivo primeiro e, de caminho, sobre a relação do escritor com a própria mulher.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco27 de julho de 2020 às 02:45

    Ainda há dias se falava (ou pelo menos tentou-se...) em viajar com os autores, viajar através dos livros de viagens.
    No meu caso, sou mesmo grande consumidor desta literatura.
    Na verdade, todo o livro é um veículo que nos leva numa viagem, porém há aqueles que são mesmo "de viagem".
    Não sei mesmo se não será um dos temas mais populares no Mundo inteiro!
    Portanto este livro do Rui Tovar Jr. arrisca-se a ser um desses e até promete, pois o futebol - goste-se ou não - é um tema que reconhecidamente desperta muito interesse. Também, pelo que nos é dito, tem os componentes todos que compõem um livro de viagens que se preze.

    O nome seguinte, Geoff Dyer, parece que me dizia algo e fui ver... tenho um livro dele, sobre Jazz , muitíssimo bom! É um escritor que pouco nos dirá de modo geral, pois é de não-ficção, sobretudo, porém muito premiado pelos seus trabalhos, como acabo de ver, e não fazia idéia.
    Este Areias Brancas promete, e fica na minha lista...

    Saudações imobilizadas, cá da Cidade Morena, impedido que estou de viajar, salvo pela idéia...

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    1. Deixe-me corrigi-lo: Geoff Dyer também é autor de ficção, e até já falei de pelo menos um dos seus romances aqui no blogue.

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    2. António Luiz Pacheco27 de julho de 2020 às 03:43

      E faz muito bem em corrigir! É sempre sinal de que somos lidos, e, pretexto para mais um dedo de conversa, aliás sempre agradável aqui na sua sala de leituras.
      No entanto, faço notar que eu disse "sobretudo", isto é, não excluindo a ficção, não que seja um escritor meu conhecido mas porque foi o que recolhi da informação que encontrei sobre ele... de qualquer modo, e a talhe de foice, o que ressalta é que ele parece escrever muito bem, olhando aos muitos prémios e às críticas.
      Curiosamente o livro que tenho dele sobre o jazz (Pero hermoso, un libro de jazz), é uma edição espanhola, comprado num qualquer El Corte Inglés... devo dizer que gostei muitíssimo!

      Votos de uma boa semana!

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  2. António José Martins27 de julho de 2020 às 05:30

    É bom ler os textos do Rui Miguel Tovar mas é muito triste nenhuma editora ter, até hoje, editado muitos dos textos do Rui Tovar.
    Com os meus cumprimentos,
    António José Martins

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  3. Já tinha reparado no novo livro do Rui Miguel Tovar e já pensei em comprar. Gosto muito de literatura de viagens e esta colecção renovada puxou-me outra vez ao assunto.
    O meu pai tem um livro que foi editado para o "México 1986" com textos do Rui Tovar. Uma enciclopédia do futebol. Ainda ouvi muitos comentários dele na TV em miúdo.

    Do Geoff Dyer li o "Yoga para Pessoas que não Estão para Fazer Yoga" e gostei bastante. Humor e as viagens vistas pelo outro lado da fotografia de postal. As horas que os turistas esperam para ver um belo pôr-do-sol exótico, apreciar o momento... junto com milhares de outros turistas aos empurrões e a querer tirar fotos. Vale a pena ler. A visita a Amesterdão é muito engraçada.

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  4. O Rui Tovar (pai) era um grande jornalista, um homem que sabia do que falava e muito parecido com o filho, até fisicamente.

    Gosto igualmente de ouvir o Rui Miguel Tovar e certamente irei gostar de o ler.

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  5. li empolgada este post, a correr, como nunca devemos ler as horas extraordinárias da Maria do Rosário Pedreira. agradeço todos os encómios, os dois ruis vivem em mim também através da qualidade, do fulgor e da originalidade da sua escrita. isto para dizer que sou jornalista desde sempre (carteira profissional, entretanto caducada, nº 1441), fui editora por acaso, traduzi para a Casa das Letras todos os livros do «senhor Murakami» (gostei, senhora editora), menos um título editado pela Bárbara Bulhosa na Edições Tinta-da-China, «Underground, o Atentado de Tóquio e a Mentalidade Japonesa», traduzido pela Susana Serras Pereira. Tive o gosto de partilhar com a Ana Lourenço a tradução dos dois volumes de «A Morte do Comendador», cujo primeiro livro recebeu em 2019 uma menção honrosa atribuída às duas pela Associação Portuguesa de Tradutores. Não tenho outros prémios no currículo, tirando o privilégio de ter colaborado com a «mana» Lourenço e com a Maria João da Rocha Afonso («O Impiedoso Mundo das Maravilhas e o Fim do Mundo», «1Q84»), que, para mal dos nossos pecados, nos deixou há pouco, estupidamente cedo... guardo da minha homónima boas recordações e dezenas de e-mails repletos de verve! maria joão lourenço, a de tovar (como diria o meu marido)

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