E por falar em racismo

Soube recentemente uma história muito curiosa através de um post publicado no Facebook pela tradutora Maria do Carmo Figueira. Certamente se lembram dos Peanuts, um cartoon ultra-inteligente de Charles Schulz, protagonizado por Charlie Brown e os seus amiguinhos e colegas (além do Snoopy, claro). Na tira deste comic, altamente popular por ser publicada diariamente nos jornais, apareceu em 1968 uma nova personagem que pôs os Estados Unidos em polvorosa. Chamava-se Franklin Amstrong e era a primeira personagem negra dos Peanuts (e provavelmente da maioria dos cartoons norte-americanos). Mas de quem foi a ideia? Não de Schulz, mas de uma professora que lhe escreveu uma carta na sequência do assassinato de Martin Luther King. Consciente da influência dos Peanuts nos jovens norte-americanos e tendo trabalhado muito com crianças, dizia que raramente se encontravam BD, livros ilustrados e cartoons em que estivessem representadas juntas crianças negras e brancas numa sala de aula; e que, se Schulz estivesse aberto a introduzir uma criança negra nos seus Peanuts, ajudaria decerto a que os mais novos percebessem que os negros não eram os excluídos da sociedade e a que, assim, a situação se alterasse para evitar mortes como a de Luther King. Schulz confessou-lhe o receio de poder parecer apenas condescente, mas a professora e o cartoonista trocaram uma longa correspondência, até que finalmente apareceu na tira de um jornal Franklin Armstrong, um rapaz negro americano cujo pai estava... na guerra do Vietname a defender o seu país (esta foi um golpe de génio). Muitos negros, ao que se diz, choraram de comoção nesse dia 31 de Julho de 1968. E a professora, estou certa, terá chorado de alegria. Uma bela história que começou assim:


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Para hoje recomendo Os Pretos de Pousaflores, de Aida Gomes, um livro sobre os três filhos mulatos de um português «retornado» à aldeia pequena (e racista) em que nascera, em 1975. E, porque ontem me esqueci completamente de recomendar uma leitura (como a Bibi referiu), do que peço desculpa, proponho hoje que leiam álbuns da Mafalda, de Quino, ou de Calvin & Hobbes, de Bill Watterson.

Comentários

  1. Aqui temos uma forma paralela de comunicação literária, com recurso ao desenho. Esta era - digo no pretérito porque se está a esvanecer com a tecnologia - a ferramenta de massas com mais penetração na juventude, que é a BD. Pelo post da Extraordinária MRP se pode aquilatar a importância que o meio gráfico produziu, com a introdução de um elemento de cor nos Peanuts por parte do Schulz.
    Reparem ainda: o rapaz de cor aparece com a cara "riscada", podendo até fazer crer que o desenhador pretendeu diminuir a sua importância relativamente ao rapaz de cor branca ou rosada. A explicação reside no facto de esta BD ser apresentada em tiras diárias, a preto, e em prancha dominical, a cores; se a cor identifica facilmente o afro-americano, a cor preta não ajudaria no mesmo propósito, havendo necessidade de preencher o espaço que "colorisse" o desenho. Há várias técnicas para isso, para além da carapinha e dos lábios grossos, sendo o claro escuro bem aplicado, as tramas gráficas ou os risquinhos, as mais eficazes.
    À guisa de demonstrar o que digo (e sem publicitar o que não merece publicidade), convido os mais interessados a verem o resultado que obtive num pequeno trabalho que fiz para um amigo e que levei aqui:

    http://bandarra-bandurra.blogspot.com/2017/05/como-eu-atravessei-africa-serpa-pinto.html

    É sobre um episódio narrado pelo explorador Serpa Pinto ao atravessar a África, quando o soba da aldeia (por costume da tribo) entregou as duas filhas, Opudo e Capêu, para dormirem com o aventureiro português. Os risquinhos foram essenciais para este desenho a preto e branco, tanto mais que desenhei as raparigas completamente nuas (desde já o aviso aos mais sensíveis) neste caso, com final feliz.
    O Extraordinário Pacheco decerto terá curiosidade neste pequeno excerto, pois adivinho que terá lido "Como eu Atravessei a África".
    Para verem as imagens como deve ser, será necessário clicarem nas mesmas.

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    1. António Luiz Pacheco18 de junho de 2020 às 04:01

      Ora que oportuna explicação... eu perguntava-me, há muito, o porquê do "riscado" do Franklin ... e aí está finalmente a explicação!
      Também gostei de ler a história deste personagem, concordando com a finalidade e a estratégia da professora, tinha que ser alguém pragmático e conhecedor para ter essa idéia.
      Creio que o nome Franklin, também foi escolhido de propósito... Benjamin Franklin é um nome com muito peso para os americanos.

