Pelas próprias mãos

Por causa do homicídio de George Floyd, um negro americano que só tinha passado um cheque sem cobertura e foi morto por um polícia branco e sádico que o asfixiou diante de uma data de pessoas indignadas, muitas cidades norte-americanas estão agora a ferro e fogo, e os protestos estenderam-se à Europa, onde tem havido muitas e manifestações anti-racistas. O polícia em causa foi detido por ter decidido sozinho o destino de Floyd, sem respeito pela lei ou pela vida (esperemos que se faça justiça, claro). E, embora este assunto pareça intempestivo num blogue sobre livros, não o é, porque o que aqui me traz hoje, para matar saudades de um tempo em que me dedicava bastante a esmiuçar palavrinhas, é justamente uma palavra que tem que ver com a atitude desse polícia, «linchar». Se não sabiam, ficam a saber: no século XV, na cidade irlandesa de Galway, um senhor chamado James Lynch, que era uma espécie de presidente da Câmara, tornou-se conhecido por mandar para a forca o próprio filho depois de este ter matado um homem. Desde então, o verbo «to lynch» (em português «linchar») passou a significar fazer justiça pelas próprias mãos ou matar alguém (em grupo ou não) sem recurso a julgamento legal por uma ofensa cometida. Os linchamentos de negros repetem-se todos os anos nos EUA. Como diz uma amiga, neste momento não basta não ser racista, é mesmo preciso ser anti-racista.


Ligado ao racismo, recomendo um romance de James Baldwin que trata sublimemente deste assunto, Se Esta Rua Falasse. E um documentário notável, I'm not your negro, de Raoul Peck, sobre o genial Baldwin, que passou na RTP não há muito tempo. Gozem os feriados!


 


 

Comentários

  1. A lei que criminaliza os linchamentos é de 2018 e resultou de um acordo histórico entre democratas e republicanos. Foi aprovada por unanimidade. Sei porque escrevo agora sobre isso, num rascunho que gerou assombro. A minha Matilde originou prazer e a orfandade uma perplexidade indutora de desgosto. Todos os amores são sôfregos e não podemos compadecer-nos porque órfãos podemos ser todos quando quem amamos se afasta por momentos. Não podemos gozar os feriados porque estamos a escrever a carta de amor da nossa vida, a que compila e sistematiza os livros dos últimos seis anos. E este último ainda tem imensas máscaras, estão omnipresentes porque as amamos. Somos amados apesar da falta de voz que nos acometeu demasiado tempo. Estamos à beira do casamento e fora do mercado. E o edil estará fora da política caso cheguemos a ser primeiros cavalheiros, engomados e adorados. Afinal, perus (turkeys) não voam, já dizia o meu presidente favorito: o presidente Obama.

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    1. António Luiz Pacheco12 de junho de 2020 às 04:28

      Não é verdade!
      As vacas é que não voam, a menos que as atirem de um prédio...
      Como diz o Prof. Martins, aterra rápido mas voa! Já os perus (selvagens) voam sim senhor! Logo, o Obama não estava certo em tudo, por muito presidente dos EUA que fosse, aliás os presidentes dos EUA estão errados em muita coisa, sempre... só nós em Portugal (país onde as pessoas sabem sempre tudo sobre tudo, menos aquilo que deviam saber) é que tivémos um primeiro-ministro e depois presidente que nunca tinha dúvidas, e, raramente se enganava!

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    2. António Luíz: pois. O ódio é sempre coisa feia de ver e ouvir e uma declaração de inferioridade. Mas comparar o Obama com o Cavaco é como cotejar Deus com um pobre e ignorante camponês, ainda por cima arrogante. Ainda bem que às vezes o Bem tem muito mais poder que o mal.

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    3. António Luiz Pacheco12 de junho de 2020 às 07:41

      Vê... lá está o que eu digo, o preconceito!
      Comparar Obama ao Cavaco... porque não? Não são ambos homens?
      Porque há-de o Obama ser superior? E será mesmo? Em quê? Ou, vice-versa?
      E porquê o estereótipo do "pobre e ignorante camponês"?

      Não... em nome da tolerância e da liberdade, há muita intolerância e disponibilidade para se cercear a liberdade dos outros, sobretudo porqu enão pensam como nós.
      Vale a pena reflectir nisso.

