Dona Amália

Não sei se sabem, mas se andam atentos à comunicação social, saberão que este é o ano do centenário de Amália Rodrigues, que era o nome português mais sonante no estrangeiro quando eu era pequena (equivalente a Cristiano Ronaldo nos nossos dias). Amália nasceu a 1 de Julho, mas só foi registada mais tarde; e dizia que era bom, porque podia celebrar duas vezes o aniversário. Mas desde o início deste mês que não param de acontecer coisas à roda da estrela, desde um concerto excepcional que integrou 100 guitarristas que tocaram fados que a diva cantava até à saída de vários livros que oferecem perspectivas novas de Amália, como o desenvolvimento de uma reportagem da Visão da autoria de Miguel Carvalho, em que se revela que Amália, que tantos ligavam ao regime, apoiou inclusivamente com dinheiro o Partido Comunista. O livro chama-se Amália, Ditadura e Revolução e tem por subtítulo A História Secreta. Cem anos depois, ainda há segredos a descobrir sobre esta que é a maior voz portuguesa de sempre.


Para ir na onda, vou sugerir o livro Para Uma História do Fado, de Rui Vieira Nery, no qual Amália ocupa um papel preponderante. Um interessantíssimo estudo do musicólogo.

Comentários

  1. Embora a música clássica seja a sua paixão primeira como musicólogo, o Rui Vieira Nery é filho da célebre guitarrista Raul Nery que acompanhou todos os grandes nomes do fado, Amália incluída. Terá por isso crescido em ambiente fadista desde pequeno. Agora confesso que não sei se tenho estofo para ler uma obra de trezentas páginas sobre fado escrita por um erudito.

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    1. Artur, o livro não é nada difícil, pode ler à vontade. E as páginas não são densas. E deixe-me só dizer que a irmã do Rui era afilhada da Amália e o Rui, creio, da Maria Teresa de Noronha.

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    2. Interessante ! Boas razões para rever a minha posição. Obrigado à Maria do Rosário pela informação adicional.

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    3. António Luiz Pacheco8 de julho de 2020 às 05:35

      Vou certamente comprar, não só pelo eventual interesse da leitura - e realmente é capaz de ser "um castigo" , ahahah!, como teme o Extraordinário Artur - mas numa outra perspectiva de traça ajuntadeira de livros que sou, e, um priveligiado pelo espaço para o ser! Coisa que nem todos alcançam, eheheh! Passe a prosápia...

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    4. Esse livro é muito bom.Bom Verão e boas leituras, querida Maria do Rosário.

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  2. Bom dia,
    Perdoe-me o reparo, mas a Amália não nasceu a 1 de Julho. A própria não sabia o dia exato do seu nascimento. Por isso, tendo sido registrada a 23 de Julho e sabendo que tinha nascido antes, decidiu que passaria a comemorar o seu aniversário no dia 1 de Julho, já que assim comemoraria mais cedo e poderia fazer duas festas. Mas segundo Vítor Pavão dos Santos, autor da biografia oficial, a Amália comemorava sobretudo no dia 23.

    Um abraço,
    Fábio Banza Guerreiro.

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    1. Obrigada. Eu emprestei há dias a minha biografia do Pavão dos Santos a uma pessoa que precisava dela para um programa de TV e veja no que deu...

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    2. Livro emprestado livro "roubado"

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    3. António Luiz Pacheco8 de julho de 2020 às 05:37

      Não sejas tão radical... diz antes: "Livro emprestado, livro extraviado!" ou, "desviado".
      Ahahah!
      Mas é a melhor forma de não se ter ou vir a ter, uma biblioteca: emprestar livros!

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    4. Ó Paxeco quando ponho o roubado entre aspas a minha intenção é mesmo essa, ou seja aligeirar o roubado, podendo ser substituído, por exemplo, por extraviado, como muito bem salientas.

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    5. Fábio Banza Guerreiro8 de julho de 2020 às 11:41

      De nada...Infelizmente a biografia (que a Amália dizia ser a sua autobiografia) está esgotada há vários anos e é uma pena. Caso necessite da biografia, posso tentar obtê-la com o próprio Vitor.
      Um abraço, Fábio Banza Guerreiro.

