Os bens de Pessoa

Um dia estive com um senhor brasileiro que me disseram ser riquíssimo (falha-me o seu nome, desculpem, mas lembro-me de que era grande e gordo) e que tinha comprado numerosos objectos pertencentes a Fernando Pessoa. Nunca percebo muito bem o interesse de ter os óculos de Freud, uns jeans de John Lennon, o buço de Frida Kahlo ou o colar de pérolas da princesa Diana... Mas vejo que algumas pessoas com dinheiro gostam de possuir objectos que crêem preciosos (já eu acho mais graça ficar num hotel por onde passou Hemingway ou Lord Byron e tentar entender o que os apaixonou nesse lugar). Em todo o caso, entrou recentemente em leilão o espólio de um sobrinho de Pessoa, Luís Miguel Rosa Dias, e muitos se devem ter abalançado a comprar a «quiquilharia»... Mas a Casa Fernando Pessoa aproveitou para adquirir alguns dos bens que haviam pertencido ao tio Fernando (mormente livros) e que, ao contrário das jóias da princesa, ajudarão certamente a um estudo mais aprofundado da obra do escritor (poeta e não só) que foi talvez dos mais prolixos de Portugal (arcas e arcas de manuscritos). No site da Casa, a sua directora, Clara Riso, explica as razões destas aquisições, o que é francamente interessante para sabermos o que pesou na decisão. Deixo-vos o link abaixo.


https://www.casafernandopessoa.pt/pt/cfp/noticias-publicacoes/novas-pecas-para-casa-fernando-pessoa?eID=


Hoje recomendo Pessoa, já que dele falei. O meu heterónimo preferido é Álvaro de Campos e até já gravei um vídeo a ler um poema seu (Soneto já antigo) no Dia da Poesia. Nunca deixem de ler o mais internacional dos nossos poetas. Nem que sejam as quadrinhas que escreveu e têm servido a tantos fadistas.

Comentários

  1. O espólio livreiro de alguém - mormente o meu - pode vir a ser, com o correr da transmissão hereditária, alienado desta ou de outra forma, algumas vezes vendido por grosso a um alfarrabista pelo preço da uva mijona.
    Tenho feito esta interrogação a mim mesmo: o que virá a acontecer aos milhares de livros que possuo nas minhas estantes? A que mãos poderão ir parar as centenas de livros com autógrafos pessoais, uns de amigos, outros de escritores de nomeada? Em que ponto de reciclagem cairão, sei lá, daqui a 100 anos? Que valor terá este espólio, a não ser para os alfarrabistas ganharem uns patacos?
    Não sei se a Extraordinária anfitriã ou alguns dos Extraordinários deste blog, que possuem um acervo bibliográfico enorme, se interrogam como eu. Também não sei se me deva preocupar com estas coisas, como talvez nem Pessoa se preocuparia com estes pormenores, mesmo nos momentos mais reservados à frente do cálice no Martinho da Arcada. Também sou Fernando e sou pessoa, mas nunca a minha fama e escama (como diria Aquilino) se pode comparar, nem de perto nem de longe, a esse Fernando Pessoa, um verdadeiro vulto das Letras portuguesas. Mas farei como ele: deixar,deixo, quem receber que administre como bem entenda.

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    1. António Luiz Pacheco20 de maio de 2020 às 02:10

      Caríssimo e Extraordinário Fernando:

      Passe a eventual vaidade e gabarolice, aliás características ribatejanamente barroas da minha pessoa, que assumo e da qual peço desculpa, essa é uma pergunta que me faço... tanto pelo acervo em si, como pelo espaço!
      O que será do nosso Santo António? Uma imagem quase em tamanho natural?
      O que será dos quadros que mantive?
      O que será dos milhares de livros, a que acresce uma coleccção enorme de revistas de BD?
      O que será dos meus troféus de caça, peles, cornos, dentes, cabeças, crâneos?
      O que será das minhas colecções de armas, de facas e navalhas, de armas africanas?
      O que será da minha colecção de arte africana?
      O que será da minha colecção de pedras?
      O que será da minha colecção de conchas?
      O que será das minhas loiças com motivos de caça? E outras...
      O que será dos discos (CD)?
      O que será do muito bric à brac de objectos, artísticos uns e nem por isso outros, de artesanato, ou simples curiosidades dos isqueiros antigos a canetas, cigarreiras, caixas, vasos, móveis, que constituem memórias de ocasiões, pessoas, lugares, herdados, comprados, colectados ao longo dos anos e de viagens, que tenho numa espécie de museu pessoal?

