Taprobana

Todos os que leram e estudaram Os Lusíadas devem lembrar-se bem da palavra «Taprobana» logo na primeira estrofe. Porém, se lhes perguntarem onde fica, muitos provavelmente já não o saberão. Pois bem, Taprobana foi um dos nomes que o Sri-Lanka teve no passado, além, claro, de se ter chamado Ceilão (coisa de que não nos teremos esquecido tão facilmente). Vem isto a propósito de um thriller histórico de Eduardo Pires Coelho, cujo título é justamente Taprobana, que cruza a história da chegada dos Portugueses a essa ilha no século XVI (e as batalhas que ali travaram com os cingaleses) com a morte misteriosa de um cientista do Sri Lanka na Lisboa actual, morte essa que está relacionada com um mosteiro que já existia no tempo em que Portugal dominou o Ceilão. Com muito ritmo e suspense, cheio de informação histórica interessante (e desconhecida da maioria dos leitores, aposto), agradará a quem goste de uma boa história e também de História. Mas, se quiserem saber mais, esta semana vai haver um evento dedicado ao livro no Museu da Farmácia que será transmitido em directo online e ficará gravado, circulando nas redes sociais. Eu vou estar a ver.


Banner_instagram_Taprobana.png


 


Sem desvendar porquê, mas relacionado com este livro, recomendo a consulta de um clássico português do século XVI: Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia..., de Garcia de Orta.


 

Comentários

  1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2020 às 02:30

    Uma interessante proposta de leitura... o tema é muito atractivo!
    Ceilão... é a terra das solas, (borracha) de que ninguém se lembra já, certamente!
    Os portugueses no último quarto do século XIX descobriram borracha em Angola, o que revolucionou completamente a actividade das caravanas que até então se dedicavam aos escravos, depois ao marfim, cera de abelha e à goma de copal.
    É também terra celebrada pelo seu chá, que é para mim o melhor!

    A sugestão de leitura, é realmente curiosa... conheço-a, pois tem preciosas informações sobre frutas e sobretudo especiarias, mas também produtos que agora andam na moda ou são considerados "superalimentos" que é mais uma das muitas e variadas tontices com que somos brindados, por modas, da parte de quem de repente acha que "descobre" aquilo que já é sabido (ou foi...) desde a antiguidade.
    Aguardo a explicação ou a ligação a alguma outra coisa (da moda?) que vai passar-se, presumo...

    Boa e frutuosa semana, com saúde, são os meu votos cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2020 às 02:36

      Hum... fui repentinamente assaltdo por cruel dúvida (ó inclemência, ó martírio...) : Será Garcia da Horta um vil e desprezível símbolo do colonialismo imperialista português?
      Haverá a necessidade imperiosa de mudar o nome do conhecido hospital, para Hospital Jawaharlal Nehru, para nos limparmos desse passado tenebroso?

      Eliminar
  2. O´Pacheco Garcia da Horta(com h)!Francamente!!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O Sandes, disfarçado ou não de Pacheco, é inconfundível na sua iliteracia.

      Eliminar
  3. O´Pacheco,Garcia da Horta ou Garcia de Orta?Francamente!!!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Garcia da Horta, com H, é relativo ao vil e desprezível símbolo do colonialismo imperialista. O Garcia da Orta sem H é o médico português do século XVI que viveu na India e tanto fez pela progresso da medicina tropical e pela farmacologia.

      Boa semana a todos

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco22 de junho de 2020 às 06:32

      Prontos! Aí está uma cabal, verosímil e pragmática explicação do sucedido!
      Bem-haja (com h!!!!) caríssimo ANtónio Dinis!