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  3. Talvez a melhor voz anglo-saxónica de sempre com adopção de nova nacionalidade.
    Será o maior feito do senhor costa no governo.
    SN

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  4. António Luiz Pacheco8 de julho de 2020 às 05:06

    Gosto bastante de fado!
    A ponto de, ter alguns CD mas também cassetes e "vinil" (a minha aparelhagem ainda dá para ouvir nessas versões), de fado.
    É um género musical que me diz muito, talvez e sobretudo pelo ambiente em volta dele, indelévelmente ligado ao dos toiros, em que nasci, me criei, e, ainda frequento.
    Até aqui em Benguela, se fazem tertúlias com fado, e existe quem o cante... vozes de cá por incrível que pareça.

    Há letras de fado que são poemas lindíssimos, da autoria de anónimos ou de celebrados vates como o próprio Camões, que óbviamente não terá escrito para Amália, mas foi usado em belíssimos fados. Mesmo a Nossa Extraordinária Anfitriã, é autora de alguns, e o seu pai, se não me engano?

    Gosto muitíssimo da Amália, que nunca oiço sem sentir um aperto na garganta... emociona!
    O melhor de todos os fados e interpretações, é para mim "Foi Deus"... de Carlos Alberto Janes, e, ainda há dias o meu ex-colega de projecto do mel, o valente Alcobia, me enviou por wtsap (eu sei que não se escreve assim...) uma interpretação belíssima deste fado por uma jovem moçambicana - a Mariza também é moçambicana!

    Ao contrário de muitos puristas, aprecio fadistas nova-vaga, e sou dos que acham que Mariza revolucionou o fado, fazendo dele um espectáculo, que alguns acham o desvirtua, mas eu considero que pelo contrário o abre num novo conceito. Querendo ouvir fado num outro contexto e ambiente, isso é sempre possível, para os mais puristas... considero eu e peço desculpa de choco alguém por esta opinião, pois sei que para muitos de nós, portugueses ou diletantes, melómanos, o fado é como um acto religioso.

    Saudações deste Faia, expatriado cá na Cidade Morena!

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    1. Comecei a gostar de fado já muito tarde, fado era a Amália e mais uns quantos (poucos).
      A Mariza é especial, conseguiu pôr-me a chorar que nem uma Madalena quando a ouvi cantar aquele fado da Amália no concerto da Torre de Belém.
      E depois é uma mulher extraordinária, admiro-a imenso.
      E há por aí muita malta nova a cantar muito bem.
      🌻
      Maria

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    2. António Luiz, desta vez estou em desacordo.

      Se houve alguém que revolucionou o fado, depois de Amália, foi Carlos do Carmo, que até trouxe novos instrumentos, e também essa componente do espectáculo, tirando-o das casa de fado.

      Saúde da boa para a Cidade Morena.

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    3. António Luiz Pacheco8 de julho de 2020 às 08:41

      Não discuto, Caríssimo Luis Eme... mas vou-lhe confessar uma coisa: Não gosto de ouvir cantar o fado ao Carlos do Carmo... é fadista que não oiço, dos poucos aliás... outros há que também não gosto, olhe o Frei Hermano da Câmara, por exemplo!
      Talvez a revolução que ele operou explique não gostar da sua interpretação, mas da Mariza já gosto!
      Eheheh! Há que haver gostos para todos, como soe dizer-se!

      Gramde abraço cá do Faia tropical!

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  5. O fado não é, de todo, o meu género musical favorito, talvez por isso goste tanto do Carlos do Carmo. Durante alguns anos até tinha alguns complexos relativamente a apreciar mais o flamenco que o fado. A modernização do Flamenco foi mais prematura, altamente contestada pelos puristas que diabolizavam essas inovações que, na minha humilde opinião, foram a salvação do Flamenco. Que seria hoje do Flamenco sem Camarón, Paco de lucio ou Vicente de Amigo? O flamenco e a literatura também ficaram, desde cedo, ligados ao Flamenco, principalmente aos portas andaluzes mais consagrados como Lorca e Alberti.

    Ainda assim, hoje em dia, os meus géneros musicas preferidos são a música barroca e o indie folk/indie rock, de estéticas completamente díspares, dando razão a quem diz que o coração tem razões que a própria razão desconhece.

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