Bibliotecas paradisíacas

Pronto, está bem, encontramo-nos todos (ou muitos de nós) fechados em casa em teletrabalho (ou, pior, subitamente desempregados) por causa de um maldito vírus que começou na China (onde comem todo o tipo de bicharada) e foi alastrando ao mundo todo. Mas foi também na China que, quando as coisas começaram a azedar, construíram um hospital ou dois para tratar os doentes da Covid-19 em duas semanas, enquanto as obras do metro do Areeiro (e é só metade da estação porque a outra metade já está pronta há anos) duram e duram e duram, muitas vezes com um barulho que me obriga a fazer uma pausa nas leituras. A supremacia chinesa na construção não tem par, é um facto; e, embora não me lembre se os hospitais eram bonitos, posso atestar que assiste um talento especial aos Chineses para a arquitectura de bibliotecas bonitas. Hoje, mostro-vos uns quantos destes templos dedicados aos livros, na China e na América do Norte, todos de arquitectos chineses. Deliciem-se.


Como falei de bibliotecas, o lugar que Jorge Luis Borges dizia que devia ser o Paraíso, recomendo-vos deste autor Ficções, traduzido por José Colaço Barreiros, e também a poesia, traduzida pelo poeta Fernando Pinto do Amaral.


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Comentários

  1. Bom dia - bom dia! (Aqui diz-se assim).

    Ai! Construcção, de chineses?
    Sinceramente não sei como fizeram a Grande Muralha., porque por aqui (e noutros lugares) construcção por chineses, é sinónimo de coisa mal-feita, e leia-se: torta, mal-acabada, sem qualidade! Já se sabe que assim que chove, abre rachas ou pura e simplesmente cai, como foi o caso conhecido do hospital da Camama, cuja placa de tecto caiu, felizmente ainda durante a construcção. O certo é que quando se quer obra bem-feita, chama-se empreiteiro português, pois os "Bragas" (nome que se dá aos pedreiros portugueses) são de reconhecido mérito.
    Chinês trabalha depressa, é um facto, mas deixa tudo muito mal feito, torto, mal-acabado e não é preciso ser arquitecto para o verificar.
    Quando estive no Projecto Terra do Futuro, lá na fazenda do Cariango, tínhamos uma equipa de 22 chineses a construir casas e pavilhões... começaram por construir aquilo a que eu chemei de "Chinatown" que eram as suas camaratas e cozinha, e, me deu logo para ver como era! A máquina alisava o terreno, à enxada marcavam depois aquilo que iam erguer e levantavam paredes sem caboucos (fundações)! Ou seja, nas primeiras chuvas fortes, a terra mal compactada abatia, e as paredes, sem fundações, moviam-se abrindo rachas e deslocando o tecto. Mas que levantavam parede a uma velocidade estonteante, assentando tijolo com rapidez, isso é verdade... Claro que houve que intervir naquela prática da construcção, e, nas estructuras mais permanentes mandar fazer fundações, aliás havia escavadora.
    Noutro caso, puserem umas manilhas na passagem de um pequeno curso de água, mas foi abaixo assim que passaram os primeiros camiões carregados! Mandei levantar aquilo tudo, conclusão: fizeram as manilhas em cimento quase sem ferro armado... por isso eram baratas! Houve que mandar vir manilhas feitas como deve ser, mais caras e agora ainda mais encarecidas pelas que se não aproveitaram e porque houve que refazer tudo!
    Podem fazer edifícios com rapidez, sim, mas não para mim... e devo dizer que, há cá projectos de chineses, cuja construcção da estructura é pedida a portugueses porque pontões de pescarias chinesas caídos na primeira maré forte, é costume... entre outras obras que colapsam, e, eles sabem... claro que a diferença de preço é óbvia, mas quem quer coisa duradoira e asseada, não encomenda a chineses.
    Muitos clientes nossos não querem pura e simplesmente, geradores, compressores, equipamento nenhum que seja chinês... perguntam à partida e recusam usar, pois muitos deles já têm a má experiência de terem cedido à tentação do "balato-balato".

