Plágios

Desculpem, hoje venho mais tarde porque estava convencida de que já programara um post para entrar esta manhã e só agora verifico que, afinal, não o tinha feito. Além de que estou a ter uma invasão de formigas minúsculas no meu PC, que caminham por entre as teclas como se viessem do seu interior, e isso custou-me já parte da manhã em limpezas e desinfecções. Mas adiante. Falarei hoje de uma coisa que descobri há dias com grande surpresa. No meu tempo, cabulices e copianços eram no liceu, e havia muitos alunos apanhados a copiar nos pontos (que era como então se chamavam os testes), embora menos nos exames, que aí a vigilância era apertada. Mas, quando íamos para a faculdade estudar aquilo de que gostávamos realmente, isso acabava, porque estávamos a ler e investigar sobre assuntos que nos apaixonavam, não fazíamos frete, tirávamos prazer do saber e sabíamos responder quando interpelados e desenvolver certas temáticas em trabalhos escritos. Pois hoje parece que não é assim e que os pobres professores universitários até têm um software específico nos seus computadorres para detectar casos de plágio... A verdade é que, além dos alunos ingénuos dos primeiros anos que copiam os grandes autores sem aspas nos seus trabalhos, pensando que os professores não dão por nada, agora também os mestrandos e doutorandos copiam da Internet trabalhos já feitos com a maior cara-de-pau e ainda ficam chateados quando são descobertos e levam zero. Fiquei pasmada. Com universitários assim... Adeus, futuro.


Hoje recomendo A Estrada, de Cormac MacCarthy (um caminho muito mais interessante do que o meu carreiro de formigas, acreditem, e também bastante apropriado à época).

Comentários

  1. "A Estrada" e "Meridiano de Sangue" são dois livros soberbos de Cormac McCarthy, violentos e desesperançados, de que gostei imenso. Falta- me ler "Suttree", que me espreita dali de frente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Já li também o Suttree mas considero que é inferior aos outros dois!

      Eliminar
    2. A Estrada é um grande livro, mas a adaptação cinematográfica, com um excelente Viggo Mortensen, não lhe fica nada atrás.
      Também gostei de ler o Este País não é para Velhos.
      🌻
      Maria

      Eliminar
  2. Também do Cormac MacCarthy, também gostei muito de "Este país não é para velhos".

    ResponderEliminar
  3. António Luiz Pacheco25 de maio de 2020 às 04:30

    Gosto de ler o McCarthy! Gosto sim senhor... e li práticamente tudo que escreveu e foi por aí publicado, em português!
    É no fundo um escritor de westerns modernos... pois o género não se esgotou na "conquista do Oeste", evoluiu ou melhor, avançou no tempo!
    Vários dos seus livros deram bons filmes, por sinal!

    Formigas: o calor do computador pode tê-las atraído... e fazem ninho, roendo fios e pior, para o ninho produzem uma massa, que pode isolar contactos e assim impedir o correcto funcionamento do computador, que pode ter de ser aberto e limpo - por um técnico.
    Uma aplicação de "dum-dum" acaba com elas... mas o que já tenham provocado, não se sabe...

    Plágios: Bom, e o que seria de esperar, com tanta informação à solta aí pela net????
    Há trabalhos universitários, teses de mestrado e doutoramento, publicadas em sites na net!
    A nossa natural e humana tendência é evitar o esforço, logo, é fácil copiar e usar o trabalho de outrem, com o mínimo de trabalho por parte do copista.
    Há que tomar medidas, sem dúvida... mas o que esperar numa sociedade onde o esforço e o mérito são cada vez menos premiados? Em que não se cultiva o espírito de sacrifício, a entrega, a resiliência? Afinal o homem há milénios que trabalha para isso, par poder viver em conforto e sem esforço, alcançada a elegia da preguiça. Ao que parece, está a ponto de o conseguir, olá futuro! Eheheh!
    Já as esforçadas formigas, pelo contrário...

    Saudações formigantes, westernianas e preguiçosas cá da Cidade Morena!

    ResponderEliminar
  4. Sei de dois casos de plágios, muito graves, apresentados no Facebook já há uns anos. Um foi ameaçado de processo judicial e meteu a cauda entre as pernas (gosto mais de dizer cauda do que rabo, cauda é mais de bicho); o outro é idiota demais. Do segundo, retirei cópias. Para se ver bem até que ponto pode ir uma patológica necessidade de afirmação e um interior muito reles. Escusado será dizer que as plateias virtuais que aplaudem essas criaturas são totalmente ignaras.

    Cristina Carvalho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco25 de maio de 2020 às 05:24

      Caríssima C.C.
      Creio que o plagiador quando arrisca, conta com isso, com o desconhecimento dos demais.
      Mas o atrevimento pode sair caro... e eu diria que, nos tempos que correm, pela informação que por aí circula ao alcance de qualquer um, começa a ser arriscado plagiar.

      Cumprimentos aí pr'á Ircêra...

      Eliminar
    2. Obrigada Cristina Carvalho.

      Eliminar
  5. O plágio mais famoso que me lembro foi o perpetrado pela Clara Pinto Correia, há mais de 17 anos. Confesso que esse facto me afastou da escritora, por quem nutria alguma admiração.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco25 de maio de 2020 às 09:05

      Permita-me uma observação, sem pretender fazer defesa da CPC.
      Se bem me lembro, (é pá estou a plagiar o Nemésio?) , o que ela plagiou foi um artigo de uma revista, para um outro artigo noutra revista.
      Confesso que nem era grande leitor dos artigos dela, não por desinteresse, mas por incapacidade de ler todos os artigos em tantas revistas, e, tirando o saudoso José Quitério que segui fielmente no "Expresso", nunca fui seguidor de nenhum opinante em particular, se bem que goste de ler alguns, só que cada vez são mais raros os que valem a pena ou são isentos, actualmente dedicam-se mesmo a "fazer-nos a cabeça" (como muito bem dizem os nossos amigos brazileiros) coisa com que eu sempre muito engalinhei, isto para falar portuguêsmente!
      Ora a escritora C.P.C. , nos seus livros, tanto os da biologia quanto romances, não plagiou ninguém, que eu saiba. Ostracizá-la, afigura-se-me excessivo, mas é a minha opinião de traça dos livros, e, vale o que vale.
      Sem querer de forma alguma "fazer-lhe a cabeça" , isto é apenas a gente a conversarmos!

      Um abraço, cá da Cidade Morena.

      Eliminar
    2. Lembro-me bem desse plágio e também foi decepcionante para mim: um plágio é um plágio, ponto.
      É uma desonestidade.
      E quem o faz não merece confiança.
      🌻
      Maria

      Eliminar
    3. A propósito do grande JOSÉ QUITÉRIO, já leste (dele) "A ARTE BEM COMER"? o melhor que li sobre o assunto -uma pérola de literatura-.

      Eliminar
    4. A propósito de gastronomia permitam-me que vos recomende está pérola, não se vão arrepender: " Comes e Bebes: De quem é que estavas à espera?" , do Miguel Esteves Cardoso.

      Eliminar
    5. Eu não gosto de ostracizar ninguém, muito menos um escritor, ofício que o meu pai sempre me ensinou a admirar como se fosse a mais nobre de todas as artes. Sendo as expectativas muito elevadas para quem possui as faculdades para ser escritor, será também a desilusão directamente proporcional a essas expectativas. Se tivesse sido 1 político a plagiar, seria seguramente menos reactivo.

      Eliminar
    6. Do Quitério aí vão mais três: Comer em Português com fotografias de Homem Cardoso, Histórias e Curiosidades Gastronómicas, Escritores à Mesa (e outros artistas), além da colaboração na obra O Livro de Mestre João Ribeiro, que foi o cozinheiro de Calouste Gulbenkian.

      Eliminar
  6. Num mundo cada vez mais preguiçoso, teatral, depreciado, cada vez mais comercial e massificado o plágio parece uma inevitabilidade. Uma inevitabilidade amarga para quem constrói por paixão, pela reflexão, no silêncio do seu caminho, pois podendo o seu trabalho quase incógnito ser de modo reles aproveitado por aqueles a quem o mercado gere, com a mão na carteira e os olhos sagazes nos cifrões, a carreira. Este, sim, um inevitável caminho de cigarras, onde são mais estas do que as formigas laboriosas.

    ResponderEliminar
  7. Ainda não conheço o Cormac McCartiy, mas fiquei interessado, pelas várias sugestões.

    Em relação ao plágio, eu até tenho medo de dizer a palavra "respeito", por causa do "respeitinho" que era muito bonito, no outro tempo.

    Mas há muito que entrámos na "lei da selva", onde não se respeita nada nem ninguém. Se somos copiados com a maior desfaçatez (já o fui meia-dúzia de vezes...), em coisas insignificantes que escrevemos nos blogues, sem colocarem qualquer referência ao que quer que seja, mais fácil será copiar algo que nos poderá dar um "canudo"...

    É o "salve-se quem puder". É este sistema que nos dá os políticos que temos, que até inventam currículos...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Inventam currículos, defendem-se mutuamente até ao asco, e, sobretudo, têm uma indomita falta de respeito pelos seus concidadãos, promovendo a vaidade dos maiores labregos que, sem qualquer pejo, persistem em "afirmar-se". Pior que os políticos nacionais só mesmo a robô Sofia, cuja falta de vergonha talvez lhe advenha de ser uma peça horizontal mecânica...

      Eliminar
    2. António Luiz Pacheco25 de maio de 2020 às 09:20

      Caro Luis Eme.
      Aproveitando para falar de livros, atrevo-me a fazer propaganda ao citado C. McCarthy!
      Para quem goste dos escritores Norte-americanos que me atrevo a dizer típicos (se estiver a asnear corrijam-me por favor!), na sua crueza violenta e na sua escrita pragmática, sem floreados mas clara e que não deixa dúvidas, que se lê ao correr das linhas com facilidade, este autor é exemplar dessa corrente ou escola, que eu comparei aos westerns, pelo seu tema e conteúdo que julgo se possa dizer "rural".
      Há bandidos, heróis e anti-heróis pois pessoas comuns fazem coisas que aos bandidos ou heróis compete, e há tiros, lutas, sangue, fugas e esses condimentos todos, expressos com grande força e dinamismo. Não são livros tranquilos, longe disso, mas são livros que transmitem vida e que imaginamos seja assim naqueles meios que ele descreve quase cinéfilamente.
      Pessoalmente, gosto da forma como escreve e sobretudo descreve.
      Eu gosto muito da literatura e dos escritores americanos de um modo geral, sejam eles latinos, ou Norte-americanos. E, gosto bastante do género western, pelo que não podia deixar de gostar deste McCarthy.

      Grande abraço cá da Cidade Morena!

      Eliminar
    3. Ó Paxeco, porque também partilho do teu gosto por esta escrita (escritores norte americanos), já leste "AS PONTES DE MADISON COUNTY" de Robert James Waller? Adorei este livro (ainda mais do que o filme).

      Eliminar
    4. António Luiz Pacheco25 de maio de 2020 às 10:30

      Nunca li o livro, não! Mas vi o filme... muito bom aliás!

      Eliminar
  8. Criar um software desses é de facto uma coisa extraordinária.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário