Em casa com escritores

O que fazem os Extraordinários por estes dias é seguramente conviver com escritores e textos (eu também, até por razões profissionais). Mas conviver com livros é muito diferente de conviver (sem ser metaforicamente) com os seus autores. Ora, alguém no Reino Unido teve a bela ideia de criar conjuntos de escritores de várias épocas e géneros e metê-los ao  molho numa casa. E, depois de formadas várias casas, o jogo é procurar a casa em que nos pareceria que viveríamos melhor durante o período de confinamento. Eu olho, olho, e na verdade, apesar de achar que seria feliz na Casa 5 (com os poemas de Dickinson e Eliot, a imaginação de García Márquez e as maravilhosas lições de Nabokov), também penso que a Casa 1 teria a sua graça, com as piadas inteligentes de Wilde e o génio de Flannery O'Connor (e muita animação brechtiana). Divirta-se com isto e veja qual é a casa em que se sentiria melhor e não daria em doido. Aproveite para ver quem é quem (os que não conhece).


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Como falei de Wilde, hoje sugiro O Retrato de Dorian Gray ou os seus contos, um dos quais (O Fantasma de Carnterville) prefaciei recentemente para uma edição da 20|20. Não ponho os tradutores porque já não chego à prateleira de Wilde...

Comentários

  1. Uma casa só, não, eu escolheria alguns da casa 5 e da casa 6.

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    1. Escolho duas casas, what can I do?! 2 e 6.

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  2. Bom dia. Pois, é um jogo muito de gosto British. Não havendo uma casa de francófonos ou outra de bons contistas sul americanos, ou ainda uma de "japugas", entre outros, preferiria estar cá por fora (no eido) onde os ultravioletas do sol quente desmantelam o bicho ruim, sentado num banco, junto de uma pequena estante com Dickens, Conrad, Naipaul, Sebald e Barnes. Já agora, não conheço, Thompson e Krantz da casa 1, Carnegie da casa 2, Angelou da casa 3, Baldwin e Hubbard da casa 4, Lorde da casa 5 e Huston da casa 6, o que não significa que tenha lido todos os outros, mas que os conheço, pelo menos, de ter lido sobre eles, ou de estarem pacientemente a aguardar que os leia.

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    1. L. Ron Hubbard, da casa 4, é o fundador da cientologia, aquela espécie de religião de alucinados como o Tom Cruise! O Thompson é o gajo do Medo e Delírio em Las Vegas. O Carnegie é o guru da auto- ajuda (Como Fazer Amigos). Qualquer deles só possível numa lista elaborada por ingleses. E eu que pensava que a Maria do Rosário Pereira, de quem possuo um calhamaço de poemas editado há cerca de 3 anos, era uma poeta portuguesa!

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    2. Pois meu caro, se são isso tudo que diz, cruzes canhoto! Ainda bem que não os conheço de lado nenhum, o que até é bom sinal. É que eu, não indo para novo, não posso dar-me ao luxo de deambular por meandros tão movediços.

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    3. António Luiz Pacheco20 de abril de 2020 às 09:00

      Por um grande acaso, li "O plano invasor" de Ron Hubbard, o I volume acho eu... não comprei o segundo e aliás nem acabei este... mas porque não gostei do tema, não que estivesse mal escrito, apenas me desinteressei.

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  3. Acho que escolheria a #2 mas (há sempre um mas...) tiraria de lá Dale Carnegie (não conheço) e poria lá o Gabo ou o Hemingway, ou a Dickinson, ou a MacCullers, ou o Wilde, ou, ou, ou...
    Ah, confesso que não sou capaz de escolher.
    Era giro era fazermos este jogo com autores portugueses.

    Bom dia e muita saúde para todos.
    🌻
    Maria

    Boa sugestão de leitura, podem ler o livro e ver os filmes: conheço pelo menos dois.

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    1. Maria:
      Tem aqui uma possível alternativa, com Escritores / Poetas Portugueses.
      Feita um pouco ao correr da pena e (quase) ao acaso. :-)
      https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/04/casas-com-escritores-poetas-portugueses.html

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  4. Pois, aqui vai uma possível alternativa, com Escritores / Poetas Portugueses.
    Feita um pouco ao correr da pena e (quase) acaso.
    https://bairrodavilarinha.blogspot.com/2020/04/casas-com-escritores-poetas-portugueses.html

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    1. António Luiz Pacheco20 de abril de 2020 às 05:56

      Ora aí está chão para batatas!!!!
      Ou a 1 ou a 4 ... se bem que não saiba quem é a Ana Haterly.
      Não vejo o Camilo, J. Diniz, Aquilino... e outros que gostaria de poder conviver com, mas gosto mais da sua proposta!

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    2. Caro ANTÓNIO LUIZ PACHECO:
      Agradeço este seu comentário.
      O Camilo está na casa 5.
      O J. Diniz e o Aquilino, faltaram a este encontro de Escritores / Poetas Portugueses...
      Mas, pode sempre convidá-los para a casa que escolher, pois que, isto aqui, é como nos eléctricos, isto é, cabe sempre mais um... :-)

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    3. Ana Hatherly tem uma colectânea de poemas lindíssimos que se chama "quatrocentas e sessenta e três tisanas". Há, ou havia no canal 2 um belo programa sobre leitura e livros, com leitura e declamação. Num deles um actor da nossa praça, que declama e lê muitíssimo bem, declamou Hatherly. Foi aí que eu a conheci e lhe segui no encalço. Eu julgo que ela incorpora a corrente do experimentalismo na literatura. Foi editado há algum tempo uma colóquio/letras sobre o experimentalismo, e o nome que aparece em destaque é Ana Hatherly. O livro que refiro, das tisanas, foi editado pela "Quimera" em 8/2006 e encontra-se melhor nas livrarias alternativas. Nas chamadas "livrarias tipo supermercado" não deve encontrar isso. Tenho também outro livro dela, "O mestre", editado pela "Arcádia", que ainda não li.
      Boas leituras.

