A nossa língua

Pessoa disse que a sua pátria era a língua portuguesa e hoje é a melhor oportunidade para a festajarmos, já que este dia 5 de Maio é justamente o Dia Internacional da Língua Portuguesa. Infelizmente, dadas as circunstâncias, muitos dos eventos pensados e planeados não puderam realizar-se (estava no horizonte um festival literário na capital portuguesa com o apoio do município, mas creio que não acontecerá)  ou sê-lo-ão, mas em modelos adaptados aos novos tempos, como quase tudo. Na página do Facebook do Museu da Língua Portuguesa (a instituição na cidade de São Paulo que melhor condensa uma língua que abarca milhões de pessoas em cinco continentes), desde o último domingo que estão a ser transmitidas actividades, entre as quais apresentações de livros, concertos, leituras, debates, declamações de poesia, oficinas de escrita e muito mais, destacando-se entre elas o projecto Fado Bicha (já lhes fiz uma letra para um fado) e a performance do escritor e músico Kalaf Epalanga. Celebre este dia onde quer que esteja lendo um livro em língua portuguesa. Recomendo-lhe, por exemplo, Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, apopriado aos dias em que vivemos.

Comentários

  1. obrigada pela actualização e homenagem
    beijinhos e feliz dia

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  2. Vou ler Aquilino, meu Mestre e Camilo, sem esquecer o Torga e o Eça.

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  3. Óptima sugestão :-) esse livro do Saramago está nos três melhores que ele escreveu - na minha opinião, obviamente.
    Como o meu tempo de lazer é muito reduzido vou ler poesia: Pessoa, Eugénio, Sophia, Maria do Rosário Pedreira... e juro que não sou escritora nem lhe vou enviar nenhum manuscrito: gosto genuinamente dos seus poemas e a sua Poesia Reunida é um dos meus livros.
    🌻
    Maria

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  4. Prossigo a leitura de Luísa Gomes e sinto-me bem na senda da Língua Portuguesa. À tarde hei de pegar num livro de Aquilino ou de António Vieira para reforçar o significado do dia.

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  5. António Luiz Pacheco5 de maio de 2020 às 02:54

    Quem duvide de que a língua é uma pátria, deveria andar por aqui... os meus guardas e os dos vizinhos falam alegremente entre eles em umbundo, sentam-se nas suas cadeiras distintivas (de plástico), no passeio em frente dos portões que são mais ou menos contíguos e debaixo de uma grande e frondosa acácia que está encostada ao muro da casa vizinha e se estende para o passeio. Oiço-os falar animadamente, de forma rápida e cantada com muitos "han", "aaaah" , "hum", "hã", que significam alternadamente que terminaram, interrogação, espanto, concordância ou nem por isso, que estão a ouvir. Um deles, o Domingos fala pouco português (sim-sim é o que mais diz, além do "hããã") , o outro o Joaquim, esse lê até uns folhetos religiosos e fala coisas da igreja com a governanta Mariana, ele é adventista e ela da Igreja Pentecostal Carisma. O jardineiro Pedro, não lê nem escreve e é católico.
    A Mariana não fala umbundo - ou diz que não... há quem tenha vergonha da língua gentia, por razões de "status", afinal ela é governanta e fez o curso do liceu, é serva da Igreja, e eles são "matumbos", simplórios vindos da Ganda, do mato, cumprido o serviço militar são arregimentados pelas empresas de segurança, sempre de algum militar ou polícia grado, como a nossa a "Escudo Angola" do chefe José Kanhama e vivem mais ou menos mal, à porta dos estabelecimentos e casas que vigiam, vivendo na rua... os que nos prestam serviço, na Baía Farta e em Benguela, menos mal que têm abrigo e até WC, vou-lhes dando alguma coisa de comer, levam peixe quando vão de licença e um dinheirito pois vão prestando algum serviço complementar como lavar os carros, varrer o passeio... sempre melhoram o fraco ordenado.
    Há outros, de outras regiões ou etnias, notam-se até diferenças físicas, mas o que os une e me diz que são diferentes é quando falam português entre si!
    Sem dúvida que é outra situação, os alentejanos falam com algarvios ou minhotos... o sotaque e os regionalismos não o impedem. Mas por cá, precisam do português para se entenderem, e até é motivo de orgulho. Noto o desprezo da superioridade evoluída quando vou "no mato" e me dizem de um pastor mucuíço: Não fala português!
    Porém , confesso que fico mais danado quando falo com um agrónomo brasileiro e este me retruca com um "oi?" ...
    É assim que são as coisas!

    Fiquem bem, como se diz por cá.

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  6. Como posso eu festejar o Dia Internacional da Língua Portuguesa, quando:
    - vejo nos painéis dos programas das várias televisões portuguesas erros que deveriam envergonhar qualquer trabalhador da estação em causa (mas provavelmente passar-lhes-à ao lado porque o erro é constante e disso nem se apercebem, porque para tal a escola, e não só, nunca os sensibilizou)

    - oiço num programa da RTP1 (Joker) licenciados/mestrados/jubilados/doutorados e todos muito viajados e ainda outros com profissões de nome pomposo, que nunca ouviram falar de Jacques Brell, que não fazem a mínima ideia de quem tenha sido Gilbert Bécaud, que nunca leram um livro de Saramago, que desconhecem totalmente Vergílio Ferreira,
    que nunca ouviram falar de um dos quatro prémios Nobel da Literatura que lhes põem na frente; uma ignorância que eu diria impensável, para não dizer assustadora, ora assim sendo, porque isto está tudo ligado, festejar este dia da Língua Portuguesa é esconder o sol com uma peneira, até porque poder-se-à correr o risco daquela gente pensar que se poderá tratar de algum concerto do Rock in Rio.

    E não foi já um tal Conan Osiris representante de Portugal num evento no estrangeiro? Depois disto que mais há a acrescentar?

    Primeiro há que ensiná-los a ler e a escrever!

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