Próximo Capítulo

Hoje realiza-se a segunda sessão do Clube de Leitura Próximo Capítulo por mim orientada. A primeira foi no passado dia 22 para apresentar os 4 livros que iriam a votação dos membros do clube: dois de autores portugueses, dois de autores estrangeiros; dois de mulheres, dois de homens. (Não fiz de propósito, mas fui politicamente correcta.) Há dias, soube que a vitória calhou a O Nervo Ótico, de María Gainza, e fiquei admirada, pois tinha anunciado que os autores portugueses se tinham oferecido para falar com os leitores numa das sessões, mas o público não deu, pelos vistos, grande valor a esse dado. Enfim, às 18h30 de hoje iremos então trocar impressões sobre este livro de estreia híbrido e maravilhoso de uma argentina de boas famílias (embora arruinadas) que tem medo de andar de avião e propensão para pouco mais do que contemplar pintura e ler livros; boas ocupações, diria eu que, por causa dela, vou ter de relembrar qualquer coisa da minha experiência como professora (estão vinte e tal pessoas em casa a ouvir-me e a interpelar-me), o que já não acreditava que fosse acontecer-me enquanto editora. Bem sei que é sexta-feira e que apetece tudo menos encontros digitais, mas, se quiser aparecer pelo Próximo Capítulo, inscreva-se. Terei muito gosto em vê-lo por lá.


Por falar em pintura, hoje recomendo um romance que publiquei há uns anos, de Cristina Drios, sobre a pintura de uma tela de Caravaggio e o seu roubo nos anos 1960 na Sicília. Chama-se Adoração. Não o percam.

Comentários

  1. Adoro Caravaggio é o meu pintor favorito. Li esse livro e gostei. Tudo o que diga respeito a esse génio do barroco, ficção ou não, estou lá. Já tenho imensa coisa inclusive a BD do Milo Manara em dois vols. Mas a obra maior é As Obras Completas de Caravaggio da autoria de Sebastian Schutze da TASCHEN.

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  2. Já li "Adoração" e também outro da mesma autora "Os olhos de Tirésias".Ambos excelentes e acho que já comentei isso neste blog há uns tempos.
    Quanto ao "Nervo ótico",nao gostei muito,mas são opiniões.
    Continuo a seguir e a adorar as suas sugestões.
    Bibi

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  3. António Luiz Pacheco5 de junho de 2020 às 02:16

    Boa sorte para logo!
    Realmente o público, ai o público... não foi a minha votação, aliás também não foi o livro que me interessava o eleito na última vez.
    Se calhar nem nunca verei ser falado um livro do meu interesse, o que confesso me vai fazendo desinteressar da iniciativa, todavia louvável.
    Gosto de ler e de falar sobre livros, com fazemos aqui... nem tanto de falar sobre livros que me não interessam nem um pouco, caso deste Nervo Óptico. Mas é assim que são as coisas.

    Já que estamos num local onde se fala de livros, lembro-me da indignação duma minha comadre, que aliás me permitam a franqueza de catalogar como um bocado tontinha, uma "dondoca" que lê tudo que é revista côr-de-rosa e literatura afim, quem me aconselhou vivamente e como "sensacional" um dos livros mais absurdos que já li, escrito por outra tonta: "Casei com um masai" ... conhecem? Não?
    Pois claro, muito me admiraria se conhecessem, mas vale como monumento à estupidez humana, apesar de ser um manifesto ao sonho e à ingenuidade.
    Imaginem uma mãe-de-família, ainda jovem, com marido e filhos, suíça, que vai de férias ao Quénia.
    Lá, conhece um dançarino de um grupo folclórico masai que actua no hote para os turistas. Apaixona-se pela figura e pelo que imagina.
    Abandona a família, o emprego, tudo!
    Vai para o Quénia onde vence uma imensidade de constrangimentos e dificuldades para se casar com o masai, tribal, submetendo-se ao que se imagina, desde a autoridade soberana da mãe dele, a ser outra mulher, a viver numa cubata numa aldeia de pastores, comer comida gentia, as tradições e todo um modo de vida que se estranha numa civilizada suíça, que a ter de se submeter àquilo na Suíça daria processos por exploração, machismo, alcoolismo, violência doméstica ... afinal o amor e uma cabana não basta, e como grand fnal, ainda teve de lutar para não deixar a filha, entretanto gerada, na família do marido... de notar que o sexo foi apenas para procriação pois como o descreveu, manifestamente não lhe agradou! E nem a ele... aliás quem vá lendo a sucessão dos casos, irá dando palmadas na testa, questionando: como é possível!
    E notem que eu estou bem vacinado e entrosado no africanismo.

    Ora aí têm um livro que o "públicozinho" poderia até votar e dava uma discussão se calhar interessantíssima, mas nos obrigaria a ler um péssimo livro, escrito num estilo "reportagem".
    Pior! Pelo seu aparente sucesso, teve uma sequela... onde se relata as razões e a saga do divórcio!

    Bom, ficam os meus votos de um Extraordinário e assintomático fim de semana, cá desde a Cidade Morena.