      Grato pela referência, que me é feita, sim li o livro! Ainda é costume haver essa disponibilização nalguns lugares mais remotos, no mato... em 2012, numa aldeia na zona de Mussende (Quanza Norte) uma catorzinha podia obter-se por 250 USD, sendo 100 para o soba e 150 para o pai... não comento! E, não é um costume europeu ou imposto por estes, note-se, é cultural e africano!
      Mas, como parece que, na opinião de um preclaro, experiente e sábio locutor de rádio, nós é que não sabemos nada, fica esta sugestão para os pais que nos leiam aqui aprenderem qualquer coisa, como por exemplo a rentabilizar as suas jovens filhas...

      Não vou dizer quem, mas isto ficou escrito e creio que se aplica:

      “Repara, como pode um viajante correr Mundo e descobrir coisas, sem destino nem dias contados se estiver sempre com saudades de casa? Não, o viajante perde a noção do tempo! Para ele os dias contam-se apenas como dados necessários a avaliar distâncias e a orientar os que vierem depois, e, nunca se contam para saber há quanto tempo se está fora. Não se viaja para chegar a lado nenhum, vai-se pelo ir! É nesta pequena grande diferença que se distingue o viajante, o verdadeiro e não o que se diz foi a tal parte, e depois trouxe o quê? De que serviu ir lá? Quando muito deu um nome ou deixou um marco… Não! O viajante que interessa, que é útil, o que descobre verdadeiramente coisas, é o que vai observando e aprendendo, que recebe e recolhe as impressões dos sítios por onde passa, que bebe a água dos rios e tanto come o pó dos caminhos como a comida da terra, que sua com o calor e treme com o frio, que ganha novos hábitos e se adapta, que vive como as gentes que visita e dorme com as suas mulheres! Quem muitas vezes morre nessa viagem, na busca do que não se conhece. Não é aquele que leva consigo o seu modo de viver e pensar, que se fecha ao que o rodeia, ou o que vai à procura de algo que se pensa existir, com o objectivo de reconhecer ou confirmar ideias de outros que não são capazes de ir eles mesmos. Foi aquilo que se chamou em tempos, dar novos Mundos ao Mundo! Os portugueses são mestres nisso!”. (sic)

      Serpa Pinto, que admiro e fez algo de notável, não foi no entanto um viajante, foi um explorador com uma missão, que cumpriu. Nunca amou os lugares por onde andou e se por eles se interessou foi mais pelas anotações geográficas e eventualmente antropológicas, mas estas tendenciosas e sobretudo preconceituosas - eram as da época, entenda-se!

      Cito ainda:
      " O outro pareceu-lhe um homem decidido, corajoso, prático e vertical, mas também presunçoso e com alguma vaidade ou ânsia de protagonismo! Conversaram bastante pois viajaram juntos para Benguela de onde ele partiria, e, o nosso explorador viu no outro o protótipo do viajante que vai por dever e não por vontade, para quem será apenas uma missão. O seu interesse era estrictamente o de cumprir objectivos e não se envolvera por ou com paixão. Era do tipo que não se mistura, o tal que não conhecerá o sabor da comida, nem do pó e menos das mulheres das terras que visita! Serpa Pinto sabia muito pouco sobre os africanos de quem aliás tinha opinião pré-concebida e má, era preconceituoso e elitista, tipicamente seguro de uma superioridade assente em pressupostos errados e que ele sabia não se verificar! ". (sic)

      Grande abraço cá de Benguela, Cidade Morena!

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    2. Belos desenhos! E a técnica do sombreado foi a melhor forma de dar volume e "cor" às personagens. E boa explicação para o uso dos traços na persongem do Franklin.
      As personagens dos Peanuts passaram-me um pouco ao lado, na idade em que os apanhei nas tiras do vespertino "Diário de Lisboa" que o meu pai comprava antes de chegar a casa. Adorei muito mais as tiras do Calvin & Hobbes que me atraíram pelos pensamentos e pelo desafio do desenho cada vez melhor do Bill Waterson. Pena que ele tenha deixado de desenhar.

