Regressa / Não regressa

No que respeita ao confinamento imposto em Março por causa da Covid, tivemos, segundo penso (e muitos jornais estrangeiros também sublinharam), um comportamento exemplar. Talvez mais por medo do que por obediência (mas isso agora pouco importa), fechámo-nos em casa e evitámos a catástrofe que podia ter-se abatido sobre os nossos hospitais num momento em que a doença, noutros países, atingia números de mortos e infectados assustadores. Mas agora, que o desconfinamento está em marcha, parece que os ex-enjaulados se puseram todos ao fresco de um momento para o outro e estão a facilitar. Nem falo dos inevitáveis contágios em estruturas industriais, ou bairros onde não é possível, pelas fracas condições de habitabilidade, manter as distâncias, lavar as mãos a toda a hora, pagar máscaras, higienizar espaços, evitar a propagação; falo de uma juventude inconsciente que se abraça pelas ruas e esplanadas e não põe máscara porque tem sempre um copo de cervejinha na mão, achando que nada lhe toca (e se calhar não), mas podendo levar a doença para casa sem saber e prejudicar pais, avós e irmãos. A Feira do Livro de Lisboa regressa a 27 de Agosto, e a notícia, para quem gosta de livros e, sobretudo, trabalha neles, foi um bálsamo num ano em que as vendas caíram a pique e levarão muitos anos a voltar aos números anteriores à Covid. Mas, como o Primeiro-Ministro avisou, pode haver recuo se as pessoas não cumprirem à risca as regras e os casos não pararem de aumentar. Estou aqui a pensar que, se as coisas continuam como nos últimos dias, ainda é possível um cancelamento da feira. Temos de portar-nos bem se a queremos de volta.


 


Tinha-me esquecido da sugestão, desculpem: pois vou recomendar um livro que publiquei há muitos anos: Está Tudo Iluminado, de Jonathan Safran Foer. Um jovem americano muito esquisito com as comidas (é o próprio autor, de resto) procura na Ucrânia a mulher que terá ajudado o seu avô judeu a escapar aos nazis. Um choque de culturas e um regresso à história da família com personagens realmente especiais. (Obrigada, Bibi, por me lembrar de que faltava a recomendação.)

Comentários

  1. Se correr mal, já sabem: podem compensar a falta da Feira do Livro de Lisboa vindo no dia seguinte, 28 de Agosto, até ao Porto e à Feira do Livro; o COVID abandonou a região dos feios, porcos e maus (e sem educação) ... [estou só a fazer chalaça da incultura de alguns dos nossos jornalistas televisivos e também da desmesurada e ridícula resposta propagada aos sete ventos pelo delfim de Pinto da Costa].
    VIVAM OS ESCRITORES E OS LIVROS !

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    1. Ainda bem que regressou à sala da Rosário, Artur.
      Já tinha saudades dos seus comentários, sempre inteligentes e com humor.
      Um bom dia!
      🌻
      Maria

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    2. Obrigado pelas suas palavras, cara Maria !
      Ainda a propósito da Feira do Livro: o presidente da Câmara do Porto, que passa por ser um homem culto (já o vi no teatro), considera que os editores exigem demasiado financiamento para estarem presentes na nossa Feira do Livro. Resultado: só alfarrabistas e livrarias costumam estar presentes na Feira do Livro do Porto. E é pena. Como é pena a demora em abrir os espaços públicos e bibliotecas nesta cidade, quando em Lisboa já estão abertos há mais de duas semanas.

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    3. Artur: em Lisboa ainda com muitas limitações, com menos na terra do inefával Isaltino, um marco da nossa democracia.

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  2. Não regressa: e a fama mundial de quem acha ser possível a um país viver em isolamento está cada vez mais próxima...

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  3. Apoiado,Artur!!!O engraçado é que não voltámos a ouvir semelhante comentário.

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  4. Acrescento ao comentário anterior,que me referia a infeliz intervenção da TVI.A resposta de Rui Moreira foi excelente,bem escrita,com conteúdo e graça,algum humor negro,recheada de verdades e sobretudo pondo bem o dedo na ferida.O centralismo lisboeta com a sua pseudo superioridade já cansa.Olhem para o que são e do que são capazes.
    Bibi(esqueci-me de assinar o outro).

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    1. Somos capazes de tanto que tivemos de ser afastados para salvaguardar a mediana fábrica de sapatos. Mas o mundo está longe de reduzir-se a este pequeníssimo Portugal.

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    2. Essa resposta de várias páginas do Rui Moreira a uma questão estafada também me cansou. Apropriada seria uma resposta curta e grossa, de preferência com vernáculo nortenho.

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  5. Bom dia.
    Tenho dificuldade em perceber, quando os conteúdos dos posts, publicados neste Blog, são "Artigo de Opinião" ou "notícia avulsa". Neste post publicado hoje, parece-me não restarem dúvidas de que se trata de um ArtºdeOpinião, salvo melhor opinião. Assim sendo, resta-me dizer que li o seu conteúdo, respeito a opinião da autora, porém, a obediência "às regras do jogo", impede-me de fazer um juizo de valor sobre o mesmo. fl
    Muita saúde.
    Cumprts de:
    . nos tempos livres - ler é o melhor remédio .

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    1. Parece que o FL precisa de uma resposta para meninos e meninas de dez anos...