      Bom fim-de-semana!

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    4. Bom fim de semana mas continuo a achar a comparação inusitada!

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    5. António Luiz Pacheco13 de junho de 2020 às 06:06

      Vou explicar:
      Eu não comparei Obama a Cavaco Silva... eu referi que os presidentes dos EUA cometem muitos erros, todos eles. E, a propósito referi que, em Portugal TODA a gente sabe sempre tudo... é um país de sábados... excepto os que nos governam, que não sabem nada! Excepção feita a um 1º ministro, depois presidente, que afirmou nunca ter dúvidas e raramente se enganar, como corolário dessa nossa segurança de sabões que somos!
      Não estou a comparar, veja lá bem...
      Mas, e porque não comparar?
      O Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, pessoa pouco simpática e nada comunicativa, um notório cara-de-pau empertigado, é todavia um académico muito considerado, em Portugal e no estrangeiro, onde leccionou em universidades de referência, e, aliás daí veio a sua notoriedade que o trouxe para governos... ou seja tem um percurso de capacidade, competência e sucesso. Devo dizer que não sou nem fui seu eleitor! Apenas constato isto, independentemente da minha antipatia política por ele.
      O Dr. Barack Hussein Obama, uma pessoa reconhecidamente de boa figura, simpático e comunicatico,é graduado em ciência política pela Universidade Columbia e em direito pela Universidade de Harvard. Foi professor universitário e advogado de direitos civis. Foi apoiado pelos media e pelos europeus, sobretudo por ser negro, e a sua principal mandatária foi a popular apresentadora de TV americana, considerada a mulher mais influente da época Oprah Winfrey. Não tenho particular simpatia pelo senhor, como nem por americanos de modo geral, mas também não desgosto.
      Se tivesse de escolher, provávelmente escolheria o Obama.
      Dito isto, pergunto ainda: porque não comparar Cavaco ao Obama? Ah... e tal, Obama é uma figura conhecida mundialmente, e isso... Bom , digam-me um presidente dos EUA que não seja uma figura com destaque a nível mundial? Só se for por isso... no resto, são comparáveis excepto na pequenês do país de Cavaco, é claro.

      Continuação de Extraordinário fim de semana, com muita leitura, Sol e tranquilidade!

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    6. António Luíz: responderei em tempo e local devido e sem recurso ao anonimato. Até porque há muitíssimo que dizer. Mas pensar que o economista português chegou à política por ser muito conceituado é risível. Acredito mais na versão da rodagem do carro, embora nenhuma destas seja verdadeira. O resto fica para comentar publicamente, sempre em nome próprio, porque é essa a minha postura. António Luíz, com relevância pública, que eu saiba , só existe um. E não escreve por aqui. Um fim de semana de merecimento para si.

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  2. Fora do contexto, e para descomprimir, não resisto a partilhar uma notícia que me deixou muito contente. Seja bem-vinda a nova editora e que tenha muito sucesso!
    https://www.rtp.pt/noticias/cultura/bazarov-e-uma-nova-editora-independente-de-ficcao-e-ensaio-que-aposta-no-minimalismo_n1235594

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  3. Dentro do contexto, eis aqui um peru gordinho a ser perdoado pelo Presidente Obama. Agora imaginem a Yoko Ono com uma facalhona de doze metros a avançar para o pescoço do Turkey.

    https://www.youtube.com/watch?v=7zeYugepcu8

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  4. António Luiz Pacheco12 de junho de 2020 às 04:53

    Eu, sou não-racista, o que é diferente e é o que devemos ser. Ser anti-racista é desde logo uma forma de racismo, sem que o pessoal o entenda.
    Aliás, sou constantemente vítima de pequenos actos de racismo, portanto indigno-me tanto com a morte de um às mãos de um polícia, quanto à morte de outro às mãos de ciganos, e, para que conste aqui, todos os dias polícias matam pessoas, assim como diáriamente são mortas pessoas em tod o Mundo... nem falo em cores, pois já percebi que para ser racismo e indignar alguns, os mortos têm de ter uma côr.