      Parece tolice... eu sei, mas para mim são importantes, e eu gosto deles, cuido de os manter, de os obter. São parte de mim, têm história e são a minha história pessoal e da minha família.
      Um museu, está fora de questão, pois nunca terei essa importância.
      Oferecer a um museu, a uma qualquer entidade... pode ser a solução.
      Quando desapareça, o meu filho falar a um leiloeiro ou a antiquário? Alfarrabista...

      Sim, confesso que me preocupo com isso!
      Neste caso não é adeus futuro, mas sim adeus passado!

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    2. Se não quiser doar aos descendentes, há sempre a hipótese de legar à Biblioteca Nacional ou à biblioteca da sua terra natal, em vez de ser vendido ao desbarato, a qualquer alfarrabista!

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    3. Mas o António Luiz tem um filho e uma família grande, segundo julgo saber.
      De certeza que vão querer preservar tudo o que levou uma vida a juntar; nunca conversaram sobre o assunto?
      Se não mostrarem interesse, pode sempre doar a uma biblioteca, mas por agora aproveite (detesto o usufrua) o mais que puder os seus tesouros.

      Quarta feliz!
      🌻
      Maria

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    4. A questão não está nos descendentes próximos, filhos e netos, que poderão manter o espólio, mas na possibilidade de aquele não passar da terceira geração. As vendas, em caso de necessidade, são justas, desde que se acautele o respectivo valor de mercado.
      Os filhos não necessitam de doação, porque estão na linha da hereditariedade, tal como o cônjuge. A doação só ocorreria se houvesse pretexto para deixar a determinados, sendo mais do que um, mas esta funciona desde logo, em vida, ao contrário do testamento que só tem eficácia após a morte, sendo que o valor destes bens (os livros), entrariam na colação em caso de partilha.
      Desde que não seja para enviar para o lixo, qualquer destino é recomendável. O que causa mais constrangimentos é irem parar a alfarrabistas ou bibliotecas, principalmente os livros que têm dedicatórias pessoais, de permuta ou de amizade e cortesia.

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    5. António Luiz Pacheco20 de maio de 2020 às 04:47

      Sim, é verdade que tenho sobrinhada e um filho.
      Não sei é até que ponto valorizam um espólio ou o encaram como madureza do tio e pai.
      Também não é menos verdade, que eu lhes digo sempre que de boa parte daquelas coisas sou mero zelador ou depositário, pois são da família, tendo as minhas irmãs levado alguns móveis e sobretudo quadros para suas casas.
      Mas, a vida moderna e as casas actuais não estão preparadas para mais do que decorações minimalistas, pelo que por muito que lhes agrade a fotografia da tia-trisavó Augusta Cordeiro em grande traje de actriz de teatro do seu tempo ou os bigodes do tetravô sargento-mór, também não sei se desejarão manter a casa da quinta, que me calhou em partilhas e onde vivo, porque ir lá de fim de semana ou Natal é uma coisa, encontram a lenha rachada, os canos desentupidos, os telhados varrido da folhas ... agora serem eles a tratar disso?
      Parecem coisas estúpidas, alguns não nos compreenderão, mas é algo que preocupa qualquer cristão desactualizado, ajuntador compulsivo de tudo que lhe motivou interesse ou bem-estar. E, sim, concordo inteiramente que é triste pensar que livros que foram momentos de felicidade, cúmplices de sensações e pensamentos, vão parar a algum alfarrabista ou uma fria biblioteca, por muito que outros dedos amistosos os folheiem!

      Cumprimentos cá da terra do Sol, Maria!

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    6. António Luiz Pacheco20 de maio de 2020 às 04:49

      Inteiramente de acordo... entristece-nos essa perspectiva, portanto, mas não faz de nós menos agarrados ou ajuntadores, pois não? Como eu digo, ainda bem... porque assim e apesar de tudo se passam testemunhos.