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  2. Sobre o tema do racismo vi há dias um documentário na Netflix que me abriu os olhos sobre a origem e a evolução histórica do racismo nos Estados Unidos desde a escravatura até aos dias de hoje. Chama-se “The 13th Amendment”, a emenda da constituição americana que aboliu a escravatura. Em cerca de uma hora o documentário oferece-nos uma panorâmica do modo como foram sempre criadas leis punitivas dirigidas à população não branca da América, mesmo depois da vitória “equal rights movement” nos anos 50/60/70 do século passado. Como resultado dessas leis discriminatórias hoje em dia 25% de toda a população prisional do mundo está enjaulada em cadeias americanas, com grande percentagem de presos não brancos. Isso é dito por Obama logo no início do documentário e no final do filme percebemos o porquê deste horror social. Quem viveu e trabalhou durante uma meia dúzia de anos na América sabe que há um apartheid cultural e social com raízes profundíssimas, em vários aspetos raízes que parecem difíceis de mover.
    Já agora, durante as férias do Verão passado li um livro muito revelador para mim sobre a história da escravatura em África. Foi escrito por um historiador franco-senegalês, Tidiane N´Diaye e chama-se “O Genocídio Ocultado”. Revê a evolução histórica da escravatura em África desde tempo imemoriais até hoje, com particular ênfase na escravatura de negros pelos árabes após a expansão islâmica. Como em todos os livros sobre escravatura, tem descrição de práticas atrozes. Para dar um exemplo, os escravos negros que eram capturados pelos esclavagistas árabes eram habitualmente castrados para se promover a sua submissão e para não se reproduzissem. Lido o livro, fica-se com a convicção de que Humanidade Subsariana será aquela parcela da nossa espécie que mais tem sofrido ao longo da História às mãos de impiedosos opressores que parecem estar presentes no continente africano em todas as suas eras.

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    1. António Luiz Pacheco18 de junho de 2020 às 04:14

      Tem razão Extraordinário Artur.
      A escravatura é transversal a toda a humanidade, em todos os tempos e continentes.
      Mas não começa com os árabes em África... já era praticada entre os africanos eles-mesmos, que se guerreavam por essa razão: para obter escravos. É sabido e está estudado e identificado. Só que é um daqueles factos que não interessa, que se esconde ou que muitos fingem ignorar e fazem por que não seja divulgado, é incómodo.
      Para ser erradicado, tem de se saber toda a amplitude do mal!
      Tenho a impressão, e vale o que vale, que o objectivo desta actual onda e campanha, não é acabar com o racismo, pois quem o apregoa pratica-o por sua vez, mas sim tem objectivos políticos e sociais bem definidos e nem por isso obscuros. O racismo tende a acabar se as pessoas conviverem naturalmente, como nos Peanuts e como a referida professora intuiu ou percebeu. O não-racismo não se impõe, mas cultiva-se.
      Sei muito bem aquilo que digo.

      Obrigado por nos trazer aqui a indicação desse livro, que vou procurar, porque o tema me interessa muitíssimo!

      Grande Abraço moreno - bom, com a falta de praia ando um bocado "branquela" mas logo passa, porque é mesmo só à flor da pele!

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    2. Sempre interessante ler o António Luíz Pacheco ! E fico sempre com alguma melancolia por saber que irei morrer sem ter conhecido a Cidade Morena, terra mágica de que muitos me têm falado, sempre com fascínio, desde há mais de quatro décadas e que os textos do António Luíz relembram. Não conheço ninguém que tenha vivido em Benguela e que não a recorde com muita saudade.

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    3. António Luiz Pacheco18 de junho de 2020 às 09:05

      Meu Caro Artur: há de facto um qualquer sortilégio nesta terra de Benguela!
      Nunca se sabe se cá virá um dia, ou se fica pelo que dela imagina... é bom ter sítios onde ir e coisas por fazer, lembre-se.
      Já que me dá o mote, abusando da sua paciência, resumo assim uma descrição de Benguela, retirada de um romance. Talvez goste de ler e o ajude na sua imaginação do que é.

      "A minha terra é Benguela, província, e, cidade onde me sinto de facto em casa, apesar de ter nascido lá em Quilengues, na exploração de madeiras do meu pai e tios, portugueses. Vim novito para cá, estudei no liceu e aqui me tornei em boa parte naquilo que sou hoje, bom ou mau.
      Sou fruto desta cidade das acácias rubras, do clima ameno, das praias e mulheres morenas e bonitas, da cerveja gelada e do cheiro a maresia. Da liberdade e tranquilidade que se respira aqui onde se pode andar à vontade, as pessoas riem e festejam até os funerais, pois quem morre vai desta para melhor!
      Benguela é de tal modo sui generis que práticamente nem guerra houve! É uma terra de gente bem-disposta que vive sem pressa e cultiva o deixa-andar, o logo-se-vê. Portanto sentimo-nos bem. "