    Literáriamente falando, há livros muitíssimo bons sobre o tema do racismo, independentemente da côr dos protagonistas!.
    O primeiro grande livro que me lembro de ter lido sobre o racismo nos EUA, foi "Um negro que quis viver" - Richard Wrigth. Do mesmo autor, li "O filho nativo", outro grande livro sobre o tema. Eu era bastante jovem mas havia fortes tumultos raciais nos EUA, o que aliás acontece periódicamente. Na minha ilusão e ingenuidade, achava que o racismo era uma coisa que só havia "lá fora"...
    Muito mais tarde li J.M.Coetzee, numa outra abordagem ao racismo.
    As questões raciais, apesar da minha ingenuidade, desde cedo que me afectaram, recordo ficar bastante chocado com Serpa Pinto, e o retrato que traçava dos "pretos", com quem Henrique Galvão (um dos meus modelos) , pelo contrário, sempre me pôs bem!
    Ainda hoje lido mal com o racismo... seja ele qual seja ou de que lado venha. Porque sou não-racista, e tanto me ofende o racismo quanto o proclamado anti-racismo, sobretudo quando meramente teórico, erguido como bandeira da tolerância e liberdade, pelos intolerantes e inimigos da liberdade, que nem isso percebem!

    Saudações cá da Cidade Morena, e de uma manhã de sorte, pois escapei nem há uma hora por uma unha negra, ser abalroado por uma carrinha que entrou no cruzamento do Dombe a alta velocidade (sem prioridade). Percebendo pela velocidade a que vinha que ia passar-se algo, consegui travar e passar-lhe por trás, ela seguiu em frente, descontrolada, e foi partir-se toda na terra e mato, às cambalhotas.

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    1. Ó Paxeco fico feliz por nada te ter acontecido.

      A igualdade entre os homens assenta essencialmente na sua dignidade de pessoa - dignidade humana sem distinção de raça, sexo, nação, religião ou situação social, fundamento último da radical liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens.

      Livros (que agora me lembro) sobre o racismo de que mais gostei:
      -"A harpa de ervas" de Truman Capote
      -"A estrada do Tabaco" de Erskine Caldwell
      -"Certas mulheres" Erskine Caldwell

      Um livro, que sempre tive curiosidade (pelo título) que procuro há anos e nunca consegui encontrar: "O preto do coração branco" de Arthur Japin.

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    2. António Luiz Pacheco12 de junho de 2020 às 07:32

      Nunca ouvi falar desse "O preto do coração branco"!
      Vou investigar!

      Nos últimos tempos, o melhor que li/vi sobre o tema do racismo, foi um filme fabuloso que já vi umas três vezes... o Vigo Mortensen faz um papelão.
      - Greenbook, um livro para a vida.
      Reside naquilo que muito bem dizes e não podia estar mais de acordo, afinal há uma ponte que é estreita e se atravessa muito fácilmente! O filme baseia-se nisso! Na ponte e nos bons sentimentos, de humanidade que afinal todos temos.
      Tem a particularidade de estar ligado ao livro, que é um guia para negros nos EUA. Enfim, há que olhar à data... Um filme fantástico, que aconselho a toda a gente!
      Creio que houve um Óscar nesse filme, não me lembro e estou com preguiça de ir ao gúguel.

      Abraço e bom fim de semana!

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  5. Concordo em absoluto: não basta não ser racista, não basta não ser fascista - o fascismo combate-se lendo ( por isso os nazis queimavam livros) , o racismo combate-se viajando. Um bom fim de semana a todos os anti-racistas e anti-fascistas.

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    1. "os nazis queimavam livros"... os sociais-fascistas também o faziam, (e de que maneira!), livros e não só... ninguém esquece Jdanov.

