Até a estupidez tem limites

Tenho lido muito sobre o que se passa no país vizinho em matéria de tomada de decisões ligadas à cultura e à educação e vejo o sistema em constante desmoronamento. Uns quantos seres supostamente pensantes e com poder têm, efectivamente, aplicado ideias inenarráveis, algumas mesmo estúpidas, mas esta última, de que tomei conhecimento por uma das fantásticas crónicas de Arturo Pérez-Reverte, passou dos limites: deixa de ser possível aprender latim e grego no Ensino Secundário. Como? Mas terei lido bem? Será que a luminária que decretou esta mudança se esqueceu de que o castelhano vem do latim e que tem, como o português, milhares de palavras oriundas do grego? Será que não sabe que a literatura ocidental começou na Grécia, que é também o berço da democracia, entre outras coisas? Estará a querer impedir os jovens de mais tarde frequentarem cursos de Estudos Clássicos? Acha-os demasiado imaturos, ou insuficientemente vivos, para estudarem línguas mortas? Não consigo encontrar uma explicação, a não ser a estupidez pura e dura. Para Pérez-Reverte é o «extermínio» do «código que permite interpretar o mundo em que vivemos». Mas leiam o artigo, que vale a pena. «Menos latim e mais imbecis».


https://www.xlsemanal.com/firmas/20200712/perez-reverte-mas-latin-menos-imbeciles.html


 

Comentários

  1. Não me parece estupidez mas persegue um obetivo:, paulatinamente, à la longue, é o exterminio da civilização judaico-cristã de matriz grega...
    Não devo já estar cá para assistir mas não deixar de ser triste.

    ResponderEliminar
  2. Não me parece estupidez mas persegue um obetivo:, paulatinamente, à la longue, é o exterminio da civilização judaico-cristã de matriz grega...
    Não devo já estar cá para assistir mas não deixa de ser triste.

    ResponderEliminar
  3. António Luiz Pacheco28 de julho de 2020 às 02:44

    Pérez-Reverte é alguém a quem sigo atentamente!
    Vale a pena como escritor, e, como pensador ibérico.

    Compete a todos nós não sermos pais apáticos, mas membros conscientes de uma sociedade que se tenta mais do que nunca destruir.
    Esta ambição não é nova, e basta pensarmos que duas forças recentes o tentaram:
    - Nazismo e comunismo!
    Sim, ambas empenhadas na "construcção do homem-novo".
    Não morreu, este propósito, recriado e mantido em segredo ou já descaradamente por movimentos ideológicos que influenciam partidos, e, como sempre, muita gente no Mundo das artes, sempre prontas a embarcarem no que é novo, moderno e acham sofisticado, crêem que é a evolução.
    Os artistas, são artistas, fazem arte, alegram e embelezam-nos o Mundo, porém muitos deles são pessoas perturbadas, que não vivem a realidade, são para apreciar, ouvir, ler e ver, não são para nos orientarem na nossa vida, e, menos a sociedade. A maioria não é nem o que canta nem o que interpreta no ecrã.
    No entanto, são sempre usados pelos regimes, de duas formas:
    - Se são favoráveis, usam-nos ou compram-nos para tentarem influenciar o público!
    - Se não são... ostracizam-nos, perseguem-nos e banem!
    Seria bom pensarmos nisto e percebê-lo, e, não darmos atenção a tanta tolice proferida pelos "artistas", os que o são e os que se confundem com eles. Tontices essas que os media (hoje um inequívoco poder ao serviço de interesses) divulgam, e eles produzem convencidos da sua condição de seres superiores, porém que mudam de opinião constantemente e ao sabor das modas, mas do que ninguém se lembra, pois está tudo feito de modo a que só o dia de hoje conta!

    (continua)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco28 de julho de 2020 às 02:44

      (continuação)

      Os escritores, na minha opinião, que aliás andam bastante calados - havendo raras excepções como o Pérez-Reverte e mais algum em Portugal, que não nomeio para não ferir susceptibilidades - são quem mais tem responsabilidades na defesa da nossa cultura, raízes e história, da nossa matriz! Porque divulgam a idéia, o pensar, de uma forma mais consistente e elaborada, que no entanto não agrada aos cultores do efémero e daí se dizer que cada vez menos se lê. Talvez até se mantenham calados por receio de perderem apoios, face à multiplicação dos repentistas, dos famosos-por-um-dia, os "actores" (de novela), "cantores" (que ninguém ouve) e de um modo geral de "celebridades" sem um pingo de cultura nem de saber, quem proferem frases lapidares sem sentido nem conteúdo, chavões que fica bem dizer e atraem as atenções, assim garantindo o lugar num quarto de página de revista ou a chamada para um casting a que uma parte significativa da sociedade almeja, querendo entrar em reallity shows onde não hesitam em desnudar a alma, expondo-se pelnamente num jogo que lhes dá exposição temporária, normalmente negativa, mas acham que é a glória e a fama.
      Sei que é o Mundo moderno, mas isso não significa que nós, os demais que o mantemos com o nosso labor, actividade e dedicação, nos deixemos ultrapassar.
      Sobretudo continuemos a ler e a divulgar a leitura, porque nela reside a esperança, é nela que estão contidos o saber, a nossa história, aquilo que somos e a razão de sermos, coisa que os modernos não conseguem nem entender e muito menos explicar. São piores do que traças dos livros, são apenas moscas tontas a voar à volta do boião com uns restos de doce, avariado e deitado no lixo!