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    1. António Luíz: posso não concordar com os seus posts mas, pelo menos, fazem-me rir. Tenho verdadeira admiração pelo Quénia e suas tribos. São gente muito mais equilibrada do que nós. Esta madrugada saltou-me ao olhar a notícia de que os editores americanos (mais famosos ainda do que as estrelas que representam) ponderavam processar uma plataforma aberta de divulgação de livros on-line caso lhes causassem danos e às suas representadas. Ter uma voz bem audível mudará tudo. Uma voz capaz de tudo expor. Ainda antes do outono. Casar com um masai deve ser uma experiência maravilhosa. Tenho de experimentar. Um beijo doce e bom fim de semana aqui da cidade loura mas brilhante.

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  4. Não li o livro mas vi em Roma algumas grandes telas de Caravaggio, um pintor extraordinário. Sempre que me deparo com reproduções de obras suas fico-me por ali. Um bom patife, não tanto como Cellini mas quase.
    Já foi uma discussão havida por aqui e ficou claro: sabemos o que é o homem, vemos o que é o artista, admiramos o artista.

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  5. A "Adoração" promete, mais um para a lista...

    (e gostei do "Nervo Ótico", pela qualidade e leveza...)

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  6. Bom dia,
    Infelizmente, os títulos disponíveis em formatos alternativos, para cidadãos deficientes visuais, não são muitos. Esta deveria ser uma preocupação das editoras aquando da publicação de uma novidade editorial.
    O título escolhido para o próximo Clube de Leitura está integra o catálogo do Serviço de Leitura para Deficientes Visuais da Biblioteca Municipal de Coimbra, em formato mp3 (audiolivro).
    A propósito, li este título e gostei.

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  7. Muito gostaria eu de participar mas, "Tempus Fugit". Eu até me inscrevi no Clube de Leitura pois adoro ler e tenho muita curiosidade em saber como funcionam estas tertúlias, já que nunca participei em nenhuma. Assim, embrenhado na ciência e tecnologia e ainda em teletrabalho, cá vou lendo às " escondidas".

    Bom fim de semana a todos

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  8. Deixo uma pergunta que é também uma sugestão: na sessão de hoje será discutido e até criticado o ridículo título do livro, resultado, aliás, de (mais) uma «tradução» em obediência ao «aborto pornortográfico»?

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    1. Poucos continuam a escrever consoantes que não são lidas.

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  9. Sobre o "Nervo Ótico", que tanto pode ser do ouvido como da visão, com ou sem o "p", replico o meu comentário a um post de 29 de Janeiro deste ano, onde apareceu este título.
    Foi assim:
    "Quero voltar aqui para pedir desculpa à Maria do Rosário Pedreira (não passo disto, sou frequentemente faltoso) e à Maria do Carmo Abreu (excelente tradutora), mas não vejo necessidade - a não ser por causa do (h)ortográfico - imprimir ótico em vez de óptico. Até porque, no original castelhano é "El Nervio Óptico".

    É certo que a "cobardia" institucional não vai emendar aquela aberração do "hortográfico" e, à medida que o tempo passa e a coisa se entranha nas idades escolares, já vai tarde. Só por isso não votaria no livro, pois também por isso não o pretendo ler.
    Talvez com um novo acordo, decorrido o tempo e com uma comissão que saiba interpretar a Língua genuína, seja feita a correcção. Pela minha parte, só admito deixar aquele tipo de grafia quando a leitura se destina, quase exclusivamente, para crianças e jovens em idade escolar. E dói-me quando emendo esses vocábulos...

    Quanto ao "Caravaggio", esse depravado grande pintor, já o li e vi maravilhosamente desenhado pelo Milo Manara, o rei da sensualidade feminina na BD.

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  10. Boa tarde a todos,
    relativamente ao facto de a presença dos autores portugueses não ter sido factor de eleição de um desses títulos, não me admira. Não por demérito dos autores ou desinteresse dos leitores. O facto é que o protagonismo de um clube de leitura é - através do livro, sim - o leitor. É a sua oportunidade de se exprimir - até negativamente - sobre aquilo que lê ou inquieta.
    A partir do momento em que o autor está presente, há uma dinâmica diferente. Também interessante e relevante, mas diferente. Passa, na verdade, a ser um encontro com o escritor, quer queiramos ou não. E, havendo hoje em dia diversas oportunidades de trocar impressões com a maioria dos autores, os leitores acabam por também diferenciar estes dois momentos: aqueles em que falam despreocupadamente sobre um livro e aqueles em que têm oportunidade de saber outros pormenores sobre a construção do mesmo.
    Já tive a oportunidade de interrogar participantes em comunidades de leitores sobre se gostariam de ter ocasionalmente a presença do autor e a resposta da maioria foi peremptória: não. Noutra iniciativa, sim. Na comunidade/clube, não. Porque também ainda há quem sinta o estigma de ter de dizer somente coisas positivas sobre o que lê e fica inibido só de dizer: não gostei. Agora imaginem fazê-lo na presença do autor?
    Obrigada e boas leituras!

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    1. Faço parte do Clube de Leytura e concordo absoluta e convictamente com a sua opinião. Obrigado, Adelaide.

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  11. Olá, estou a participar na sessão de hoje e tenho pena de não ter estado presente na sessão de dia 22 mas não recebi nenhum convite :-(
    Este mês participo no Clube por si. Tenho curiosidade em conhecer as pessoas que trabalham de perto com livros.

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  12. Li e reli "O Nervo Ótico", um livro de que muito gosto, mas desta vez não consegui participar.
    Fica para a próxima se a tecnologia que permite encontros virtuais não o impeça.

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