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  6. Embora o termo "lynch" tenha surgido na Irlanda, sempre foi mais usado nos EUA, onde era prática comum aplicar essa "lei", tanto por tribunais mais ou menos institucionalizados como por populares, como penalidade vital pelo simples roubo de um cavalo. Passava o nó corredio pelo tronco de uma árvoes, colocava-se o condenado num cavalo e, com uma palmada na garupa (glup!) ficava o "linchado" a bailar, preso pelo pescoço.
    É das cenas mais degradantes, a par da guilhotina. Ao fim e ao cabo, foi idêntica a dose do polícia sobre o Floyd, uma vez que o levou à asfixia numa das zonas mais sensíveis do corpo humano: o pescoço.
    Talvez daqui tenha surgido o termo "lixar", aportuguesamento de "linchar", quando alguém se refere a castigo por uma falta.
    Tal como o Pacheco, sou não racista, o que não é o mesmo que anti-racista, como ele nem explicou. Vivo alguns anos (poucos) em África e estudei lá, o suficiente para lá fazer muitos amigos, pretos e brancos.
    Quanto ao livro sugerido, "Se Esta Rua Falasse", apesar de me fazer lembrar o fado "Ai se os meus olhos falassem", de Nóbrega e Sousa e Jerónimo Bragança, nunca li, mas julgo que será uma leitura interessante e oportuna.
    Há uns anos, fiz uma série de trabalhos através de semelhante título na primeira pessoa, só que se passava com automóveis - "Se o Meu Carro Falasse" - narrado pelos proprietários dos ditos. Aqueles bancos traseiros!!!...

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    1. Peço desculpa ao Pacheco, mas por esta "minha" caixa de comentários andam à solta as gralhas, sem que eu as abata. Onde eu escrevi "como ele nem explicou", referindo-me à explicação do Pacheco sobre o racismo, eu pretendi e pretendo dizer "como ele BEM explicou".
      Onde diz "vivo" em África, pretendi dizer "vivi". E pior aí adiante...
      Vou colocar um post-it junto ao monitor: "antes de publicar comentário, revê a coisa, ó meu!"

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    2. As narrativas pretéritas e factos correspondentes relativos a bancos de automóveis foram expressamente perdoados. Como canta a negra Beyoncé "if i were a boy..." e abrimos o contador a partir de agora. Os homens sensíveis, que separam na perfeição emoções e actos, são ciumentos sobretudo do que se sente e nós entendemos. O que for mentira (nunca fomos geriatras, nem por um dia) será severamente punido. As pessoas não podem confundir desejo com realidade. Beijinhos e bom fim de semana aqui da cidade doce.

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  7. «Os linchamentos de negros repetem-se todos os anos nos EUA.»

    Na verdade, naquele país são mais os brancos que são mortos por negros (quer criminosos, quer polícias) do que o inverso. E são muitos mais os negros que são mortos por outros negros.

    O que aconteceu a George Floyd (um afro-americano desarmado ser morto por acção, por abuso de força, de um polícia) representa algo que é actualmente extremamente raro nos EUA, e de momento nada há que comprove que tal resultou de racismo - Derek Chauvin, o acusado, esteve também envolvido em incidentes com caucasianos.

    Porém, e infelizmente, não faltam os demagogos, oportunistas, parasitas das tensões raciais (reais ou imaginárias) - todos esquerdistas, democratas - prontos a intrometerem-se e a aproveitarem-se destas situações para atingirem os seus fins políticos, mesmo que isso implique incentivar ou justificar motins, roubo, destruição, mais mortos.

    Uma das vítimas mortais da onda de violência que se seguiu foi David Dorn, também afro-americano, polícia reformado, atingido a tiro por ladrões quando tentava proteger a loja de um amigo. Merecia uma onda de solidariedade pelo menos tão grande como a de Floyd - que, note-se, tinha um longo cadastro criminal.

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    1. Também concordo consigo, Octávio. Há sempre oportunismo, mesmo nos movimentos que supostamente se originam por justos repúdios. Assaltos, destruição e vandalismo, a coberto dos protestos, nada têm a ver com estes. Nem resolvem nada, a não ser suscitar outros ódios raciais.

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  8. The colour purple, de Alice Walker. Um fabuloso livro sobre a condição dos negros norte-americanos.
    Beijinhos e um excelente fim de semana

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  9. Não li muitos livros sobre este tema mas li "Não Matem a Cotovia", de Harper Lee, que foi considerado pelos leitores de livros de língua inglesa o livro do século (XX).

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    1. E o filme, Na Noite e No Silêncio, com Gregory Peck no protagonista, faz inteira justiça ao livro que também li.

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  10. Adorei "não matem a cotovia ", um livro sensível e maravilhoso, em que me treinei na leitura depois de tantos anos de paragem, até aprender a interpreta-lo na perfeição. Ensinou-me que boas pessoas têm autorização para destruir, sem clemência, monstros. Que o amor vence se persistirmos nele. E que, sem prorrogações nem dilações, temos encontro marcado com a felicidade.

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