Turismo nacional

Estamos a precisar de «facturar» para pôr de pé a nossa economia e, sempre que posso, compro produtos nacionais. Também penso fazer este verão férias exclusivamente em Portugal, o que já há muitos anos não acontecia (vivo com um iberista e damos sempre uma saltada ao país ao lado), evitando muito provavelmente o litoral e os ajuntamentos. Quem me pode dar ideias é, de certeza, Afonso Reis Cabral que, como sabem, atravessou o País de lés a lés, 739 km pela Estrada Nacional 2, do que resultou, aliás, um conjunto de textos magníficos que ia publicando diariamente no Facebook sobre a sua experiência e tiveram um acolhimento extraordinário do público. Amanhã às 22h00 passa na RTP2 o documentário produzido por Vasco Galhardo Simões e realizado por João Pedro Félix sobre esta viagem, que inclui filmagens da caminhada feitas com um drone e várias entrevistas ao autor e aos maravilhosos portugueses que se cruzaram no seu caminho, cuja generosidade proverbial levou a oferecer comida e dormida a um rapaz que não conheciam de lado nenhum. Vejam, que vale muito a pena.


Pelo post, já perceberam o que recomendo. O livro sobre esta viagem: Leva-me Contigo, de Afonso Reis Cabral. Até sexta e gozem bem os feriados.

Comentários

  1. Já eu estou a pensar ir até à Turquia de onde trarei encomendas quase tão inusitadas como este post. O país é pequeno e definitivamente não definitivo.

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  2. Também poderia ir até à Nova Zelândia onde a magnífica jacinda arden tornou ainda mais próspero um país fenomenal. Sem corrupção nem maus costumes instituídos. Uma liderança feminina arejada. Gosto do nome da filha: Neve. Recomendo o vídeo com as opções literárias da jacinda. Gozem os feriados na medida dos compromissos assumidos. M

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  3. Já foi anteriormente aqui feita a apologia deste relato de longa viagem pedestre atravessando o nosso rectângulo. O Afonso Reis Cabral é um jovem escritor que gera enorme empatia em todos aqueles com quem contacta pessoalmente e que trata temas que estão nos interesses mais centrais do politicamente correto atual, como a vida e o sentir dos mais fracos e dos marginais. São legítimas mais valias de que o escritor que ele é honradamente beneficia, a somar aos prémios literários que lhe têm sido atribuídos. Precisamos de ter gente genuinamente boa, como o Afonso Reis Cabral, entre a nova geração de escritores nacionais, para além de nos ilustrar como os genes queirosianos mantêm penetrância na nossa literatura, várias gerações decorridas desde a vida do possuidor do genoma genial. Embalado por todas estas excelentes recomendações, comprei o "Leva-me Contigo". Pensei para comigo: quem não quer ir calcorrear a EN2 em tão recomendável companhia? Estava à espera de uma obra literária e dou comigo a ler um relato de banal estilo jornalístico, cheio de bons encontros, boas pessoas e bons sofrimentos. Voltei para o Paul Theroux.

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  4. E recomenda muito bem porque devorei esse livro num só dia por duas razões;
    1-A forma como escreve/descreve a sua "aventura" é aliciante e viciante.
    2-Porque tinha acabado de fazer a N2 (de carro) e quis comparar as sensações do autor (naturalmente diferentes) com as minhas.
    Se está a pensar fazer a N2, deixo-lhe a minha experiência, no meu post abaixo;
    https://classeaparte.blogs.sapo.pt/estrada-nacional-2-reviver-o-passado-4949

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  5. António Luiz Pacheco9 de junho de 2020 às 02:43