      Embora não seja a "voz da dona", penso que todos os artigos deste blogue são de opinião, da opinião da Rosário, que é a editora das "Horas Extraordinárias", mesmo que transmitam quase sempre mais informação, útil para todos. Tal como acontece com todos aqueles que têm blogues.

      Na pior da hipóteses, um de nós dois anda aqui enganado.

      Nunca senti aqui nenhumas "regras de jogo" ou "obediência". Olho para este blogue como um espaço de liberdade e de quem gosta de livros (com sugestões e opiniões sempre bem vindas...).

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    2. Gostaria que percebesse o seguinte: cheguei a este Blog há uns dias, e é natural que eu ainda não conheça bem esta plataforma, nomeadamente quanto à duvida sobre o teor dos posts. Não é natural que eu tenha dúvidas ? Da maneira como fala deduzo que já anda por aqui há muito tempo e por isso conhece bem as pessoas desta plataforma e seus procedimentos. Caso a minha presença o incomode e seja "non grata", aqui, poderá, quando lhe aprouver, eliminar todos os meus comentários. Passar bem. fl

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  6. Tem toda a razão,FL.So respondi a uma provocação,mas concordo consigo inteiramente.Estamos aqui pelos livros e aproveito para lembrar a MRP que se esqueceu da sugestão de hoje.
    Bibi

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  7. António Luiz Pacheco2 de junho de 2020 às 04:29

    .1º - Extraordinário Artur, não considero que seja só falta de cultura dos nossos jornalistas! É bem pior do que isso. É falta de bom senso, falta de sensibilidade e acima de tudo uma imensa sensação de impunidade, de que podem dizer o que lhes apeteça no momento, sem pudor algum, certos de que há gente ávida de os ouvir dizer atoardas e enormidades, e que os seus superiores agradecem até a polémica que se transforma em "audiência" !
    A bestialidade, a estupidez do que se diz em televisão ou escreve nos jornais, o desrespeito pelo público ou por sectores do público, parece ser mais do que a tónica, o objectivo a atingir.

    2º - Não me importa se aquilo que faz "cacha" diáriamente neste blog onde venho há vários anos, alimentar-me de luz, e eu mesmo dizer asneiradas, é artigo de opinião se é outra coisa, porque seja o que fôr eu gosto de ler, como gosto de comentar e de discutir. Creio que como eu, a uma franca maioria de nós, leitores e gente da livralhada em geral, profissionais ou simples diletantes, também agrada!
    Estarei enganado? Não me parece... aliás, acho que há outras formas mais éticas de publicitar blogues ou a si mesmo, do que vir dizer mal deste.

    3º Quem pior come, mais esquisito é com o que come!
    Exemplares, são justamente os americanos (e os ingleses... já agora).
    Nunca vi comer tão mal, e nem nunca comi tão mal quanto nos EUA! Mesmo! Lembro-me de um tacho cheio de um guisado com uma molhangada doce e horrososa, cheia de queijo derretido, carne picada, pimentos aos cubos e milho, que me serviram uma vez ao almoço no restaurante do nosso hotel em Cornell (Ithaca - NY). Aliás o almoço que nos davam diáriamente era quase sempre incomestível, os nossos dois colgegas argentinos diziam a torto e a direito: "los americanos san locos!". Decididamente não sabem comer e o que comem não prestam... por isso os restaurantes italianos são comuns, sempre cheios e a salvação daquele país!
    Mas, comeres à parte, a história em si, promete...

    O nosso amigo e Extraordinário Paulo Moreiras é que tarda em publicar um romance gastronómico, nem que seja passado na América... com o Guy Fieri - o gajo do Diners, Drive in and Dives! Aquilo é do mais passado que já vi, se bem que às vezes façam coisas que parecem ser boas. Eheheh!

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    1. Extraordinário Pacheco, boa tarde.

      Todo o seu comentário de hoje foi muito interessante, mas aquilo que identifica no ponto 2 absolutamente pertinente e necessário.

      Obrigada,

      Patricia Ribeiro

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  8. Por um momento até me enganei no que recordo lentamente, por muitíssimo (diferente) "Uma breve história de tratores em ucraniano" de M. Lawicka; geralmente sou superficial em alguns assuntos com a estante.

    Nada do que me atende passa pela extremidade de vacinas que não a graça de uma fragilidade assistida, e estes livros à disposição tem a frequência de um ápice invernal quando me faltam.
    Cláudia da Silva Tomazi

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  9. Para não fugir ao tema a minha sugestão literária de hoje é "Um homem sem qualidades" do Robert Musil . Porque o narcisismo infundado é ridículo. Com todo o respeito à anfitriã, chamar "burro" a quem o é não é insultar mas reconhecer a realidade.

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  10. It's ok to threaten monsters and to make them pay for what they did because they should learn someday. And american editors aren't afraid of evil Margaret. They are powerful and independent and love magnificent books. See you Soon in ABC News. You will learn and i will help poor John.

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    1. Sweet dreams to U 2!

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    2. I agree: they need to sleep. And there are things they could only achieve in dreams.

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    3. Eu ainda hei-de oferecer o usufruto de uma casa (e da dona da casa) em manhattan ao pobrezinho. Só por caridade cristã.

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  11. Folgo em ver e ler a diversidade que tem vindo a crescer aqui no blog. Mas escrever em inglês?
    Quanto ao livro de Musil é um dos que tenho em falta. Talvez este verão.
    Teresa B.

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