    O que não significa que não saibam fazer obras, é claro que sabem, apesar de nas notícias haver sempre edifícios como centros comerciais e outros, a ruirem, na China!
    Uma coisa é trabalhar com grandes empresas de engenharia chinesas e outra com as empresas de construcção comuns que por aí andam!

    (continua)

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  2. (continuação)

    Quanto ao hábito, ou mito, de os chineses comerem tudo, comento em sua defesa:
    - Nós na Europa não comemos búzios e caracóis? Rãs? Não comemos todo o tipo de vísceras, brancas ou de sangue? Rins! Moelas! Dobrada! Bucho! Molejas (os franceses chamam-lhe "ris") , os famosos túbaros? Peixes e legumes mal-cheirosos em salmoura? Cação de infundice? Peixe seco ao Sol? Cabeças de peixe, peixe-crú, ouriços do mar. Cabeça de porco, rabo de boi, chispe e tanta coisa que diferencia e caracteriza os povos do Sul da Europa e os diferencia dos nórdicos, cada qual comendo aquilo que os outros classificam de estranho, ou mesmo porcaria?
    Lembro-me do meu colega do Grupo JM, Jan Litt, recusar dobrada e nos chamar selvagens por comermos "guts", eu lhe retorquindo que selvagem era ele que comia peixe-podre!
    Aqui em África come-se, macaco, morcego, jibóia, crocodilo, "mahungo" (ou capato, uma lagarta do escaravelho do mutiati - mopane three), elefante, uns caracolões do mato, carne seca ao Sol, peixe seco, bucho de peixe, mulemba, e, outras coisas estranhas ou exóticas...
    O nosso pisteiro macúa, o velho Arrueque, dizia dos vizinhos: "Maconde come tudo que não dá os bons-dias!".
    Porque é que os chineses são acusados de comerem tudo?
    De facto comem coisas estranhas como holotúrias (pepinos do mar) ou alforrecas... comem cão - mas isso os índios americanos também comiam! E os emigrantes portugueses na Europa, comiam gatos! Serão estranhas para uns e nem por isso para outros!
    E vejamos as coisas com pragmatismo: o vírus terá surgido agora... mas, há quantos anos, ou mesmo séculos é que aqueles mercados existem e se comercializam ou consomem aqueles produtos?
    Será mesmo que a origem é por isso? Quem conheceu as praças e os mercados em Portugal, antes da entrada na CEE? Eu lembro-me bem...
    E os mercados aqui em África? Conhecem?
    Eu como muita coisa, de quase tudo... mas essa eu não engulo! O corona vírus tem origem nos mercados chineses, porque vendem carne de cão ou de pangolin? Estávamos bem tramados então, se calhar já nem haveria chineses...

    Saudações gastronómidas cá de Benguela, onde tenho um bom serrajão para a Mariana fazer uns bifes com tomadada!

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    1. António Luiz Pacheco13 de maio de 2020 às 05:40

      Q'uáis anónemo, q'uáis quê!
      Sou eu!
      Ésságora!

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    2. Bem, extraordinário amigo se você faz uma defesa decente entre argumento ou razão, vos lembro da máxima que reside entre caça e caçador ou seja "comer e devorar". E, se 'um' está para a sobrevivência o outro 'hum' está para a convivência. Não esquecendo que inocentemente estás à condenar o saudável prato alentejano tão milenar quanto, servido à moda da casa.
      CST

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  3. É a segunda vez(que eu tenha contado)que a MRP nos mostra bibliotecas na China sem dizer onde são.Pf,mais atenção!Podemos querer visitá-las depois de toda esta fase negra ter passado

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    1. Pelo que li nas legendas, Xangai, Xi'an, Tai'an, Ningbo e Pingnan. No artigo também há blibiotecas no Canadá e nos EUA, mas não são estas que mostrei.

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  4. Espetaculares!

    E por falar em maravilhas arquitetónicas, alguém já deu uma vista de olhos à escola secundária Luís de Freitas Branco??!
    Numa pesquisa rápida e informal dedicada ao compositor, dei-me de caras com esta obra que desconhecia. Pelos vistos foi a mesma equipa de arquitetos responsável pela projeção da biblioteca central da universidade dos Açores, em ponta Delgada (também muito bem conseguida) .

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  5. Já agora... parece-me que estamos a esquecer algo: E, escritores chineses?
    Acho que nunca li nada de nenhum, falo de chinês-da-China não de chinês ocidentalizado, óbviamente!
    Conhecem autores chineses-da-e-na-China que tenham publicado algum romance?
    Porque eles hão-de encher aqueles espaços com livros... ou serão todos ocidentais?

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  6. Engraçado, topar-se este ar benevolente às letras; onde comperem vos digo desses abrigos se os há em estructura social. Por outro lado, há que lhes ceder cumprimentos. Embora a grande trapaça, resulte a "inversão milenar" o valor humano. Ah, os chineses nem me causam espanto (talvez) algum dia se lhe messem a desumanidade mais cultural que obraira.
    Cláudia da Silva Tomazi

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    1. António Luiz Pacheco13 de maio de 2020 às 05:43

      Cláudia... e têm no entanto notáveis filósofos, de humanos sabedoria e sentir!
      Bom, do que conheço da arte chinesa, devo dizer que gosto bastante da loiça e respectiva pintura! Eu gosto muito de cerâmica - de loiça , mais exactamente.

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  7. Hoje sou eu a concordar com o Pacheco (mas, olhe lá, não se habitue ) no que respeita à alimentação, que de obras e construções chinesas não entendo nada. De facto, deveríamos ter cuidado com expressões do género «comem todo o tipo de bicharada» (desculpe, Maria do Rosário).
    Realmente, os alemães enojam-se, se lhes falarmos de comer búzios, caracóis e rãs (bem, a mim, que sou do Norte, também me fazem impressão estes três). O mesmo (do ponto de vista alemão) para rins, moelas, dobrada, cabeças de peixe e, pasme-se, orelha de porco ou polvo (ficam aterrorizados com as ventosas dos braços do polvo no prato). «Bicharada» é muito relativo.

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    1. António Luiz Pacheco13 de maio de 2020 às 06:48

      Tamos quites!!!!
      Ahahahah!

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    2. Não peça desculpa, metade dessas coisas eu também não como.

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    3. Por aos alemães se arrepiarem com as ventosas dos oito braços/pernas do polvo, questiono-me agora se este prato, que aprecio, o vou continuar a preferir, uma vez que a forma das ventosas me faz lembrar a figura do Covid19 a enfeitar o ouriço.
      Relativamente aos chineses, a minha opinião é um pouco diferente da vossa. Para mim, os chineses comem tudo o que tem pernas, à excepção das cadeiras.

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    4. Tudo o que tem pernas?
      Livra! Já não vou à China

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    5. Sou a Maria.
      E adoro caracóis e polvo, especialmente as ventosas
      E gosto muito das Ficções do Jorge Luis Borges.
      E também gosto de chineses.
      🌻
      Maria

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    6. Ainda em tom de brincadeira...
      Vê o Anónimo a penúltima fotografia, a única que tem mesas e cadeiras? Vão na próxima refeição!

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    7. Também é preciso relacionar certos hábitos com a História e a cultura de um povo. Nada vem do nada. Uma grande variedade de animais exóticos pode indicar um passado de pobreza e fome, obrigando as pessoas a comerem tudo o que lhes surja à frente. Depois, torna-se tradição, há certas crenças ligadas a certos tipos de alimentação, etc., etc.

      A História da China é complicada. Mais do que um país, a China é quase um continente e há muitas diferenças, conforme as regiões. Uma coisa é certa: nós temos muito pouco conhecimento da verdadeira China.

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    8. O próprio Governo incentivou a criação de animais exóticos para consumo alimentar. Havia fome e miséria, foi encontrado esse recurso. O problema não reside aí, nem nas bibliotecas, nem nas lojas chinesas, nem o facto de terem os olhos em bico; encontra-se na forma como é feito o controle e no hermetismo político, que priva informação sanitária.
      Há 204 anos, Napoleão referiu-se à China, mais ou menos por estas palavras: a China dorme. Quando ela acordar, o mundo tremerá. Deixai-a dormir.
      De resto, tenho simpatia pelos chineses - conheço alguns, muito trabalhadores e pessoas sérias - não pelo seu regime.