    Gostei bastante do que li, de Afonso Reis Cabral!
    Mas faço uma separação, entre o escritor romancista e o escritor de viagens...
    - Romancista creio que é, não só pela genética, mas porque deveras tem a sensibilidade para tratar temas como o Artur muito bem referiu, e, fá-lo com qualidade literária, a qual há-de melhorar sabe-se lá até que patamar, pois é jovem o bastante para vir a rebentar com a escala! Já está no bom caminho!
    - Escritor de viagens... vejamos, estar já a compará-lo a um "monstro" da classe do Theroux, é como comparar "O meu irmão" à "a Ilustre casa de Ramires"! Se me faço entender... temos de lhe dar tempo para o caminho!
    Ele escreveu, ou ensaiou diria eu, em "Leva-me contigo" , aquilo que pode vir a ser uma nova porta na sua actividade literária. "Leva-me contigo" é um conjunto de narrativas de diário de viagem, páginas soltas reunidas sob a forma de livro, mas um diário de estrada. Portanto creio que se admite ser "menos literário".
    Pessoalmente, eu gostei, e creio que gostei porque percebi o que é... não sendo comparável a Theroux, até porque lhe falta a "bagagem", que um simples diário com notas de viagem não contém.
    Eu tenho o hábito de tomar notas em livrinhos, das minhas viagens, expedições, etc. Tomo notas diárias... o que me foi muito útill depois nos artigos ou reportagens produzidas. Um dia que me dedique a escrever sobre as memórias dos campeonatos internacionais, das minhas expedições e aventuras, lá estão eles com datas, nomes, lugares, factos, etc. Creio que um bom escritor de viagens age assim, se não estou enganado e é o que tenho lido em muitos desses livros. Claro que não me presumo "bom", nem sequer escritor de viagens, se bem que gostasse de ser.
    O Afonso já escreve, bem, tem sensibilidade e uma excelente capacidade de entender o que vê, portanto, tem o que é preciso. Vamos dar-lhe tempo.

    Como pessoa, a sensação que tenho, pelo que escreve, por quem com ele contactou e conheço algumas dessas pessoas, e, através de duas ou três conversas por e-mail que mantive, pareceu-me justamente uma pessoa simples, interessada e atenta, humilde, que dá espaço e vez aos outros. Talvez ainda pela genética diplomática... fiquei a gostar dele, e, assumo-me como fã!
    Não lhe devo nada e nem à editora, apenas gostei do que escreve e da sua atitude.
    Confesso que ponho nele uma elevada expectativa e prevejo que vai lá chegar, sobretudo por ser como é, como bem diz o Artur!

    Já tinha sido avisado por amigos, da passagem dessa peça televisiva, que não vou conseguir ver, mas depois vejo na net.

    Fica aqui um grande e amigo abraço ao Afonso... como se costuma dizer, é assim como se fosse um filho que gostaríamos de ter!

    Saudações cá da Cidade Morena!

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    1. Excelente e sábio comentário, como sempre ! Como dizem no país vizinho, "no pidas peras al olmo", e eu estarei a pedir demais a um escritor jovem ainda.

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  6. Eu gostei muito de ler o livro do Afonso Reis Cabral. Agradou-me muitíssimo a forma simples, genuína, sincera, que ele usou para nos contar a aventura desta dura viagem a pé. Foi como se seguisse com ele, na alegria, no entusiasmo, no cansaço, no desalento e novamente na alegria. Confesso que não sabia nada desta viagem até o livro ter saído e tenho pena, embora ele não tenha passado à minha porta.
    O Afonso pode não ter escrito grandes frases literárias neste livro, mas os sentimentos que passou (pelo menos a mim) merecem a nota máxima (no meu tempo era 20).
    Obrigada, Afonso, pelas palavras e também pelas fotografias (gostei muita da esteva - talvez porque há por aí quem me chame Maria das Estevas).

    Obrigada, Rosário, pela sugestão do livro e do documentário, que não vou perder.
    🌻
    Maria

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  7. *Atenção que é às 23h00 e não às 22h00.

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  8. Se mantiverem esses planos de férias, vão adorar o interior português.
    Sugestão: praia fluvial do Azibo, em Macedo de Cavaleiros. E não deixem de visitar o castelo de Bragança.

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    1. Cristina: Quénia e ponto final. Apesar de este país ser divertidíssimo. Só não gosto dos folhetos panfletários. Nada que valha é tão fácil e se oferece até ao asco. Desculpem os maus fígados.