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    4. Agora reparo que, também, não está (minha culpa) o nosso muito querido Alexandre O'Neill...
      Vou convidá-lo para a minha casa. :-)

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    5. O programa do canal 2 é o "Nada será como Dante", passa às terças-feiras à noite. O actor é o Pedro Lamares e tem, de facto, uma excelente voz.

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    6. O programa já teve várias "temporadas", se assim se lhes podem chamar, com nomes diferentes. Esse deve ser o nome actual. Sim, é justamente com o Pedro Lamares e julgo que também tem uma voz feminina, também ela com uma excelente locução, que lamentavelmente, não de propósito mas por pura ignorância, desconheço.

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    7. A voz feminina é da Filipa Leal, que é também poeta (ou poetisa).

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  5. António Luiz Pacheco20 de abril de 2020 às 06:01

    Um jogo interessante, se bem que não me tentem... talvez a 6, por causa do Hemingway.
    Fechados numa casa com escritores, todos gente com o seu "quê"... hum... acho que ia dar confusão, ai ia, ia... eheheh!
    Mas não deixa de ser uma idéia engraçada.

    A propósito de O. Wilde, o fantasma de Canterville, é uma obra surpreendente, não acham?
    Creio que já foram feitos filmes (comédia) baseados na obra, se não estou em erro.

    Saúde, cá de uma terra saudável e morena!

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  6. A casa 2 ganhou-me da e aspeto popular, talvez a inclinação metódica e discursiva a tornasse previsível e pouco significativa para uma quarentena. Desconheço o autor Dale Carnegie.

    A casa 4 parece ser mais divertida e eam relação as demais a última coisa que escolheria seria algum autor mau humorado ou deprimente. Aliás o calibre de mulheres na casa 4 feito Gertrude ou Bárbara, se lhe estaría com ar bem agradável enquanto palavras amenas. Desconheço Hubbard.
    Cláudia da Silva Tomazi

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  7. Ouvi por aí e não queria acreditar em semelhante!
    E pensei, então agora querem bigbrotizar a literatura, e ainda disse de mim para mim: "hum...deve ser um jogo de um desses inteletuais que puluam as nossas TV.s de manhã e à tarde" que irá ser apresentado por um desses apresentadore(a)s da berra" mais um programa "real" ou como diz por aí e que agora pegou moda um "pograma", mas como considero a bloguer uma fonte credibilissima, então sempre é verdade! Só fica mais aliviado porque pelo menos não será apresentado por um desse(a)s inteligentes que ganham fortunas a representar um determinado papel e a assassinar a literatura!
    Cuidem-se todos, incluindo os tais que apresentam os ditos "pogramas"!

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    1. António Luiz Pacheco20 de abril de 2020 às 08:51

      Só uma correcção, meu caro Cohen: é p'og'ama que se diz! Ahahahah!
      Abraço cá desde a Cidade Morena!

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    2. "Anda Pacheco" da saudosa Hermínia Silva...
      Caro Luiz Pacheco:
      Agradeço a correcção, já agora, quem foi o introdutor desse dizer na língua portuguesa? Na altura estava muito em voga a expressão os "programas dos partidos" e houve lá um que se saiu com essa do p'og'ama!
      Cumprimentos e saúde

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  8. Inclui autores ingleses e americanos, considerando que Nabokov e Brecht também rumaram aos EUA. Excetuam-se portanto Kafka e Gabo a quem foi confiado o papel de exceções que confirmam a regra.

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  9. Fico na casa 6 depois de muita ponderação. O Norman Mailer sempre foi muito arguto e ousado no seu uso da palavra, dou-me bem com o Hemingway e o Joyce e gostei de, Their Eyes were watching God que li há muito tempo. Não conheço a Dorothy Parker, se pudesse trocá-la por Shirley Jackson era mesmo um lar perfeito: irreverência, sangue e cabeças escaldadamente interessantes...

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  10. 5 porque reúne o maior número de autores que admiro. Por outro lado, quem resistiria à oportunidade de conhecer, numa mesma oportunidade, Joyce e Hemingway?!
    Quanto à lista portuguesa, caramba... É muito mais difícil de escolher! A 2 é uma mistura engraçada e a 1 brutal. Ainda assim, como rejeitar Augustina, Saramago e Torga?
    Que belo desafio!

    O retrato de Dorian Gray é uma obra excelente. Recordo a conversa que se desenrolou há uns dias aqui no blogue acerca da dificuldade da escrita de bons diálogos. Fez me lembrar automaticamente este romance, que é a meu ver uma das obras literárias com as melhores conversas entre personagens. Dele li também the importance of being Ernest, inúmeras meditações, e há não muito tempo, Salomé (acompanhado das controversas ilustrações de Beardsley). Gostei de tudo, por isso agradeço a recomendação desse fantasma de Canterville, que procurarei.

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  11. Eu escolheria a casa 2, e poderia concretizar o desafio, pois tenho alguns livros...mas é melhor diversificar as leituras…

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  12. bela sugestão, 'o retrato de dorian grey' é um belo livro, quanto às casas ficar-me-ia entre a casa 4 com barbara pym e a casa 6 com ernest hemingway e james joyce.
    henrique cheira

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