      A propósito do que digo sobre os livros serem a nossa alma e a nossa memória, lembro que de onde vimos é da maior importância no nosso presente, pelo entendimento de quem somos: somos o resultado de 2 pais; de 4 avós; de 8 bisavós; de 16 trisavós; de 32 tetravós... continuem este exercício de duplicação por gerações, multipliquem pelo número de pessoas que somos e chegarão ao número da humanidade.
      Temos de ser parecidos com alguém, e é com os que antes de nós cá andaram e se misturaram, não somos fabricados porque sim e nem "chipados", somos fruto daquilo de onde vimos, substituímos os que antes de nós cá andaram.
      Temos uma missão, somos parte de um todo, mas unitáriamente, como uma peça na engrenagem.

      Temos de garantir o futuro, alguém tem, e, está visto que não são os que parecem, seremos nós outros, sim os mansos, os humildes.

      Saudações clássicas de matriz europeia, judaico-cristã, pois foi onde nasci e me criei... se hoje sou outra coisa, foi por força das circunstâncias que para isso concorreram, todavia sempre de forma consciente e sabendo quem sou e de onde venho, escolhendo para onde vou!

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco28 de julho de 2020 às 05:40

      Sem pretender substituir-me à nossa Extraordinária Anfitriã, lembro que Arturo Pérez-Reverte é autor de excelentes livros - que deram igualmente bons filmes. O cemitério dos barcos sem nome, A rainha do Sul, O capitão Alatriste... aconselho as leituras! Bom proveito!

      Reverte, é o nome de um outro e consagrado autor, Javier Reverte, que para mim e a par de Theroux é capaz de ser o maior escritor de livros de viagem da actualidade! Também o aconselho em tempo de férias... o El Corte Inglés, normalmente tem livros dele na sua secção de viagens, e espanhol lê-se muito bem!

      Saudações ibéricas cá da Cidade Morena!

      Eliminar
  4. Grego, Latim, Português para que serve isso em 2020? Ó meus amigos qualquer imbecil que se digne tem a resposta para tudo: vou ver à Internet.

    E quanto a imbecis basta abrir a TV em qualquer canal (a 2 vai-se safando) a qualquer hora do dia ou da noite para ver as Cautelas e os Raminhos (+ família) deste país a imbecilizar e a poluirem o ar que ainda vamos conseguindo respirar.

    ResponderEliminar
  5. Há outra questão, não menos importante: há alunos que querem aprender Latim ou Greco (serão sempre línguas opcionais)?

    De que forma é temos valorizado as Culturas Clássicas? De nenhuma.

    Mas para falarmos do ensino, podemos ficar em Portugal, discutirmos a ausência de conhecimentos essenciais dos nossos jovens sobre como se deve funcionar uma Sociedade (penso que foi para isso que foi criada a disciplina de "Cidadania"...).

    Não se trata de uma perfeita "estupidez", haver pais portugueses a proibirem os filhos de frequentarem as aulas de Cidadania?

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Trata- se de manipulação e ignorância. Apesar dos anos em democracia, temos ainda muito caminho para fazer em cidadania e muito para Aprender e praticar e o local certo para o começar a fazer é na escola. ( Em casa na família, também mas como vemos daí vêem cada vez menos tudo)
      Teresa B.

      Eliminar
  6. Em outras palavras... A natureza do conhecimento está à revelia.


    CST

    ResponderEliminar
  7. É a melhor forma de deixar as pessoas com menos conhecimento e menos opinativas. Aprendem apenas o essencial e não chateiam com mais pensamentos e filosofias (não sei se esta disciplina ainda existe no secundário). Outro dia li sobre uns pais a proibirem os filhos de frequentarem a disciplina de cidadania...
    Com o argumento de que tudo está na Internet, o problema coloca-se em saber o que procurar. "Tenho um mundo à mão e vou procurar sobre... não me lembro do nome de nenhum dos filósofos gregos... E espero que o texto da wikipedia seja curto, que não tenho paciência para ler."
    A sociedade não evolui em linha recta, anda em círculos. De vez em quando surge algum iluminado que resolve apagar algumas coisas e cortar em coisas que são acessórias.
    Não segui na escola a via humanística, mas a económica e sempre achei que ler, ver peças de teatro, cinema, música, desenho, eram essenciais a nós como pessoas. O curso que nós escolhemos não nos coloca umas palas no olhos. A certos níveis de investigação, os especialistas são de tantas áreas diversas que só assim se entende melhor o Estudo como um todo.
    Qualquer dia ninguém quer aprender línguas, haverá apps que traduzem e falam por nós.
    Saudações.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco28 de julho de 2020 às 07:28

      Aplaudo!
      Também não sou da área das humanidades, optei pelas ciências agrárias... mas isso me impediu de ter interesses na outra , ou outras áreas?

      Grande abraço cá da Cidade Morena!

      Eliminar
    2. Também estou de acordo:a minha formação é no âmbito das ciências de engenharia - não obstante, tal facto nunca evitou que me interessasse pelas ciências humanas. Álvaro de Campos é um engenheiro, assim como Boris Vian o foi.

      Eliminar
    3. Aplaudo!
      Que belo texto.
      Obrigado Henrique (e Paxeco) -afinal não estou só-

      Eliminar
  8. É o triunfo retumbante do "progresso" tecnológico, a glorificação da máquina, do gadget de última geração, dos bits e dos bytes, da alergia ao discurso elaborado, do desprezo arrogante pelos livros, da sentença primária e mal-informada, da imagem omnipresente... não será esta a verdadeira cultura democrática?
    Um ocaso civilizacional.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório