O apelo português

Sempre houve estrangeiros que visitaram e se apaixonaram por Portugal (o poeta inglês Byron, por exemplo) e aqueles que aqui se refugiaram durante a Segunda Guerra Mundial e depois acabaram por criar cá família e ficar. O nosso clima é bom, a comida, óptima (com doses generosas), o povo é calmo e simpático (sobretudo para quem vem de fora), as cidades são seguras, mesmo de noite (há excepções, mas é fácil identificá-las e evitá-las). A nossa língua é, mesmo assim, tremendamente difícil para um estrangeiro... Mas isso não impediu que muitos se apaixonassem pela nossa literatura (Fernando Pessoa é o principal «culpado» desde os anos 1970) e alguns desses acabassem até por vir morar para Portugal para investigar e ensinar, como o norte-americano Richard Zenith ou, noutro tempo, Antonio Tabucchi e Maria Lúcia Lepecki, entre muitos outros. Na Casa Fernando Pessoa, celebraram o Dia Mundial da Língua Potuguesa dando a palavra a alguns destes «forasteiros» que, num vídeo, escolhem as suas palavras preferidas da nossa língua. A surpresa é constante: ora o muito simples, ora o francamente invulgar, ora enfim o que é curioso e exclusivo. Vejam as palavras. E ouçam, claro, as vozes e os sotaques de quem as diz. O link vai abaixo.


https://www.youtube.com/watch?v=KPOLLUWYkWk&feature=youtu.be


Hoje recomendo justamente um ensaio ligado a este assunto escrito por Maria Filomena Mónica. Confesso que ainda não tive oportunidade de o ler, mas tenho a certeza de que dirá muito de nós e interessa-me por isso deitar-lhe a mão. Chama-se O Olhar do Outro: Estrangeiros em Portugal do Século XVIII ao Século XX; e, conhecendo alguns textos antigos de visitantes estrangeiros, calculo que esteja cheiinho de opiniões tremendas a nosso respeito... Para variar dos elogios recentes e unânimes.


 

Comentários

  1. Gostei de ouvir as escolhas das palavras (algumas bem insólitas) mas, como diria o Sérgio Godinho, "soube-me a pouco".
    Tenho vários livros da Maria Filomena Mónica mas nunca li esse ensaio.

    Bom fds.
    😷
    Maria

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  2. António Luiz Pacheco8 de maio de 2020 às 03:43

    Bom, o falecido Sr. Daniel Lane, adorava a palavra "sonanta" portuguesa: alguidar! Chegou a propôr baptizar a neta com esse nome!
    Já o nosso amigo Gabi Privat, queixava-se: " Rrrã... rrrrã, mais pourquois vous ne dites pas grenouille comme tout le monde!".

    Sim, concordo que é fácil gostar do nosso país, pelas razões apontadas e direi mesmo mais: num país tão pequeno é imensa e espantosa a sua diversidade paisagística e geográfica, que também concorre para essa nossa atracção!

    Compreendo perfeitamente, pois eu sou dos que amam o nosso pequeno país... e considero ter sido um privilegiado por o ter percorrido e conhecido de lés a lés, na minha vida profissional, comprando frutas, legumes, fumeiro e charcutaria, carnes, peixe, queijos... o que me deu uma visão única tanto da geografia quanto das suas gentes e costumes, reforçado por ter caçado por todo o Portugal e mergulhado em todo o seu mar!
    Considero isso um privilégio!

    Votos de um bom fim-de-semana já desconfinado, pois por aqui mantém-se o estado de emergência, quando eu preferia estar antes em imergência... ainda por cima andam aí "pescadas" (barracudas) daquelas grandes-mesmo, estão a subir para N, com o arrefecer da água do mar que ocorre nesta época.

    Saudações cá da Cidade Morena!

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  3. Songamonga é mesmo muito bom! 😂
    Dando troco, há uma expressão italiana que adoro: porca miséria!

    Bom fds,
    Rui Miguel Almeida

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  4. Estava à espera de uma chuva de palavras ou expressões bonitas ou curiosas em Português, para alinhar com o céu-da-boca ou as águas-de bacalhau. Lembrei-me de Chapéu, Dia de S. Nunca à Tarde, Comer e Chorar por Mais, Soube-me a Pouco, Para Inglês Ver.
    Já agora, sobre o que os ingleses e outros estrangeiros viram em Portugal, não me inclino para o livro de Filomena Mónica. Considero os seus trabalhos superficiais ainda que bens esgalhados, não me atraem.

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