Escrever

Embora haja coisas que não se podem ensinar (o talento, por exemplo), nem todos os livros sobre escrever são manuais de frases feitas e exercícios pueris. Já aqui o disse a propósito de Manual de Sobreviência de Um Escritor, de João Tordo, e digo-o agora acerca do genial Escrever, de Stephen King, que tive o gosto de publicar há muitos anos na Temas e Debates com a minha colega do Círculo de Leitores, Guilhermina Gomes,  e que agora tem nova edição pela Bertrand, acrescentada com dois prefácios, o último dos quais é um agradecimento de King ao seu editor, com uma frase também utilizada por Tordo: «Escrever é humano, editar é divino.» (Às vezes.) Stephen King já tinha várias coisas alinhavadas sobre o ofício do escritor quando ia morrendo num acidente de que levou meses a recuperar; aproveitou então para pôr esses apontamentos em ordem e articular um texto notável que parte das suas experiências e memórias e compõe um livro inspirador, com conselhos e recomendações a todos aqueles que queiram e sintam que podem ser escritores. O livro, que saiu inicialmente em capítulos independentes numa revista, além de brutalmente honesto e muito interessante para os leitores até como testemunho, foi também terapêutico para o autor, ajudando-o na sua convalescença. Só bons motivos para se atrever à sua leitura.

Comentários

  1. Um Verão de computador atrás: mas valerá a pena. Um beijinho e um dia bom.
    Sandra.

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  2. Gosto do termo e utilizável "brutalmente honesto".


    Cláudia da Silva Tomazi

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  3. Lá dizia a outra - eu só gosto de escrever, não gosto de ler. Safa!

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    1. Eu gosto de ambas as actividades mas não gosto nada do safa!
      Sandra

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  4. António Luiz Pacheco22 de julho de 2020 às 07:43

    Não deixa de ser curioso que escritores escrevam sobre a sua profissão... se bem que, isto na minha opinião de traça dos livros e pessoalmente falando, não me interesse muito a teoria da escrita, o manual do escritor!
    Isto falando no geral, pois há coisas que me parecem ser importantes para se ser escritor (coisa que não sou nem pretendo ser) como o saber observar o que se passa à nossa volta.
    Um escritor que só olhe para si, é o tipo de escritor que não leio, que não me diz nada e pouco agrada, por muito bem que escreva, que domine a técnica da escrita, a língua, a gramática e rico de vocabulário. Gosto dos que olham em volta e escrevem sobre isso, ainda que metendo-se pelo meio a eles mesmos!
    Enfim, é a diversidade, e ainda bem que existe!
    Em compensação gosto mais de ler sobre a vida dos escritores, até das suas reflexões e da forma como vêem o Mundo. É por isso que gosto muito de livros de viagens, e não falo dos roteiros ou diários de viagem, também, mas falo daqueles escritores que viagem e nos levam com eles, nos vão dizendo o que vêem e como o vêem!
    Os que fazem a sua biografia, muitas vezes levam-nos com eles nessa viagem, que é a vida, para os que a sabem viver, desse modo, pois há outros.

    Saudações serenas cá da Cidade Morena, depois de uma noite rocambolesca com um assalto ao salão de jogos de chineses, que existe nas trazeiras da minha casa, com tiroteio, três chineses feridos e muita gritaria, fuga aqui pelo meu quintal, etc.
    Quem precisa de cinema?

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    1. Caro Pacheco: os direitos de autor que permitem a vida em conforto aos autores anglo-saxónicos são os do cinema, nomeadamente os de adaptação das suas obras, e não os da literatura.
      SN

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    2. Revejo-me nas suas palavras, também prefiro os escritores que escrevem sobre o que os rodeia e nos levam em viagem.
      Saudações para si e para a minha Cidade Morena.
      Bjs
      Olga

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  5. Também não tenho grande interesse em saber porque escrevem e como escrevem os escritores. Pelo contrário, gosto de ler reflexões autobiográficas (de escritores, não de políticos). Ou de ficções em que aspectos autobiográficos são marcantes, como por exemplo dois romances de Aquilino e a trilogia de Gunther Grass. A melhor autobiografia que li foi "A Lingua Posta a Salvo", de Elias Canetti. É o 1o de 3 volumes, de que entretanto foram publicados em português os outros 2. Espero não ter uma desilusão quando os ler.

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  6. obrigada já está na minha wishlist da wook
    beijinhos e feliz dia

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  7. Já ando a pensar comprá-lo desde que vi a edição da Bertrand. Com este post ainda fiquei com mais vontade!

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  8. Não sendo escritora, livros sobre o ofício sempre me encantaram. A estes, junto Mário de Carvalho e o seu “Quem disser o contrário é porque tem razão, guia prático de escrita de ficção“. Um livro que além de deliciar, arranca umas boas gargalhadas!

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  9. Gostei de ler a sua apreciação Maria do Rosário e atrevo-me a acrescentar, em jeito de alfinetada: «Escrever é humano, editar é divino.» e vender é do diabo!
    Fique bem
    Bjs
    Olga

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