Crianças desaparecidas
Todos os anos desaparecem no mundo milhares de crianças. Susana Piedade, que foi finalista do Prémio LeYa com o seu livro anterior (As Histórias Que não Se Contam), vem trazer esta realidade à tona numa nova ficção intitulada O Lugar das Coisas Perdidas, acabadinho de sair. O romance conta a história de uma mãe solteira que vive numa vila onde todos se conhecem e que numa bela manhã se despede da filha de oito anos, que vai a pé para a escola, nunca mais a voltando a ver. Apesar de os habitantes locais se prontificarem imediatamente para a ajudar nas buscas, a verdade é que as suspeitas acabam por recair em quase todos, inlcuindo na própria família da criança, pois na manhã do desaparecimento quase ninguém está em posição de dizer onde andou e o que fez. E, infelizmente, a única pessoa que viu o que aconteceu é também a única que não pode falar. Muito bem construído, com suspense até à última página, esta é uma leitura trepidante que alude a uma situação que, lamentavelmente, está longe de ser apenas literatura.

Bom dia! Um tema muito batido, na literatura e no cinema, mas são sempre possíveis abordagens diferentes e desejo à Susana a maior sorte e felicidade. Se possível, em exclusivo.
ResponderEliminarEu sigo muito feliz e motivada no caminho da anglofonia e já a pensar no tratamento das diferenças entre o inglês da nova Zelândia, da bretanha e dos Estados Unidos.
Quando somos adultos, só nos perdemos de nós quando deixamos de saber quem somos.
Quando nos roubam as nossas crianças devemos fazer pagá-lo com sangue. Pode ser vista como opção radical, mas acho que é a merecida. E o primeiro objectivo de todos deve ser mesmo manter a nossa escala valorativa e tentar aplicá-la ao nosso país.
Obrigada pelas opiniões que sei que vai emitindo, também em privado.
Sandra Neves
Também não estou nada preocupada e sempre me considerei autosuficiente. Se o país ainda entende, em 2020, que as mulheres não podem valer por si, mude-se para uma nova geração de governantes. Isto vai até ao fim.
EliminarSandra Neves
Ao fim de uma tarde, uma mãe solteira leva o seu filho até à fonte que fica à entrada da sua aldeia alentejana. Sem uma explicação, diz à criança para esperar aí até a virem buscar. Passam-se horas, escurece, arrefece, ninguém aparece. O miúdo irá passar a noite inteira junto à fonte, em completo abandono. As emoções e pensamentos desta criança abandonada estão nas prodigiosas primeiras páginas do romance “Livro” de José Luís Peixoto. Inesquecível !
ResponderEliminarÉ verdade!
EliminarArtur,
EliminarConcordo consigo, adorei "Livro", um dos meus favoritos do JLP.
A construção narrativa e os jogos literários são soberbos, aquelas páginas com as palavras com bolinha ficaram-me na cabeça.
Um abraço,
Rui Miguel Almeida
Caro Rui Miguel,
EliminarConfesso que fui particularmente fascinado por aquelas páginas iniciais do romance sobre o rapazinho abandonado junto à fonte. Grande demonstração de como prender um leitor deste o início. Peixoto é bom nisso: faz igual no "Autobiografia".
Abraço
Acabei de ler seu post e achei interessante comentar, belo post.
ResponderEliminarO desaparecimento, ou, abandono de crianças são um facto incontornável da nossa condição social e humana, tanto quanto na Natureza acontece com os animais... só que no nosso caso acontece noutro patamar de consciência e sensibilidade, e é justamente por sermos humanos que tanto se torna no drama que sabemos, quanto é tratado pela nossa Literatura, em obras Extraordinárias.
ResponderEliminarDesde as lendas de Moisés, de Rómulo e Remo, não sei se outras mais antigas haverá, que o tema tem sido tratado por autores de todos os géneros e qualidade.
Creio que, essa perda de um filho por desaparecimento, seja ainda e sempre um pesadelo para qualquer família, e, esse fantasma, paira sobre todos, dando corpo a obras literárias.
Há na literatura, uma velha imagem que perdurou, a dos saltimbancos, dos ciganos ou vendilhões, errantes, que roubavam crianças para as criar como suas, usando-as na mendicidade ou ensinando artes de roubo, circences, etc. Muitos livros e heróis de romances, foram escritos usando esta temática.
São mitos, é a nossa mitologia e os nossos temores.
Não sendo tema particularmente do meu interesse, estou no entanto sempre aberto a uma leitura boa e interessante!
Não sei porquê... mas o que foi referido sobre o tema deste romance, levou-me àquele caso da garota (Joana?) desaparecida no Algarve, cuja mãe foi presa... e que, agora, não sei quantos anos depois, tendo sido solta reafirma a sua inocência, e, parece que afinal... Esta uma história real e que ainda está por escrever, como por findar ao que parece.
Saudações cá da Cidade Morena, onde crianças desaparecem levadas por "jacaré, "onça", ferrados por lacrau ou por cobra, e muitas doenças. Mas não só, também por bruxaria... o que é para nós ainda mais estranho, quando isso acontece e não é tão pouco assim!
detesto o tema...não consigo sequer conceber o sofrimento associado ao desaparecimento de uma criança. Este sentimento foi, obviamente, incrementado com o nascimento do meu filho.
ResponderEliminarIndependentemente da qualidade literária,devo confessar que há certos temas que me afastam e me impedem de os ler.Nao consigo imaginar pior desgosto que a perda de um filho,seja doença,acidente,negligência,whatever.Mas um desaparecimento se possível ainda é pior.Sem entrar em pormenores,penso que nunca ninguém se consegue libertar da incerteza,da inquietação,da frustração,sei lá,acho que a vida passa a ser governada por uma cabeça feita em cacos e um coração
ResponderEliminardesfeito.
Também não leio mais livros de Auschwitz,de doentes terminais,de povos torturados por regimes desumanos e ainda de auto-ajuda,de faça você mesmo,de ginástica em casa,de vampiros,de terror,de ficção científica,de drogados.Perguntar-me-ao o que sobra-uma imensidão de temas e autores,que sempre me aconchegam,me fazem pensar,me surpreendem e me levam a esse limbo donde não quero descer
Bibi
Acabei de ler seu post e achei interessante comentar, belo post.
ResponderEliminarAdorei ler seu artigo.
ResponderEliminarVale cap (/) Abraços. ;)