      Eliminar
  4. A Live vou estar a ver, também.
    bibi

    ResponderEliminar
  5. Vieram aqui corrigir o H do Orta, e isso faz-me lembrar aquele acordo hortográfico (mais um H), que eu assim nomeio, porque o H (dois traços verticais com um pau no meio, como nomeio) tanto faz lá estar, como não. O H deve abrir a vogal, mas esta já está aberta e isto não é bem como o inglês, onde "how" não se pronuncia como "ow".
    Será que o médico era mesmo Orta, ou entretanto surgiu em mais recuado tempo um outro aborto igual ao actual acordo, que plantou no Horta a dita consoante?
    Em português, tal como no desenho, nem tudo o que parece, é! Querem um exemplo? Eu diria que a Ana Zanatti é parecida de rosto com a Extraordinária Maria do Rosário, mas haverá quem diga que não é. No entanto, eu desenhava qualquer delas pelo retrato da outra, tendo em atenção as linhas fundamentais do rosto.
    Fora isto, apraz-me saber que há uma obra sobre a Taprobana, que eu, nos tempos liceais teimava em declamar no verso como Tapobrana. É para comprar, decidi. Tem História, tem viagens, tem exotismo (presumo) e é escrito pelo autor de "O Segredo da Flor do Mar" e que tem um nome que me faz lembrar Eduardo Prado Coelho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco22 de junho de 2020 às 06:35

      Olha... é que são mesmo, sim senhor!!!!!
      O acordo é mesmo otográfico, porque estabelece que se escreve como soa, ou não é?
      Quanto ao Orta/Horta... hora/ora quero lá eu bem saber, de tão ralado que fico, até vou passar a noite de cama!
      Não podem ver uma camisa lavada a um pobre!

      Eheheh! Abraço.

      Eliminar
    2. Oh Fernando Costa: já leu o novo livro da Martina Cole, "Os intocáveis "? Fala sobre o submundo do crime e o pagamento de quotas por adversários políticos para incentivar a propagação de mentiras. Apesar de o protagonista se chamar Dany consta que nada tem a ver com o actor de vito e as suas fantasias de manter um romance com a Bündchen, recusadas apesar da extrema sensualidade dos seus cem quilos.

      Eliminar
    3. Pois é, Pacheco, sempre vai havendo quem corrija os lapsos alheios, mas eu não faço parte da equipa. Um lapso é um lapso, um erro de pormenor não passa do pormenor desse erro; e uma gralha é uma gralha, silenciosa, sem grasnar para se não dar por ela.
      Talvez as editoras encontrem aqui pretensos revisores das suas edições. Eu não quero tal tarefa. pois até nos meus livros o faço como se estivesse a subir ao Gólgota.
      Não sei qual o vencimento de um revisor de texto, mas devia ser bem pago. Se estivesse numa editora, entre passar o aspirador no chão do "open space" e fazer a revisão do livro... Venha o aspirador!

      Eliminar
    4. Olá, Anónima(o), não sei a que propósito vem ao salão de dança a Martina Cole, porque não me parece que seja das que revêem os seus textos, não tem H no nome e não sei se ela já foi à Taprobana para escrever algum policial. Mesmo assim, como sou também um leitor de policiais (e escrevi um livro do género), confesso que nem conhecia a senhora Martina e não li nada por ela escrito, ao contrário do que se diz sobre os mesmos - "os seus livros são os mais requisitados nas prisões e os mais roubados das livrarias". Dizem os panegiristas que a escritora é uma londrina de gema, quando eu prefiro as claras londrinas.

      Eliminar
    5. Ahaha acredito que sim. Ficou a sugestão.

      Eliminar
  6. Adoro o nome: Taprobana. O Sri Lanka não conheço mas conheço bastante bem a Índia, principalmente o Noroeste, por motivos profissionais. Uma sugestão que, mais uma vez, vou ter em consideração. No que concerne a sugestões / recomendações de leitura este espaço, que diariamente visito, é extraordinário.

    ResponderEliminar
  7. Mais uma sugestão: "Domingo à Tarde " do Fernando Namora, relato maravilhoso do drama de um médico que se apaixona por uma doente terminal e a acompanha nos últimos dias. É belo quando os escritores, longe das cobranças excessivas que a paixão pela literatura lhes suscitam, mostram apoquentaclao pelos nossos profissionais de saúde e se desvelam pelo seu quotidiano, longe de sentimentos menores como o ciúme ou a sofreguidão.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário