Escrever em Berlim

Aqui na sala de estar que é este blogue, há muitos escritores (até os que escrevem noutras línguas, embora este post não seja para esses). Não me refiro a potenciais escritores, com livros na gaveta, mas a escritores já publicados, com obra mais curta ou mais extensa, mas publicada. Isto porque, tal como vem acontecendo há alguns anos, o Instituto Camões e a Embaixada de Portugal em Berlim oferecem uma residência literária na capital alemã, e, sei lá, acho que deve ser bom escrever um livro em Berlim. Por isso, se interessa a algum dos extraordinários a bolsa, não perca tempo, as candidaturas estão abertas até 7 de Agosto para um (e só um) autor de língua portuguesa. Já tiveram esta benesse no passado escritores como Patrícia Portela, Isabela Figueiredo ou Rui Cardoso Martins. Se se quiser habilitar, o endereço para enviar a candidatura é este:


botschaftbolsa@gmail.com


e o regulamento está neste link:


https://www.berlim.embaixadaportugal.mne.pt/images/Regulamento2020.pdf


A residência iniciar-se-á em Outubro próximo, se, claro, a COVID-19 deixar.


Porque falei acima da autora, hoje recomendo dois livros: Caderno de Memórias Coloniais e A Gorda, de Isabela Figueiredo, ambos muito interessantes.

Comentários

  1. Bom dia com alegria

    Estão os dois livros recomendados na minha lista de desejos não concretizados.

    Estimo que estes tempos pandémicos serão fonte de inspiração para muita gente, de muitas áreas, não só para escritores, com ou sem bolsas e residências.

    Assim de repente: psicólogos, sociólogos, cientistas sociais em geral.

    Há aliás quem afirme ser o COVID o grande factor de inovação e mudança do presente.

    Hoje sinto-me um "mãos largas" e atrevo-me a sugerir duas leituras:

    Este artigo do Público: https://www.publico.pt/2020/07/09/sociedade/opiniao/virus-razao-emocao-1923490

    Este livro: https://press.princeton.edu/books/paperback/9780691183251/the-great-leveler

    Are mass violence and catastrophes the only forces that can seriously decrease economic inequality? To judge by thousands of years of history, the answer is yes. Tracing the global history of inequality from the Stone Age to today, Walter Scheidel shows that it never dies peacefully. The Great Leveler is the first book to chart the crucial role of violent shocks in reducing inequality over the full sweep of human history around the world. The “Four Horsemen” of leveling—mass-mobilization warfare, transformative revolutions, state collapse, and catastrophic plagues—have repeatedly destroyed the fortunes of the rich. Today, the violence that reduced inequality in the past seems to have diminished, and that is a good thing. But it casts serious doubt on the prospects for a more equal future. An essential contribution to the debate about inequality, The Great Leveler provides important new insights about why inequality is so persistent—and why it is unlikely to decline anytime soon.

    Boas leituras, boas férias e boa pandemia
    cp









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    1. António Luiz Pacheco9 de julho de 2020 às 01:56

      Pois e eu recomendo de volta - fui provocado! - um livro de Vicente Blasco Ibanez , grande escritor espanhol, autor de "Os quatro cavaleiros do apocalipse" , um livro notável e muitíssimo bom. Aliás autor esquecido, que merece ser revisitado, uma pessoa com um percurso de vida notável e com quem travei conhecimento há muitíssimos anos, numa época em que não comprava livros e era obrigado a mergulhar na biblioteca lá de casa, à caça deles... li vários dele de uma assentada, atraído pelos temas históricos e depois evoluí para outros porque foi um escritor muito profíquo!

      Jovial abraço cá da alegre Cidade Morena!

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  2. A residência nunca me interessou e isso não mudará. Mas a editora está na rua.
    09.07.2020
    Sandra Neves

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    1. Esqueci-me da sugestão literária para hoje: "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott , um livro intemporal que nos mostra existirem comparações impossíveis ou altamente improváveis.

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    2. Pois eu hoje recomendo o Fala Barato; e nem precisam comprar o livro: está na net!
      🌻
      Maria

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    3. António Luiz Pacheco9 de julho de 2020 às 06:33

      O papalagui?

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    4. Ahahah muito bom! São cumplices: as mulherzinhas e ele!
      Sandra Neves

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  3. Creio que José Riço Direitinho também fez uma estadia em Berlim.
    Gosto do estilo contundente de Isabela Figueiredo de que li "A Gorda".