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    2. E a Domus Municipalis, uma antiga cisterna, exemplar único na Península Ibérica.
      E já agora o Pelourinho, com uma base muito original, tudo na cidadela.
      E come-se lá muito bem :))
      🌻
      Maria

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    3. E o Tea Drunk em Nova Iorque! Infelizmente o turismo nacional, batido e pisado, não me interessa mesmo nada. A não ser as decrépitas fábricas de sapatos em São João da Madeira que, essas sim, merecerão toda a minha atenção nos próximos três anos. Ah! As máquinas de sola, as cerzideiras, as ajuntadeiras! Como vivem felizes as dependentes dos administradores sindicalistas que falharam na política! Um beijinho grande e um casto e abstinente fim de semana!

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    4. 1- Se é beijinho, é pequenino

      2- calma, ainda hoje é Terça

      3- Have a nice swim to NY.
      🏊‍♀️

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    5. Eu e os americanos também não vamos em natações, nesta altura em que uma microscópica pandemia já põe os nossos políticos de joelhos.
      Nem festivais de verão e Deus sabe que temos muitas contas pendentes ali mais para as direitas. The economy will have its greater growth outside the great depression - foi dito há duas horinhas. Beijinhos e bons feriados: castos na caligrafia. SN

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    6. É, já agora, com o emprego que já tínhamos antes de qualquer mediocre assumir funções.

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    7. Esqueci-me de dizer que, bem pertinho da praia do Azibo, fica Podence, onde se pode visitar a Casa do Careto.


      Quem me dera...

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    8. Neste momento já não se pode. Fico-me pelo Tea Drunk e pela Pearl Street.

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  9. Sobre a N2 recomendo o livro de um amigo, João Catarino, que escreveu e ilustrou (muito bem!) a viagem nessa bela estrada, com o seu cão numa pão-de-forma amarela.

    https://www.goodreads.com/book/show/34908578-en2

    É interessante voltar a descobrir o Portugal que a população urbana desconhece. Tenho pena das linhas ferroviárias que foram sendo encerradas e que dão belos motivos para redescobrir a paisagem de Norte a Sul. Tenho outro amigo desenhador, Filipe Almeida, que percorreu a linha encerrada de Évora a Estremoz e desenhou as estações e juntou-lhe alguns textos e que ficou uma bela jornada.
    Recomendo. Do blog "Traços locais" - http://tracoslocais.blogspot.com/search/label/Linha%20f%C3%A9rrea%20de%20%C3%89vora

    Bons feriados a todos! Este ano custa muito não festejar o Santo António, ver as ruas alegres e aquele cheiro bom da sardinha no pão.
    Saudações!
    Henrique

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    1. António Luiz Pacheco9 de junho de 2020 às 07:36

      Caríssimo Henrique:
      Partilho da sua opinião!
      As nossas estações de combóio, não sei se são Estado-Novo, assim com as escolas primárias e alguns outros edíficios, são pequenas obras de arte!
      Conheço que se tenha dedicado a elas e até publicado livors muito interessantes, enfim de restrita circulação e pequena tiragem, mas muito bonitos!
      O que é curioso, é que aqui em Angola, as escolas primárias e algumas estructuras que ficaram por aí, como as casas de cantoneiros e as dos poligonos florestais, de alguns colonatos, de pescarias e os faróis, são igualmente belíssimos!

      Saudações cá da Cidade Morena!

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  10. A linha férrea Évora-Arraiolos também cessou funções e foi convertida em ciclovia. Já a percorri, ida e volta, com paragem na Sempre-Noiva.

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    1. Adoro essa linha! E a sempre-noiva vai finalmente casar! Apesar de o noivo ainda não ter sido coagido ao pedido.

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  11. Um livro delicioso, Maria do Rosário.

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  12. Sugestão literária de hoje: "cemitério de pianos " do José Luís Peixoto. Para ler e reler nos próximos anos, não obstante o João Tordo ser, para sempre, o escritor da minha vida. Para ler nos intervalos dos debates com o chefe das ajuntadeiras e em todas as outras ocasiões! Bom feriado e obrigada ao anjo da guarda e ao filho (A uns diazinhos de retomar a voz). E, já agora, à anglofonia.

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