      ... "Viver aqui é simples! Tudo se conversa e negoceia. Logo se resolve ou se não tem resolução, resolvido está e toda a gente o encara com tranquilidade, não há depressões nem existe stress! Talvez pela simplicidade de tudo, pela aceitação que o fatalismo luso e africano, misturados, nos deram. “É pá, não complica!”, “Não tem maka (problema)!”, são expressões muito usadas, assim como é mau ser tido por “confusionista”. Conhecem algum sítio no Mundo onde a infracção de trânsito seja negociada ali no momento com o polícia? E sempre a contento de ambas as partes? Não tem maka!
      Diz-se em Benguela que para ser feliz, um homem precisa de três coisas: uma mulata, um Land Rover e uma horta no Cavaco. Já tive estas coisas, se bem que a minha horta seja a serração. Sinto-me bem na minha vida em Benguela, simples como simples é gerir a serração e o negócio das madeiras que nem dão muitas preocupações. Para desenfastiar, exercitar o cérebro e por razões sociais vou aceitando alguns casos de direito comercial, desde que não metam tribunal para o que não tenho paciência! Tenho os meus amigos com quem tomo uns copos no final da tarde, os meus livros, vou à caça e à pesca, e, como ao meu amigo Alberto Caeiro, a espantosa realidade das coisas é a minha descoberta de todos os dias e como a ele, isso me alegra e me basta. Só, ao contrário dele, não sinto a necessidade de o explicar! Coisa que aliás faço agora a quem me leia." ...

      Um abraço africano!

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    4. Meu Caro António Luíz, que belo texto o que acaba de partilhar connosco ! Muito obrigado por me oferecer a sua Benguela e as suas gentes e o seu particular e saudável modo de encarar a vida. São palavras que redobraram a minha mágoa por nunca ter vivido na sua Cidade Morena, eu que sou filho de espanhola nascida em Zenza do Itombe mas que nunca pisou terra angolana. O último benguelense que me transmitiu face a face os fascínios da sua cidade é um médico, e professor de medicina, que sei que por aí continuar a gozar a sua vida e que já não vejo há uma década. É um cambuta, que se calhar o António Luíz conhece, chamado Brandão, um conversador de temas intermináveis.

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    5. António Luiz Pacheco18 de junho de 2020 às 14:10

      Vou procurar, o seu "cambuta" ... ahahah! Um termo para mim simpatiquíssimo!
      Para quem não saiba, significa "baixinho".
      Querido Artur... de facto nós, aqui, neste Extraordinário espaço, somos uns priveligiados pela corrente humana que estabelecemos, amantes da leitura!
      Sinto-me de facto agradecido por fazer parte deste grupo!

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    6. Já agora, é um cambuta de óculos. Se chegar à fala com o Brandão, o António Luíz prepare-se para perder algum tempo porque ele tem conversa para um dia inteiro.

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    7. António Luiz Pacheco19 de junho de 2020 às 04:47

      Nem de propósito... já o localizei!
      Tenho um conhecido que o conhece bem, foi seu colega de liceu! Ele é (era?) vice-reitor da Universidade Rei Katiavala Buíla, aqui em Benguela. Portanto vou tratar de o procurar...

      Extraordinárias coincidências!

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    8. Caro Amigo, não se esqueça que eu o avisei para ir com tempo disponível... Vai gostar de conhecer o Brandão. Abraço.

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  3. Adorei "Os pretos de Pousaflores", tanto que acabei a pedir amizade à Aida no facebook. Na minha opinião, merecia ter tido muito mais leitores, é uma prosa deliciosa!

    Rui Miguel Almeida

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    1. Está anotado ! Obrigado pela sugestão.

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    2. Emprestava-lho com gosto, caro Artur. Para a semana trabalho no Porto, junto ao mercado do bom sucesso.

      Rui Miguel Almeida

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  4. Tem havido muito ativismo de combate ao racismo e ainda bem pois é um instrumento valioso contra a discriminação. Há erros e exageros mas em todas as lutas os há.
    Outro campo de militância tem sido o movimento pela igualdade de género, com muitos sucessos conseguidos, felizmente.
    O que está a falhar e foi vigoroso em tempos é a luta contra a discriminação por propriedade de bens materiais. Neste campo a discriminação tem-se instalado com sucesso e parece estar a acentuar-se vigorosamente. Se os movimentos perderem força o abismo que se cavará desemboca sempre em revoluções violentas.

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  5. A importância certeira o post demonstram entre tensões a América de 1968, época da cega navalha a moderação (notável) através de arte. Percebo, como "racismo" sistema complexo e desumano é de expressão traumática e se lhe falta em sensibilidade à complexa cultura civilizada, lhe sobra prestígio sem boa intenção. Lamento que ainda, seja limitada a visão da navalha.
    Cláudia da Silva Tomazi

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