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    9. António Luiz Pacheco14 de maio de 2020 às 05:40

      A "purpósito" de chineses e construcção:

      O assunto era coisa grande, anunciava o boss com ar grave, para dezenas de milhões de dólares… um “dótor” que ele conhecia e para quem já construíra umas clínicas em Luanda e um hotel na Ilha (como dizia familiarmente) ia fazer um grande empreendimento turístico lá no Sul, Benguela (falava como se fosse ali…).
      Era aí que eles entravam, se soubessem fazer as coisas! Aquilo era para se ganhar muito dinheiro e eles eram fundamentais para o plano global.
      Saber fazer as coisas como? Ora, empenharem-se a fundo e dar prioridade àquilo, dizer a tudo que sim e não se admirarem com nada, era simples! Iam ter a reunião com o dótor que tinha a mania que sabia tudo e se calhar ainda lhes ia ensinar arquitectura, por isso bico calado, ouvir muito e falar pouco, perceber o que é que ele quer e nem por isso o que precisa, pois no fundo quer é projectos bonitos, desenhos em 3D para impressionar, maquetas e papéis para mostrar ao banco e sacar o investimento, depois mete logo uma parte ao bolso e com o resto faz que constrói! Nós, passamos facturas, cobramos e fingimos que fazemos! O do banco paga, finge que fiscaliza e que está feito e empocha a sua parte, é simples!
      Para ele era ainda importante como forma de poder mandar para lá uma data de maquinaria, pessoal e materiais, para fingir que fazia outras obras ou até fazer mesmo algumas, a preços inflacionadíssimos mas o que é que isso lhe importava? Ganhava bom dinheiro, toda a gente ganhava bom dinheiro e ficava tudo contente! A sua lógica era simples e funcionava na perfeição ou não teria chegado onde estava.
      Andava era preocupado com os chineses que trabalhavam por um terço do preço. Só faziam merda mas era barata e davam boas comissões a ganhar por serem tão baratos! Explicava: há um concurso par’ uma estrada! Aquilo a fazer como deve de ser custa-nos 500 a nós e ós brasilêros. Vamos a concurso com o valor de mil e damos 200 por fóra ós gajos! Vêm os filhos da mãe dos brasilêros dão o mesmo valor de mil, mas com’ós engenhêros deles ganham menos c’ós nossos, oferecem 300 ós gajos, por fora! Estamos tramados mas ainda podemos ir a jogo e dar 350, que mesmo assim inda sobram 150 p’ar nós! Agora os chinocas, apresentam um valor de 800 e dão 500 ós gajos, ficamos lixados a d’brar! E como é possível? Ora bem, os filhas-da-mãe passam c’uma máquina a alisar o chão e depois com pincel e alcatrão salpicam aquilo… tá a estrada fêta e custou-lhes 100, inda ganham 200 e como deram 500 ós gajos quem é que vai dizer qu’ aquilo na é uma estrada? Alcatroada e tudo… ópois inda ganhan’o contracto da manutenção, qu’é o mesmo que dizer que fazem o que querem e como querem!
      Em plena aula de negociar construcção em África, anuncia-se a chegada do dótor, ...

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  8. Gosto muito de bibliotecas, mas com gente lá dentro. Acredito que os belos exemplos mostrados tenham habitualmente pessoas, muitas pessoas.
    As bibliotecas são o Paraíso, diz Borges. Na língua persa para significar paraíso diz-se jardim. Os famosos jardins persas resistiram até à atualidade, a UNESCO classifica nove na lista do Património da Humanidade.
    Se a uma biblioteca juntarmos um jardim terá que haver um termo que signifique esse duplo paraíso. O céu.

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  9. Tlon Uqbar Orbis Tertius. um dos contos mais bonitos que li até hoje. Jorge Luís Borges é uma bênção literária que nos apareceu.

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