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    7. Caro António Luiz Pacheco,

      Apresento, desde já, uma OPA à sua colecção de rochas e revistas de BD.

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    8. António Luiz Pacheco20 de maio de 2020 às 13:43

      Ahahahah!
      Será citado no meu testamento!

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  2. António Luiz Pacheco20 de maio de 2020 às 02:22

    Não sou um pessoano, porém aprecio Pessoa no seu conjunto!
    Entendo perfeitamente que a Casa Fernando Pessoa tente adquirir tudo o que lhe diga respeito, sejam óculos ou documentos! Acho mesmo que deve fazê-lo.

    Dou valor a tantos objectos que herdei ou me foram oferecidos pelos que já partiram, como penhor da sua existência. Um cachimbo de meu avô, uma cigarreira do meu pai... a navalha que usaram na caça e eu via pendurada nas suas cartucheiras, ansiando um dia poder ter também algo assim... como não valorizar essas coisas?
    Muito gostaria eu de possuir um lápis que tivesse sido usado por António Gedeão! Um pincel de Silva Porto... iam para a vitrine das coisas estimáveis!
    Isso não me impede de igualmente gostar de visitar as casa-museu, de Roque Gameiro de Alexandre Herculano, para provar o ambiente onde viveram aqueles vultos inspiradores que ali deixaram as suas superiores vibrações.
    Há quem não sinta assim, eu sei e compreendo.
    Mas se não houvesse quem sentisse como eu, não teríamos nenhuns vestígios nem recordações físicas do passado, porque as imagens digitais ou os filmes, não são a mesma coisa, falta-lhes a alma, a tal vibração que fica numa simples parede, móvel, objecto de uso pessoal, como que magia!

    Saudações e boas vibrações, cá da Cidade Morena!

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    1. O certo, Extraordinário Pacheco, é que há objectos e livros que têm um valor para além do seu preço. São aqueles oferecidos por quem amamos ou mantemos laços de amizade. No resto, que não comentei, estou na mesma linha de pensamento da Rosário. Para que queria eu as bujigangas de determinado autor? Que valor traria ao mais importante, que é a sua obra? Mas sei quem aprecie esses despojos, mesmo aqueles que dariam uma pipa de massa pelas cuecas do escritor!
      Como bem disso o meu Amigo, "as imagens digitais ou os filmes, não são a mesma coisa, falta-lhes a alma, a tal vibração", o que já não acontece com o livro, que tem sempre uma história para contar sobre a forma como veio para a nossa mão e as imagnes e recordações que estão para além do seu conteúdo.

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  3. O meu preferido também é Álvaro de Campos e os poemas Ode Marítima, Tabacaria, Se te queres matar...,Poema em linha recta, Ode Triunfal, etc.

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  4. Fadistas e não só. Esta interpretação do Salvador Sobral (piano e composição de Júlio Resende) do Presságio é absolutamente maravilhosa: https://youtu.be/oHdnpjn-kEY

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    1. Sei que a Rosário já lhe escreveu “Mano a Mano”. Já tinha o poema ou escreve-o propositadamente a pensar nele?

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    2. Na verdade, tinha escrito essa letra para o Júlio Resende, que tinha ideia de fazer um CD com vários fadistas/cantores (e outra que está lá guardada). Mas o Júlio mostrou-a ao Salvador e quiseram fazê-la juntos. Foi uma excepção, pois costumo fazer letras a pensar em pessoas específicas.

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    3. Que interessa é notar o quão bem lhe assentou. É uma bela letra, Rosário. Belíssima!

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  5. 26 de maio!!!! Cinco anos passam num instante quando se ama. Quanto às preferências de Hemingway talvez se tenham devido à clara inferioridade da concorrência (não desfazendo da óbvia beleza e genialidade da escolha). Enfim: estará um Nobel ex- aequo a caminho? Beijinhos doces,

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  6. Vem este tempo mais quentinho e dá cá um cubranto!
    O meu heterónimo pessoano favorito também é Álvaro de Campos. Li, reli até decorar sem querer alguns versos, muito ficou como minha própria maneira de pensar, por exemplo, "a melhor forma de viajar é sentir". Fragmento de ode: "Vem, noite antiquíssima e idêntica,..." A edição era a da Ática. Até que recentemente descobri tratar-se de edição censurada, faltando-lhe vários versos. Escândalo! Resultado: tive que comprar a edição da Assírio. E com ela tenho vivido assim, contentinho da silva.