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    1. Também gostei de ler A Gorda.
      🌻
      Maria

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  4. António Luiz Pacheco9 de julho de 2020 às 02:30

    Berlim? Brrrr.... e logo no início do Inverno, mas fiquem descansados e aliviados os nossos Extraordinários Comparsas Escritores-mesmo, que eu não me candidatarei, sob palavra de honra! Portanto não vos farei concorrência ... eheheh!
    Nota: não desgostei de Berlim, andei mais na parte das avenidas com os seus cafés e hotéis e no mercado abastecedor, pois fui lá um par de vezes em trabalho, a feiras de alimentação, sem tempo para turismo, mas guardo uma recordação engraçada, de ter como objectivo comer um eisbein a sério, e, ter dificuldade em localizar o que queria pois no hotel e outros lugares só me mandavam a restaurantes que não eram o que eu almejava, até que, num dos meus lampejos de génio (uma traça também tem os seus momentos luminosos!) , mandei parar um táxi: "do you speak english?"; "nein!"; vai-te, passa à frente... ao segundo "yes!". Boa, lá lhe expliquei e ele entendeu, respondeu-me que me levava a onde comia: é isso mesmo! (em inglês, claro...). Fui conduzido a um restaurante pequeno nem imagino onde, mas típico, tascoso como devia ser e promissor. Convidámos o motorista, um jovem grego que estudava já não me recordo o quê mas não podia aceitar, mas foi connosco lá dentro mostrar a casa e recomendar-nos ao patrão, um careca enorme e amplo, mas efusivo, só que não percebíamos nada do que dizia com uma voz de estentor!
    Ah! Mas aquilo sim, veio uma travessa de eisbein, com chucrutte e tudo a que dá direito e eu nem imaginava, o puré de batata, molho de mostarda e uma canecazorras de cerveja, que ainda salivo de memória!!!!! Tudo servido por uma com uma valquíria coradíssima e rubicunda, loiríssima de tranças e olhos azuis bogalhudos, cujos braços arregaçados fariam inveja ao meu amigo João Acabado que é halterofilista! No final, um gelado qualquer com uma calda de frutos silvestres, que nos deixou cheios até às orelhas a mim e ao meu amigo Horácio, saloio profissional e excelente companheiro!
    No final, boa gorjeta e abraços recíprocos nos costados, lusos e germânicos, com oferta de um par de schnaps, que o colosso teutónico achou que não éramos homens de calibre que nos ficássemos por um só!
    Assim sim, pode um homem vistar Berlim e recompôr-se!
    Ahahahah!

    A gorda... dispenso, pois tenho várias aqui na rua, muito metediças aliás, vale-me a minha fiel Mariana que corre com elas!
    O caderno de memórias coloniais, despertou-me a atenção como tudo o que aborda o tema, mas, porém, todavia, contudo, ainda que muito bem escrito e com uma verve interessante, confesso que não me impressionou lá muito, achei-o um mero caderno de clichés se bem que tratado de uma forma nem por isso original, mas correcta. Na verdade porque tendo um forte termo de comparação para com o que se passou depois, nas colónias, estas "memórias" juvenis tanto para um lado quanto para o outro, são-me suspeitas e não me guio por elas. Mas impressionam quem não conheça a realidade e a verdadeira história.
    "Ventos de destruição", de Adelino Serras Pires contrapõe, mas lá está, além de políticamente incorrecto, apesar da benção editorial necessária não teve destaque, embora escrito por uma profissional que o fez em língua inglesa, tendo tido sucesso nos EUA. Portugal é lesto e mais aberto à auto-flagelação do que à realidade, sempre foi e será, prefere-se sempre ir pelo lado poético e menos pragmático.

    Enfim, desculpem-me, mas gordas não... dão.me azar!

    Saudações bem-nutridas, cá da Cidade Morena!

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    1. Na volta vai-se ver e tem excesso de peso ( com tanto Eisbein!)

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  5. Li os dois livros da Isabela Figueiredo, de que gostei bastante e que costumo recomendar ou oferecer.

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  6. Boa tarde

    Li a Gorda e gostei muito. Um estilo que eu baptizaria de novo neo-realismo literário, passe a redundância, que tem a Dulce Maria Cardoso como grande embaixadora. Além das suas capacidades de escritora, aprecio muito a frontalidade da autora e vou seguindo o seu percurso com muito interesse.

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    1. António Luiz Pacheco9 de julho de 2020 às 08:17

      Ora vejamos, atrevo-me a questionar se, não poderíamos então (e à imagem do Lopes) dizer antes e com mais propriedade: pós-neo-realismo literário? Menos redundantemente pleonástico, como concordará?
      Ahahah!
      Perdoe a brincadeira, aliás bem-intencionada!
      Apreciei o seu comentário, e, devo dizer que concordo em boa justiça, não se vá pensar que não gosto da autora, pelas minhas desastradas mas assumidas, palavras de traça!

      Um abraço pós-moderno! (Nota, o moderno é o actual e covídico estado)

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    2. Claro que perdoo e até acho que pós-neo-reallismo assenta que nem 1 luva ao estilo literário da IF e da DMC. Aliás os pós modernos fazem-me lembrar estes versos do poeta POP, que é Rui Reininho:

      "Mas com uns pós modernos nada complicados
      Sentimo-nos realizados
      Ah! Os pós modernos agarram na angústia
      E fazem dela uma outra indústria
      Com os pós modernos nunca ganhamos
      Mas também nada investimos"

      forte abraço

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