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    1. "Olha, Daisy, quando eu morrer tu hás de..."

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    2. Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
      Noite Rainha nascida destronada,
      Noite igual por dentro ao silêncio. Noite
      Com as estrelas lantejoulas rápidas
      No teu vestido franjado de Infinito.

      Vem, vagamente,
      Vem, levemente,
      Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
      Ao teu lado, vem
      E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas.
      Funde num campo teu todos os campos que vejo,
      Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
      Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo.
      Todas as estradas que a sobem,
      Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
      Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
      E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
      Na distância imprecisa e vagamente perturbadora.
      Na distância subitamente impossível de percorrer.

      Nossa Senhora
      Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
      Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela.
      Dos propósitos que nos acariciam
      Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
      Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto.
      E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
      Vem, e embala-nos,
      Vem e afaga-nos.
      Beija-nos silenciosamente na fronte,
      Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
      Senão por uma diferença na alma.
      E um vago soluço partindo melodiosamente
      Do antiquíssimo de nós
      Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
      Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
      Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.

      Vem soleníssima,
      Soleníssima e cheia
      De uma oculta vontade de soluçar,
      Talvez porque a alma é grande e a vida pequena.
      E todos os gestos não saem do nosso corpo
      E só alcançamos onde o nosso braço chega,
      E só vemos até onde chega o nosso olhar.

      Vem, dolorosa,
      Mater-Dolorosa das Angústias dos Tímidos,
      Turris-Eburnea das Tristezas dos Desprezados,
      Mão fresca sobre a testa em febre dos humildes.
      Sabor de água sobre os lábios secos dos Cansados.
      Vem, lá do fundo
      Do horizonte lívido,
      Vem e arranca-me
      Do solo de angústia e de inutilidade
      Onde vicejo.
      Apanha-me do meu solo, malmequer esquecido,
      Folha a folha lê em mim não sei que sina
      E desfolha-me para teu agrado,
      Para teu agrado silencioso e fresco.
      Uma folha de mim lança para o Norte,
      Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
      Outra folha de mim lança para o Sul,
      Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
      Outra folha minha atira ao Ocidente,
      Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
      Que eu sem conhecer adoro;
      E a outra, as outras, o resto de mim
      Atira ao Oriente,
      Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
      Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
      Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
      Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
      Ao Oriente que tudo o que nós não temos.
      Que tudo o que nós não somos,
      Ao Oriente onde — quem sabe? — Cristo talvez ainda hoje viva,
      Onde Deus talvez exista realmente e mandando tudo...

      Vem sobre os mares,
      Sobre os mares maiores,
      Sobre os mares sem horizontes precisos,
      Vem e passa a mão pelo dorso da fera,
      E acalma-o misteriosamente,
      Ó domadora hipnótica das coisas que se agitam muito!

      Vem, cuidadosa,
      Vem, maternal,
      Pé antepé enfermeira antiquíssima, que te sentaste
      À cabeceira dos deuses das fés já perdidas,
      E que viste nascer Jeová e Júpiter,
      E sorriste porque tudo te é falso e inútil.

      Vem, Noite silenciosa e extática,
      Vem envolver na noite manto branco
      O meu coração...
      Serenamente como uma brisa na tarde leve,
      Tranquilamente com um gesto materno afagando.
      Com as estrelas luzindo nas tuas mãos
      E a lua máscara misteriosa sobre a tua face.
      Todos os sons soam de outra maneira
      Quando tu vens.
      Quando tu entras baixam todas

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  7. Felicito emocionada este “anónimo”que me deu a conhecer esta belíssima “noite antiquíssima”.Que generosidade espantosa!Quanto amor à beleza das palavras e a sua divulgação.Gracas a si vivo um fim de tarde verdadeiramente poético e sinto-me nas nuvens!Obg

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  8. Boa tarde.
    O tal senhor "um brasileiro que me disseram ser riquíssimo", chama-se José Paulo Cavalcanti Filho, autor de "Fernando Pessoa - Uma quase-autobiografia" (Porto Editora).

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